Capítulo 25 - Ou ela, ou eu...

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Andrea permanecia parada, encarando a filha, que não sabia bem o que fazer. A ruiva, já com os olhos avermelhados, arfava tanto que era possível notar seu busto inflar-se sob um collant branco, dentro de um short jeans claro.

Com um celular na mão, óculos espelhados presos no cabelo e uma blusa branca, bem transparente, Andrea — de sandálias douradas — parecia pronta para um passeio. Naquela cena, me perguntei: "ela está aqui para me ver ou embarcar no Monara?"

Mas, aquele encontro não tinha espaço reservado para essa questão, uma vez que a situação era bem complicada e Laura era outra preocupação minha.

A ruiva moveu a cabeça em direção à garota, ainda no cockpit do Engelfreund. O olhar duro da mulher para com a jovem parecia dizer um milhão de coisas e parecia tão grave, que Laura até se intimidou diante da presença dela.

— Mãe, o que está fazendo aqui?

Subitamente arrebatada pela questão, Andrea mirou em mim e, sem encará-la, devolveu a questão:

— Eu é que pergunto, Eloísa, o que você faz aqui? Por que está com esse "homem"?

Cerrei o olhar em reprovação pelo "homem", dando a entender que eu não era um homem de fato. Intrigada, Laura pareceu captar algo além do óbvio no ar, afinal, sabia que eu e Andrea havíamos terminado o relacionamento. A ruiva deu a entender, para quem não sabia do segredo, que a filha mantivesse distância de mim.

Ainda assim, a desconfiança de Laura era como a de um investigador astuto, que busca nas entrelinhas, a verdade.

— Pai, o que tá acontecendo?

— Nada! Ela só não quer que a filha converse comigo...

Ao responder, olhei para Andrea, que pareceu ainda mais furiosa, batendo repetida e nervosamente a mão ao lado do corpo. Neste instante, Eloísa olhou para trás, buscando-me e depois à Laura, a qual falou:

— É isso mesmo... Bom, vou...

— Não! Não vai!

Andrea, efusivamente, interrompeu a filha, caminhando então até ela, onde a encarou. As duas, mirando-se, pareciam medir forças, porém, a mãe pegou a mão de Eloísa e disse:

— Desculpe. Vamos para o barco, ok?

— Tudo bem, mãe...

Eloísa deu então uma última olhada em mim e ignorou Laura, que diante da saída das duas, decidiu exacerbar sua frustração por ser ignorada na conversa.

— Espero que não apareçam mais!

Já tendo dado alguns passos, Andrea deteve-se e com ela a filha. Mirando na garota, rapidamente soltou a mão de Eloísa e se aproximou do barco. Formando um sorriso falso, a ruiva falou:

— Vê se enxerga garota. Você não sabe da missa a metade e está posando de gatinha. Acha que seu papai fez o que, para terminarmos, hein? Pensa...

A mulher gesticulou com o dedo indicador na têmpora, diante de Laura, atônita. Andrea fixou-se em mim, já com ar endurecido pela traição, virando-se e partindo rapidamente para o Monara, na companhia de Eloísa, que mantinha um ar preocupado.

Laura observou as duas andarem pelo píer e então voltou-se para mim. Em seu semblante só havia uma conclusão. Maneando a cabeça como que dizendo saber, a garota entrou calmamente no barco. Para mim, isso será sinal de preocupação, pois, ela poderia explodir de raiva.

Algumas vezes, quando aborrecida, fazia isso, estourando num rompante de gritos, gestos e até agressão física. Eu, ainda no boreste do Engelfreund, sentei sobre a cabine e abaixei a cabeça, dando espaço para mil e um questionamentos.

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