Quando desci a serra naquele fim de semana, pensei que tudo havia acabado. Me imaginei no meu velho quarto, de onde, pela janela, eu sonhava em navegar com o Sargento Branco. Mas, não foi bem assim... A reconciliação com Diana e também com minha filha, nos termos que você já sabe, me trouxe paz momentânea.
Em nossa longa conversa, posterior ao mar de lágrimas no qual os três mergulharam de cabeça no quarto de Laura, acertamos alguns pontos para selar essa nova união familiar. Diana fez suas exigências e aceitei, negando-me a ter novamente com Andrea e Eloísa.
Botei o Engelfreund à venda por telefone e bloqueei o contato da ruiva, ainda que não o tenha feito com a filha. Embora ela não tenha mandado mensagens de imediato, deixei essa linha aberta para saber de notícias da mãe, ruins, eu confesso. Não que eu quisesse o mal de Andrea, mas ainda a amava de certa forma.
Meu temor era de que sua depressão voltasse com força, mas percebi que, mesmo naquela confusão toda, ela parecia mais forte, bem superior à Andrea do passado. Logicamente, a idade e a experiência de vida a fortaleceram.
Eu a admirava por conta disso, por ter dado a volta por cima e obtido sucesso, pelo menos em termos financeiros e familiares. Naquele momento, meu barco navegava em águas calmas novamente, com Laura aceitando conversar com um psicólogo sobre sua condição.
Chegou mesmo a se entusiasmar com Fábio, que retornou à nossa casa dias depois. O jovem parecia disposto a retomar o romance com a garota e, quando retornou, veio com Reginaldo, seu pai. Nesse momento, tive uma conversa com ele para tentar entender tudo isso e me sentir mais confiante numa recuperação.
#
Estranhei Reginaldo chegar sozinho com Fábio, já que normalmente, em ocasiões de visita, aparecia com sua adorável esposa Elizabeth, a "Menina do Fusca". O garoto, ao ver Laura, não pareceu entusiasmado, mas o beijo breve na boca indicou que ainda mantinham o relacionamento.
Atento, o pai me cumprimentou, assim como fez com Diana, que se ressentiu da presença de Elizabeth. Reginaldo disse que ela tinha compromissos na empresa, por isso não apareceu, mesmo sendo um fim de semana. Isso me causou estranheza, mas dei de ombros a conjecturas não relacionadas a mim.
— Regi, preciso de um conselho seu.
— Diga, meu amigo.
— Você sabe que os dois não estão bem, não é? Isso é culpa da minha filha...
— Gui, por favor. Laura não é culpada de nada. São coisas que os adolescentes enfrentam.
Incomodado com a posição dele, argumentei:
— Não é o que você está imaginando, Reginaldo. Não é rebeldia e muito menos um conflito familiar.
Olhei para os dois, sentados no sofá da sala, conversando em voz baixa. Reginaldo notou minha preocupação e o convidei a ir até a sacada, porém, ele ficou surpreso ao me ver fechar a porta de vidro. Quando o fiz, Laura virou-se e me fitou preocupada. Pedi silêncio com o dedo indicador nos lábios.
Isso também era a indicação de que ela deveria manter-se fora do assunto que nos envolvia, embora tenha jurado que Fabinho não sabia. Recordei ali que ele também não se entusiasmara com minha presença e isso poderia ser um sinal de que sabia da paixão proibida da namorada.
— Regi, o que vou te dizer aqui, deve ficar somente aqui. Sei que você não tem segredos com Elizabeth, mas se não puder evitar, conte somente a ela.
— Tudo bem, Guilherme, pode confiar.
— Minha filha, a Laura, tem síndrome de Electra.
— O que seria isso?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
