Capítulo 24 - A verdadeira culpa

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Camila Cabello | Point of View




Abri meus olhos e pensei que fosse apenas um pesadelo, mas o que me acordou foram os gritos de socorro de Sofia.

- Ela não me escuta, já disse para ela que meu apartamento todo tem isolamento acústico. Eu sou o rei das festas. - Sofia não parava de gritar e eu não sentia minhas mãos, tamanha a força que meus punhos estavam amarrados.

- Isso é entre nós, Juan. Deixe Sofia fora disto.

- Isso sempre foi com nós três.

- Foi você? - Ela perguntou e até eu revirei meus olhos.

- Lógico, Sofia. Acha que essa lerda aí faria algo do tipo? E se fizesse, deixaria tão na cara como ficou? Camila nunca foi burra. A passividade dela com toda aquela situação me deixava irado. Precisei fazer algo.

- Mas... - Eu estava ali ouvindo a discussão deles, mas meus olhos procuravam uma saída para aquela situação.

- Camila era humilhada diariamente e não tomou nenhuma atitude, ela podia ter deixado as coisas mais simples para mim.

- Como assim?

- Alejandro ia deixar ela como presidente da empresa, a mãe de vocês não deixou que as coisas seguissem o curso natural, ela nunca deixaria um bastardo assumir o poder.

- Bastardo é alguém gerado de uma traição. - Eu falei e os dois me encararam.

- Obrigado pela correção. O filho da puta não podia assumir a empresa. Está melhor assim?

- Você tentou matar eles por essa bobagem? Eu nunca aceitaria se fosse escolhida, eu ia sumir naquela droga de
noite.

- Aí Sofia seria a escolhida. Com o fracasso do plano inicial, tive que convencer vocês duas que a culpa era da outra e foi bem mais simples de lidar com vocês. O resto seus pais fizeram por pura força do ódio.

- Perdemos nossos pais e Camila ficou lá presa. Foi simples de lidar?

- Camila está ótima, ela está pegando a Jauregui, Sofia. Indo a festas, trabalhando e acabou. Devia estar focada nisso, mas ela queria mais... mais... mais. Preciso dar um jeito em vocês duas, Camila é persistente demais e o imbecil do nosso tio vai passar a empresa para você, Sofia. Não tenho mais escolha, tenho que me livrar das duas e aproveitar toda essa grana bem longe daqui e com minha mãe. Tudo isso é dela por direito, ela que estava com Alejandro quando ele era pobre e ela vai aproveitar de tudo isso sozinha.

- Sua mãe não morreu?

- Não.

- Vocês dois armaram tudo isso?

- E agora finalmente vamos conseguir tudo que é nosso.

- Fique com tudo, não precisamos desse dinheiro.

- Não vou cair nessa.

- Sabe muito bem que Sofia e eu pouco ligamos para isso. Pegue tudo e suma das nossas vidas.

- Mamãe não aceitaria, finalmente chegamos ao fim disso. Espero que tenham aproveitado a vida de vocês. Opa... desculpa, Camila. Você não teve muito tempo, mas espero que tenha pelo menos transado com Lauren. Seria um desperdício ter oportunidade e morrer sem fazê-lo. - Ele colocou a única bala no revolver e girou o tambor da mesma, apontando para Sofia na sequência dos seus movimentos.

- Sabe que não vai sai daqui com dois corpos. Alguém vai ver, nosso sumiço vai ser notado.

- Eu sei, por isso eu vou contar como nossa noite foi agitada, Camila falou pela primeira vez que tentou matar os Cabello's e voltou para terminar o serviço. Como vocês sabem o veneno estava no meu prato também. Sofia tentou me defender e levou a pior. Consegui dominar ela e tive que matá-la. Foi legítima defesa. Ninguém vai investigar muito, já associam Camila a morte mesmo. E tudo vai finalmente ter um final feliz.

Sofia não parava de chorar e eu não consegui me envolver a situação, pois eu estava mais preocupada em como soltar minhas mãos.

- Você que jogou ela do penhasco?

- Sim! Porra! Irmãzinha, você é de aço? Você não errou de nenhuma ponta de pedra daquele penhasco e ficou viva. Foi uma surpresa mesmo. E os Cabello's eu fui envenenando lentamente com uma mistura especial que minha mãe encontrou nas andanças dela. Achamos arriscado, mas decidimos correr o risco e deu certo.

- Não! - Sofia chorou de força visceral e toda aquela situação começava a me deixar irritada.

- No fim eu sou o verdadeiro protagonista. Diga algo a Camila, Sofia. Suas últimas palavras a ela podem ser de amor. Aproveitem o momento.

- Me desculpe, Camila. Do fundo do meu coração. Eu fui manipulada a te odiar e você só estava tentando me proteger. Eu sinto muito por tudo.

- Está tudo bem, Sofia. Eu entendo você, no seu lugar faria o mesmo.

- Não faria. Acho que você sempre foi boa demais para ser uma Cabello. Essa família nunca mereceu você de fato.

- Que lindo. Foi um belo momento, vou concordar com Sofia, Camila nunca combinou com a podridão dos Cabello's.
Você era a menos pior.

Quando ele apontou novamente a arma para Sofia e apertou o gatilho, atirei-me para o lado em uma tentativa totalmente falha de derrubar Sofia, pois nossas cadeiras estavam afastadas.

- Eu pensei que faria isso, Camila. Sempre tão emocional.

A parte que ele não pensou foi na fragilidade da cadeira que me ajudou a soltar os pés e levantar. Ele tentou colocar mais algumas balas na arma, mas eu a chutei para longe.

- Isso estava nos seus planos?

Corri na direção dele quando ele migrou para onde a arma estava caída e me joguei de cabeça contra ele.

Quando caímos, senti minha mão estalar e uma dor aguda me fez gritar e ao mesmo tempo facilitou que eu escorregasse minha mão para fora da cinta que a prendia.

- Vai se foder que me prendeu com um bagulho vagabundo desses. - Gritei e ele me acertou um soco no nariz que me fez tontear.

- Assim meu plano ficar mais realista. Luta corporal pesada.

Ele me empurrou e levantou me acertando chutes na barriga e nossa trilha sonora eram os gritos de Sofia.

Me questionei sobre tudo que passei e sobre como deixaria tudo acabar. Quando ele achou suficiente virou de costas e foi novamente em direção da arma.

NÃO ESQUEÇAM!

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