Capítulo 16

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Quando chegamos das compras, Dahlia foi com muita sede ao pote, ou melhor, a caixa da boneca que escolheu.

Sentou, abriu a embalagem e ficou um longo momento com a boneca no colo a encarando como se não soubesse o que fazer até que Carina foi até ela e se sentou a sua frente.

-Você pode brincar de trocar a roupinha dela, depois dar a mamadeira e coloca-la para dormir - sugeriu.

Ela assentiu, pegando a boneca e desajeitadamente tirando sua roupa.

Era certo: a pestinha não tinha jeito para ser mãe.

Ela pegava a boneca pelos pés, colocava de cabeça para baixo, puxava a roupa. Por fim, conseguiu trocar a roupinha dela por outra que veio na caixa.

Carina depois entregou a ela a mamadeira que vinha junto, então a garota enfiou o bico na boca da boneca que estava jogada em seu colo e encarou.

Neguei com a cabeça, porque nem de longe aquilo parecia como uma criança brincando.

Céus, parecia estar morta por dentro!

-Pegue ela assim, amor - indicou Carina, pegando um ursinho e demonstrando - ela é o seu bebê.

-Ah... - ela fez, imitando a mãe - quando eu posso tirar isso dela?

-A hora que você achar que ela terminou de mamar - respondeu Carina.

-Está bem - falou, tirando a mamadeira da boneca e deixando de lado.

-Agora coloca a chupeta e coloca ela para dormir - indicou Carina.

-Ok.

E enfiou a chupeta rudemente na boca da boneca, olhando para Carina em expectativa.

-Assim, olhe.

Carina demonstrou com o urso como se colocava um bebê para dormir o sacudindo e a pirralha a imitou.

-Só isso? - perguntou com uma expressão estranha no rosto.

-Bom, sim - respondeu Carina.

Ela baixou a boneca, a deixando jogada em seu colo novamente.

-Ah...

-Bebês são chatos, pirralha - me intrometi na conversa - por isso a Barbie é mais legal. Ela já é grande e pode fazer um monte de coisa.

-E por que vocês vão ter um bebê? - perguntou.

Ponto para ela.

-Porque bebês de verdade crescem e ficam legais como você - respondeu Carina.

-A Tiffany diz que eu sou chata. Eu sou como um bebê?

De novo essa Tiffany. Se essa criança aparece na minha frente, atropelo ela.

-Não, amor. Você não é chata como um bebê. Você é uma leoa, lembra? - perguntou Carina gentilmente.

-Essa Tiffany que é chata - resmunguei e Carina me lançou um olhar de repreensão, mas mantive minha cara fechada.

Não gostava dessa garota.

Carina era muito paz e amor, não queria deixar que a praguinha guardasse rancor de ninguém. Eu não tinha tanta paz interior.

-Se ela falar que você é chata de novo diz pra ela que ela tem cara de rato - falei.

-Maya! - me repreendeu Carina antes de se voltar para a criança - não diz isso, filha. A mamãe está chateada e não é legal debochar da aparência dos outros. Entendeu?

-Sim, mama.

Respirei fundo, irritada.

-Tudo bem, vou preparar o jantar.

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