Aqueles estranhos, porém, agradáveis, dias de dezembro de 2021, em que me encontrei diversas vezes com Andrea, amenizaram em parte a tristeza de perder Diana. Tal como havia dito anteriormente, Eloísa se sentira estranha diante de minha relação com a mãe dela.
Se sentira atraída por mim e confessara, mas agora via aquele momento com aparente desconforto, algo que chamou a atenção de Andrea. Eloísa driblou os questionamentos da mãe sobre seu estado emocional, mas, no fundo, não conseguiu ocultar tudo. Numa noite, a ruiva me indagou:
— Gui, será que a Elô não está contente com nosso namoro por amizade à Diana?
— Não tenho ideia, mas acredito que não, pois, ela já teria manifestado isso. Mas, olhe, pode até ser, mas ela tem que entender...
— Claro! Você tem razão. A vida é minha, ela aceitando ou não nosso relacionamento. Ainda assim, ela diz que está tudo bem, mas sabemos que não...
Sabia que Eloísa jamais contaria à mãe sobre seu sentimento, mas será que era somente isso? Foram três encontros na casa da mãe que indicaram que a filha não estava confortável. Conjecturei que ela poderia ter mentido para mim e ocultado a verdade.
O dia em que teria de buscar Laura se aproximava, haja visto que Diana pediu que eu pegasse nossa filha no dia 23. Ainda não sabia, mas havia uma tempestade no horizonte e o barômetro nada indicava...
Era preciso resolver a questão com Eloísa e evitei chamá-la na náutica, visto que isso chamaria a atenção. Contudo, já não tinha mais meu abrigo no apartamento de Leonor, que voltara com a namorada e, porque eu ainda era um "padre non-grato".
Eloísa prontamente me convidou a seu apartamento e hesitei inicialmente, mas acabei cedendo, ainda mais por ela não demonstrar estar realmente interessada em mim. Fui então até o Jardim Marajoara, onde ficava seu apartamento.
Simples, o cantinho da jovem era bem organizado, como a vida dela parecia ser. Com dois quartos, sendo um usado para seus exercícios físicos e como escritório, a solitária herdeira dos Ruiter tinha a companhia de um pequeno cão Shih Tzu, o Bonitão.
Logo após abrir a porta, o pequenino de cor cinza meteu-se em minhas pernas em busca de amizade, algo que eu realmente queria, mas da parte de sua dona. Ao pegá-lo, alegre, a ruiva brincou com ele.
— Boni, dá um alô para o tio Guilherme!
"Tio Guilherme". Gostei de ouvir, ainda que não me agradasse o fato de ter quase 50 anos, mas me senti lisonjeado, pois, era esse sentimento que eu esperava dela. Após um afago rápido no "Bonitão", nome criativo para um cão, a ruiva lançou um brinquedo e o cãozinho foi se satisfazer com ele.
— Diga Guilherme, o que precisamos conversar realmente?
— Elô, sua mãe está desconfiada de que você tem um motivo forte para não estarmos juntos.
A moça sorriu e desdenhou.
— Você e minha mãe criando teorias. Não há nada de errado, só penso que vocês se precipitaram num momento em que você nem está divorciado.
— Ok! Pode falar abertamente...
Estranhando minha atitude, Eloísa frisou o olhar e questionou:
— Você acredita em que, Guilherme? Pensa que ainda estou atraída por você?
— Não disse isso.
— Nem é preciso, pois, por que viria à minha casa?
Fiquei sem resposta, pois, não havia motivo diferente para ter aquela conversa e ainda na residência dela.
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Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
