Capítulo 19

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A coisinha estava eufórica.

Insistiu para ser posta em uma fantasia de leoa, então Carina e eu tivemos trabalho para achar alguma coisa para ela, que no fim se contentou com uma grande juba de leão dizendo que não faz diferença agora se é um menino ou uma menina.

Entendemos que o importante, então, era o animal que nossa filha queria ser.

Por insistência dela, também, eu usava uma tiara de gatinhos e tinha o rosto pintado com focinho e bigode de gato. Carina iria de coelhinha e estava se arrumando enquanto eu terminava com a criança.

-Muito bem - falei, arrumando sua juba - quero que vá para sala que eu vou atrás de sua mãe para ver se falta muito pra ela ficar pronta.

-Está bem, mamãe - ela disse e correu para fora.

Fui até o quarto e acabei sendo surpreendida com a imagem de uma Carina ainda de roupão, sentada em cima da cama olhando apreensivamente para o nada.

-Carina, ainda assim? - questionei, me sentando perto de seus pés e os puxando para cima de meu colo.

Ela me olhou e parecia nervosa, então disse:

-Eu não vou - desviou o olhar - pode leva-la sem mim? Não quero estragar tudo, ela está tão animada.

-Calma aí. Não vai por quê?

-Eu... - sugou todo o ar do ambiente - preciso ficar um pouco só com meus pensamentos.

Toquei em seu queixo, fazendo com que olhasse para mim novamente.

-O que está se passando por essa sua cabecinha?

Ela mordeu o lábio inferior.

-É bobagem. Vai passar. Só preciso ficar um pouco sozinha. Pode fazer isso por mim?

-Claro que posso, mas preciso de uma razão. O que está te afligindo?

-Eu só não estou confortável, Maya. Eu olho no espelho e tudo é... - suspirou - me sinto tão culpada de me sentir assim! Digo, é nosso bebê que está aqui dentro! Era para eu estar feliz e não preocupada com isso e... preciso de um tempo para me religar a mim mesma e as coisas certas novamente. Consegue entender?

A observei por um momento e assenti no mesmo instante em que uma ideia surgiu em minha mente.

-Vou levar a Coisinha na festinha da escola e depois para pegar doces com Marie, ok? Qualquer coisa me liga.

-Tudo bem - suspirou novamente - obrigada.

-Conte comigo para tudo, meu amor - disse, beijando sua testa - estamos indo.

-Está bem. Se divirtam.

-Nós vamos.

Saí do quarto e fui direto ao da praguinha, pegando sua mochila e enchendo com roupas que precisaria para meu plano dar certo. Só então saí de casa com ela.

-Tudo bem - disse a ela quando estávamos dentro do carro - nós vamos na escola nova brincar um pouco e depois vou te deixar na casa Andy e Amélia para você pedir doces com a Marie. Você também vai passar a noite lá porque a mama e eu vamos fazer um programa de adultos.

-Ah, tudo bem - respondeu em tom de lamento - por que a mama não vem?

-Porque ela não está se sentindo bem - expliquei.

-É culpa do bebê?

-Não, amor. É culpa de umas coisinhas ruins que entram na cabeça da mama e eu preciso tirar de lá de vez em quando, ou ela fica muito mal.

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