Eleven

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Caitlyn's POV

Um defensor entregou nossas armas e nossos uniformes e imediatamente nos escondemos para nos arrumar. Não havia nada que Violet já não havia visto, então, eu não precisava ter medo.
Discretamente, nós duas entramos na indústria.

— Você está vendo alguma coisa? — perguntou ela no meu ouvido.

Operários passavam de um lado para o outro, carregando litros de Cintila. Nada do que eu já não havia visto.
Soltei um suspiro.

— Só há um jeito de descobrirmos. — respondi, carregando minha rifle.

Vi ficou surpresa por alguns instantes, mas assentiu, arrumando suas manoplas.

— Quando eu atirar, você entra em ação. — expliquei, subindo a ponte.

— Está bem.

Quando cheguei no topo, os operários estavam preparando tudo para que a carga seja levada. Mirei em um deles, e atirei. E lá embaixo vinha Violet, acabando com eles de um jeito que só ela sabia.
Tudo ia bem, até de repente uma porta se abrir. Eu não sabia quem era aquele cara, mas ele com certeza não era tão humano quanto aparentava ser.
Ele era gigantesco, e no primeiro tiro que deu, tirou uma das manoplas de Vi. Ele continuou a atirar, mas na minha direção. Tentei fugir ao máximo, mas a ponte desabou, e eu acabei caindo.
Quando consegui me levantar não dava para ver nada, mas depois que a poeira passou, me deparei com os defensores atirando no cara. Violet estava caída num canto, com suas manoplas quebradas no chão.

— Vi! — corri até ela, carregando a mesma pelos ombros. — Venha, temos que sair daqui!

Tirei a mesma da indústria o mais rápido que pude. Não passou pela minha cabeça ir atrás de Jayce e dos outros naquela hora. Eu nem sequer sabia aonde estávamos.

— Precisamos correr, os barões já devem estar cientes da nossa chegada. — eu falei para ela.

— Por aqui! Vamos por aqui! — sugeriu a mesma, ofegante.

Mesmo sem saber aonde Violet queria chegar, segui o caminho que ela pediu.

~~~
Vi's POV

Eu não sabia onde exatamente estávamos, mas aquela área de Zaun era abandonada pelas duas cidades. Ninguém chegaria até lá.
Entramos numa casa abandonada, e eu logo me sentei no chão.

— Que lugar é esse? — perguntou Caitlyn, olhando ao redor.

— Eu não sei. — respondi, limpando o suor da testa com a mão. — Mas aqui é o lugar que todos preferem ignorar. Os viciados não seriam capazes de dedurar a gente.

Ela ficou em silêncio por alguns instantes, verificando se tínhamos sido seguidas. E depois, foi até mim.

— Você está bem? Ele te machucou? — perguntou, preocupada, procurando algum ferimento.

— Estou bem sim, só estou cansada. — enquanto isso, Caitlyn pegou um pano e começou a limpar o sangue do meu nariz.

— Que tipo de criatura era aquela?!

— Eu não sei, mas aposto que é obra do doutor Singed.

— Quem é esse Singed agora?

— Foi ele quem criou a Cintila, talvez esteja trabalhando para os barões. — expliquei. — Mas eu não tenho certeza.

— Entendo... De qualquer forma, Jayce vai descobrir alguma coisa. — ela guardou seu pano na bolsa. — ... Você lutou bastante hoje.

Soltei uma risadinha. Caitlyn estava toda vermelha. De certo aquele elogio tinha outros motivos.

— Você também arrasou hoje, Cupcake. — comentei, segurando na sua mão. — Essa é a minha garota.

Ela revirou os olhos de tédio. Eu sabia que ela detestava meus flertes bobos. Mas dessa vez, Caitlyn tinha um sorriso no rosto.

— Nós vamos fazer mais coisas assim? — perguntei.

— Assim como? Tipo, quase morrer? — declarou ela, sarcasticamente. Não pude evitar uma risada.

— Não. — fiz uma careta. Não queria morrer, não antes de conquistar ela. — Missões juntas, eu gosto disso. De trabalhar só com você.

Ela ficou em silêncio, pensando no que dizer. Nos rostos estavam realmente mais próximos, era a hora do beijinho!
Coloquei minha mão calejado sobre sua fina bochecha. Caitlyn era tão linda, até mesmo em meio ao apocalipse.
Chega de enrolação, por fim me aproximei de seu rosto e a beijei de vez. Beijei de novo aqueles lábios doces misturados com uma sensação de prazer. Caitlyn sempre me fazia querer mais e mais dela.
Paramos para pegar um pouco de ar.

— Vi... — chamou ela ofegante. — Eu...

Antes mesmo que pudesse dizer algo a mais, alguém bateu forte em sua cabeça com uma arma. Caitlyn caiu inconsciente no chão.

— Cupcake! — chamei, tentando a ajudar, mas alguém agarrou minha mão.

Logo vi aqueles olhos rosa vibrante. Como Jinx entrou sem que eu pudesse ver?!
Aquela droga tornou minha irmã um monstro.

— Graças a Deus eu te achei. — falou ela, me levando para fora. — Venha, os barões estão querendo a sua cabeça numa bandeja e eu não vou deixar isso!

— Powder, espera! A Caitlyn!

— Deixa de bobagem! Os defensores vão a achar!

— Os barões podem a achar antes! — declarei, enfim me soltando dela. — Eu não posso ir, não sem ela.

Ela me olhou irritada.

— Mas você só pensa nisso?! Eu estou te salvando, Violet! Prefere que te matem?!

— Eu agradeço que queira me ajudar, mas eu não posso ir com você.

— Violet tem razão! — a voz de Ekko ecoou de repente.

Não era possível.
Nós duas olhamos para cima, e nós deparamos com os Fogolumes e seu líder — isto é, nosso velho amigo de infância, Ekko.
Jinx certamente não gostou de o ver ali.

— Não vem não, Ekko! — gritou ela, enquanto eles desciam. — Eu achei ela primeiro!

— Você sozinha não vai conseguir acabar com aqueles caras que estão rondando Zaun inteira. — explicou ele. — Os defensores vão querer te prender, e os barões vão querer te usar. Você não entende que vai prejudicar a si mesma também?

— Não venha me dizer o que pode acontecer comigo, Menino Salvador. — ameaçou ela, com uma face maligna. — Eu e o Fishbones fazemos um KABOOM com aquela gentinha!

Ele soltou um suspiro, e então se virou para mim.

— Então você decide, Vi. Pode vir comigo, ou pode ir com ela.

Olhei para o outro garoto, que segurava Caitlyn desacordada feito um tronco de madeira. E então, subi no hoverboard do Ekko, olhando tristemente para minha irmã, sentindo-se traída novamente.

— Sinto muito, Powder. — foi a última coisa que consegui a dizer.

Os Fogolumes começaram a subir, mas não foram alto o suficiente para que eu fosse incapaz de ouvir Jinx gritar novamente.

— Você fez a escolha certa. — confortou Ekko. — Ela vai ficar bem.

— Eu sei que vai... Mas dói ver ela se sentindo desse jeito.

— Ela escolheu esse caminho há muito tempo atrás, Vi. Não há nada que possamos fazer.

— ... É, acho que você tinha razão antes, Ekko: a Powder morreu. Morreu e a Jinx enterrou.

Trato é TratoOnde histórias criam vida. Descubra agora