Capítulo 24 - Infância

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Laura não suportava quando eu beijava ou abraçava a mãe, sempre querendo nos separar e, evidentemente, "defendendo-me" de Diana. No início, ainda na primeira infância, minha ex-mulher tolerou. Contudo, lá pelos 7 anos, a situação já era bem chata.

"O papai é meu! O papai é meu, mamãe! Não toca nele! Larga, vai! Vou proteger meu papai"! Essas eram algumas das frases que a pequena soltava, mas a coisa se arrefeceu por volta dos 9 anos. Laurinha ou Lala, como a chamávamos carinhosamente, pareceu compreender as coisas.

Uma vez esquecemos de trancar a porta do quarto e, nessa noite, eu e Diana transamos. No dia seguinte, Laura disse sem cerimônias, na frente da irmã, o que havíamos feito. Ela só tinha 8 anos e descreveu o que viu. A mãe ficou vermelha como um pimentão e eu não tinha o que falar, mas Leonor sim.

— Ei, Lala! Você não viu nada, tá? Vê se bate na porta da próxima vez, sua tonta!

— Mãe, ela me chamou de tonta!

— Não chame sua irmã de tonta!

— Ok! Mas da próxima vez, os pombinhos tranquem a porta, tá?

Diana se calou e eu decidi encerrar o assunto, botando ordem na mesa do café. Não sei se isso contribuiu para afetar a sexualidade da pequena, mas quando ela entrou na puberdade, as coisas começaram a mudar...

Com mudanças físicas perceptíveis, Laura novamente cultivou um ciúme em relação a mim, mas não mais com a mãe. Qualquer mulher que não fosse da família era encarada como uma inimiga. Beijos, abraços e colo, faziam-na parecer ainda uma criança que pede atenção.

Leonor, por exemplo, era bem diferente. Nunca foi dada a estar grudada comigo ou com a mãe, tanto na infância quanto na adolescência. Sempre foi independente em muitos aspectos e discreta no falar, sendo que nem mesmo sua sexualidade foi colocada em dúvida por mim ou pela mãe.

Talvez, no fundo, Diana soubesse, afinal, mãe é mãe, não é mesmo? Ela nunca admitiu saber das preferências da filha antes que a mesma nos revelasse. Em alguns momentos de sua vida conosco, Leonor era um completo mistério.

Já Laura deu trabalho, como no episódio onde me deixou constrangido com o colo e o beijo na frente de outros, como já mencionei. Seu comportamento irritou Diana por um tempo, mas conversas e broncas não adiantaram. Até que, como também já falei, senti alívio ao saber de Fabinho.

Acreditamos que Laura mudaria com um namorado, mas naqueles primeiros dias de 2022, vi que realmente a coisa só havia piorado. Pode ser que boa parte disso, ou pelo menos do evento recente, tenha sido culpa minha.

Eu tinha a péssima mania de ficar de sunga em dias de sol, quando no barco, pois, bastava entrar nas águas da represa e me aliviar da alta temperatura. Laura, por vezes, untou minhas costas com protetor solar e fiz o mesmo nela, onde insistia em desamarrar o biquíni para facilitar...

Não vi nisso algo provocador, mas depois imaginei ser algo que alimentava seu desejo, ou sei lá, que sentimento é esse. Lembro que logo no terceiro dia, fundeamos em uma ilha e um veleiro com quatro moças a bordo, jogou a âncora bem perto.

Laura, ao reparar nas garotas, que me cumprimentaram, me abraçou e beijou-me o rosto, como um sinal para elas manterem distância. A garota não sossegou enquanto as mulheres não recolheram sua âncora e partiram. Ela também me repreendeu.

— Fica aí, dando asas para essas galinhas...

— Quem? As moças?

— E tem outras?

— Ah! Tu tá ficando doidinha...

— Tá bom, seu Guilherme. Daqui a pouco uma delas pula para cá. Olha aquela ali, arreganhando-se para você...

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