Logo que chegamos ao calçadão, com o vento a soprar mais que as ondas brancas que quebravam constantemente na areia branca da Praia das Pitangueiras, iniciei o que devia. Disse à Laura que amar não é errado, mas que isso pode trazer implicações difíceis de lidar.
Contei-lhe sobre Diana e Andrea, quando eu era um jovem tentando se encontrar no mundo. Revelei que, embora amasse a morena, havia uma paixão forte pela ruiva.
— Como pôde amar duas pessoas, pai?
Foi nessa questão que aproveitei para inserir Laura no contexto.
— Então, querida, como você pode desejar dois homens?
Encabulada, a menina parou e mirou o chão para não me encarar. Tomei-lhe a mão e a fiz sentar numa mureta de pedra perto da areia. Laura continuava a se esquivar e ali precisei de tato para chegar onde eu queria.
— Escute, não disse isso para te ofender, mas pense comigo: o que me faz pensar que você e o Fabinho já não transaram?
Ruborizada, Laura me encarou como se sua maior verdade houvesse sido revelada.
— Pai! Como pode me perguntar isso?
— Viu? Olhe bem... Como consegue fazer essa pergunta? Eu mesmo te respondo. Seu comportamento para comigo.
Laura continuou ruborizada e mirou o chão, sem coragem de me encarar, mas eu sabia que deveria deixá-la assim para seu "conforto", se é que alguém se sentiria assim nessa situação.
— Então, se você tem pensamentos como esses para comigo, então, imagino que também os tenha com Fabinho. Olha, não a reprovo por isso, pois também já fui jovem e Leonor nasceu exatamente por conta disso.
A garota continuou de cabeça abaixada, apoiando os cotovelos nas pernas. Seu cabelo denso lhe ocultava o rosto e isso era bom para nós dois, pois me permitia continuar sem constranger ambos.
— É natural que você e ele pensem em ter maior intimidade e, meu bem, não quero mesmo saber se vocês já tiveram sua primeira... Bem, você sabe. O que quero é que você tenha juízo nesse caso, mas haja naturalmente.
Olhei para os lados a fim de buscar palavras melhores.
— Veja bem, diferente de mim, você só tem um caminho a seguir e ele é com Fábio. Bem, digo, se não der certo com ele, seja com qualquer outro, porém, não comigo.
Laura ergueu-se e seus olhos avermelhados se fixaram em mim.
— Nunca transamos, pai. Confesso que já tive vontade e ele também, mas...
— Mas?
— Tive medo...
— Medo?
— Sim... De não ser legal. Dele, na empolgação, acabar me engravidando, sabe?
— Entendo, filha...
Disfarcei e comecei a observar as pessoas passarem por nós, me sentindo um pouco constrangido. Esse não é o tipo de conversa que você quer ter com sua filha, embora às vezes seja necessário ter ciência da situação...
— Pai?
— Oi...
— Não vai brigar comigo?
Sabe quando vem aquela sensação de que o tempo vai fechar e você não tem para onde correr? Pois é...
— Apenas diga.
— Não tivemos nada porque eu queria ter...
— Laura...
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Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
