Aquele domingo em família foi bom e consegui adiantar muito do que pretendia no barco. Até fizemos uma velejada à tarde e sem o temor da presença de Andrea, já que Eloísa voltara para casa após nossa conversa. Laura parecia bem despreocupada diante disso, mas Diana ainda escondia seu real estado.
Durante a navegação, uma mensagem via aplicativo me fez ficar alerta com as duas morenas a bordo. Eloísa informou que a mãe aceitara almoçar comigo na segunda, para conversarmos. No momento não sabia como a ruiva-filha havia descoberto meu número, mas depois liguei os pontos com o pessoal da náutica...
No final da tarde, retornamos para o apartamento de Leonor. Diana e Laura, quase que orquestradamente, se despediram de mim com a desconfiança nos olhos. Minha filha não resistiu, como sempre e alfinetou, falando seriamente e em voz baixa, para a mãe não ouvir:
— Juízo, senhor Guilherme.
Fechei a cara, mas a garota não se importou. Ficaríamos dias sem se ver e foi assim que ela se despediu de mim... Esperava dela um "te amo pai" ou "fique bem papai". Isso de certa forma me entristeceu, diferente do sentimento para com Diana.
Após beijar-me e dizer que me amava, perdeu-se por segundos em meu olhar. Não era saudade antecipada, mas um recado e eu sabia bem seu conteúdo, mesmo sem palavras. Tomei um bom banho, jantei com as garotas que restaram naquela casa e sentei na varanda.
Meus pensamentos deveriam estar se movendo pela estrada do Alvarenga, rumo à Imigrantes, mas buscaram algo, ou melhor, alguém naquela imensa metrópole. Enquanto pensava nela e não nelas, a Roberta despediu-se e me tirou daquele estado. Depois que saiu, Leonor veio ter comigo.
— Papai, essa tal de Andrea, representou muito em sua vida?
— Com você, eu posso me abrir filha. Sim, naquela época sim.
— Você não amava a mamãe?
— Claro que amava sua mãe, aliás, decidi ficar com ela no final, porque acreditei sempre que seríamos felizes.
— Entendo, mas essa história de filho, ou melhor, filha, ainda mexe com o senhor, né?
— Sim. Olhe, não se preocupe, ok? Não tenho mais nada com ela.
— Estou bem pai. Esse negócio de ciúmes é com mamãe e Laurinha. Bem, a pequena o senhor sabe bem o porquê, né?
— Isso não tem nada a ver.
— Tem sim, pai, "aquilo".
— Não tem "aquilo". Sua irmã é normal.
— Está bem! Não falo mais nada...
Acariciando meu cabelo, a jovem me fitou e disse:
— Papai, esses dias de férias com a mamãe vão curar tudo isso.
— Espero que sim...
Sem querer, revelei algo sobre minha relação com a mãe.
— O senhor não fala dessa tal de Andrea, né?
— Você notou?
— Claro pai! Há muito tempo que vocês dois não são os mesmos. Aparentam estar bem, mas sei que não estão. Ah! Laura também já percebeu...
Não foi surpresa saber disso. Minhas filhas eram muito ligadas a nós, mas não sabia que a "crise" havia chegado a esse nível.
Com Andrea reaparecendo, Diana provavelmente se sentiu insegura diante desse detalhe. Era perigosa a situação, por isso tinha que resolver a questão com ruiva e ajeitar meu casamento.
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Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
