Capítulo 15 - Ich liebe dich

20 2 0
                                        


Já era tarde da noite, quando cheguei ao meu apartamento na praia de Pitangueiras, em Guarujá. Com tensão tomando-me conta ao subir no elevador, observei os números dos andares se avançarem com expectativa. Seria ali o fim de tudo? Diana foi firme em sua declaração de que nada mais havia, mas...

A "despedida" sobre a cama de solteiro daquele quarto teve dualidade única. Fora a melhor transa que tivemos, tanto pelo ato quanto pelo desejo presente, porém, virou uma lembrança amarga de nosso pior momento em 27 anos. Ela tinha toda a razão ao "acabar" comigo, mas eu ainda acreditava poder reverter a coisa.

Não negarei que, durante minha descida de serra, o único conforto foi me imaginar acolhido por Andrea. Essa segurança talvez tenha sido o fator que me enfraquecera na luta por Diana. Poderia ter ido com ela até a loja e, quem sabe, a raiva descontada na ruiva pudesse ter limpado dela o sentimento para comigo.

Foi um pensamento tão fútil de minha parte naquela pequena viagem que minha consciência se fez e repreendeu-me. Com tantos "se's" na mente, apresentei-me diante da porta. Tendo a chave, girei o tambor silenciosamente para não chamar atenção, especialmente de Laura e, logo de cara, vi uma cena rara para mim.

No sofá, minha "Deusa do Ébano" em beijos e carícias bem quentes com sua amada Roberta. Desviei o olhar e produzi um pigarro, constrangido, levando-as ao susto e afastando-se de imediato. Ainda sem encará-las diretamente, perguntei por Diana.

Com cara de poucos amigos, Leonor respondeu de forma áspera:

— Está aonde deveria estar.

Roberta, constrangida, talvez não pela cena, mas pela situação que nos envolvia, forçou um sorriso e eu a imitei. Leonor olhou-a em repreensão, o que a fez "murchar" diante da namorada de olhos azuis. Na relação das duas, minha filha tinha muita influência sobre a loira.

Por vezes, me pareceu que a doce garota queria ser mais independente e deixar de abaixar tanto a cabeça para a companheira. Em alguns momentos, aquele olhar esverdeado pedia colo... Nunca comentei minhas impressões com Leonor, afinal, o relacionamento era delas.

Fui ao nosso quarto e após dois toques na porta, abri e vi Diana deitada sobre a cama, abraçada ao travesseiro e ainda vertendo lágrimas. Meu coração se apertou e ela, ao se surpreender comigo, vociferou:

— O que você quer aqui?!

— Diana...

— Já conversamos! Não quero você aqui!

— Preciso...

— Não precisa! Você já fez o que tinha que fazer! Vai lá ficar com ela!

O tom alto da voz de Diana atraiu a atenção de Laura, que apareceu à porta assustada.

— Pai?! Mãe?! O que tá acontecendo aqui?

Vi meu chão sair dos pés, afinal, ela não sabia! Senti-me lançado pela janela do décimo andar e em queda livre até o calçadão abaixo... Meus olhos então reproduziram o mesmo sentimento de Diana, pois, ela omitira da filha a verdade. Estática, a mãe não tinha como esconder as lágrimas.

A tristeza estampada em seu semblante era plenamente perceptível e Laura, já de pijama, acordara para uma nova realidade, uma triste constatação.

— Mãe, por que está assim?

Limpando o rosto rapidamente, Diana pôs-se em pé e buscou um abraço da filha, que se afastou imediatamente.

— Não, mãe. Conta primeiro o que está acontecendo aqui. A senhora, Leonor e Roberta estavam estranhas hoje e agora chega meu pai esta hora...

MonaraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora