Capítulo 11 - A frieza desconhecida e a procura por verdade

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Lauren Jauregui  |  Point of View





Depois muito tempo no quarto, ignorando as batidas e chamados dos meus pais, achei que estava na hora de me conectar com algo verdadeiro.

Abri a porta e eles me seguiram, mas eu não queria descontar minha frustração neles.

— O que aconteceu, minha filha?

— A Karla é a Camila Cabello.

— Eu já ouvi esse nome... – Minha mãe falou e eu parei para encará-los.

— Eu não me lembro. – O pai disse e eu neguei.

— Conheci ela ontem, não vai fazer diferença que ela suma da minha vida.

— O que ela fez?

— Ela só estava presa desde os quatorze anos por ter tentado envenenar toda a família. – Eu falei em um suspiro só, eles se entreolharam e a perplexidade da situação era palpável. — Eu conheci ela ontem, só estou chocada com a situação, mas isso vai passar depois que eu me deitar no quintal para sentir o cheiro da relva. Eu vou ficar bem.

Eles ficaram ali, eu esperei uns segundos, achei que ia escutar algo reconfortante ou uma positiva, mas eles estavam paralisados.

Me afastei o máximo da casa e me deitei olhando as estrelas, o céu estava lindo e fiquei pensando em como algo tão bom e excitante virou algo completamente sem sentido.

Ouvi passos e olhei para o lado, Liana, Emilia e Henry caminhavam lentamente na minha direção.

— Meus pais não precisavam incomodar vocês.

— Somos seus amigos e é nosso dever estar aqui nos momentos ruins também. – Eles se deitaram e fecharam um círculo onde ficamos em silêncio por um tempo.

— Está... apaixonada por ela? – Emília foi a primeira a falar, eu a encarei por um tempo e depois voltei a olhar as estrelas.

— Apaixonada por quem não conheço? Só estou muito irritada por ser tão impulsiva, eu trouxe uma assassina aqui em casa, não faz nem um mês que a conheço.

— Ela não parece ser tão perigosa. – Henry disse. — Ela foi na festa, ela não parece ser um monstro, sei lá.

— Vai ser advogado dela? Talvez ela ainda precise de um.

— Calma, Lauren. Não adianta descontar no Henry ou nos seus pais, e se descontar em minha pessoa eu dou na sua cara.

— Desculpe. Eu só não consigo entender o que ela queria comigo.

— Ela tentou matar a família com veneno de rato? – Liana surgiu no assunto e ficou parada.

— Isso é sério?

— Sim. Está em qualquer site, é só pesquisar Camila Cabello e pronto. Como achou?

— Seus pais contaram um pouco da história, mas eu quis conferir agora. – Ela sentou sobre meu quadril. — Precisa mesmo esquecer ela, não sabemos como isso aconteceu e o quanto o tempo trancada mexeu com a cabeça dela.

— Acabou. Eu não quero mais saber dela ou de tudo isso, eu só estou irritada por ter sido enganada e por ter beijado alguém tão contra tudo que eu acredito. Vocês sabem como violência me afeta e a Camila é cruel.

— Ela não foi cruel com você, vocês pareciam muito bem juntas e você nos disse que ela era muito doce.

— Uma mentira dessas acaba com qualquer coisa, eu não a conheço.

Depois disso o assunto virou aquele motivacional e eu meio que me desliguei. Não estava conseguindo me concentrar
em nada.



Camila Cabello  |  Point of View




Estava no sofá, Robbie me deu folga e como o consultório de Alisha fica perto daqui, por isso ela vem de tempo em tempo para ver se eu não surtei.

Me sinto muito ingrata por não estar indo trabalhar, mas não consigo me concentrar em nada, eu não devia ter deixado correr tanto, mas estava tão bom. Me sentia uma pessoa normal.

— Que inferno! – A campainha tocou e eu me assustei. Um dos dois deve ter esquecido a chave. Verifiquei o olho mágico e Lauren estava parada ali. O que ela quer aqui?

— Eu sei que está aí. – Abri a porta e ela entrou.

— Como você me achou?

— Fui até seu emprego e pedi seu endereço para Christopher. Achei que o Robbie não me passaria. – Olhei para fora e os amigos dela estavam no carro, deixei a porta aberta, depois de saber sobre minha história eles devem estar com medo de que eu a mate ou algo assim. Ela deve estar com medo... eu sou um lixo mesmo.

Sentei no sofá e o máximo distante que consegui dela.

— O que você queria comigo? – Ela me perguntou e sei lá, nunca vi ela tão indiferente e distante. Nem parecíamos
estar no mesmo cômodo.

— Eu comecei a gostar de você e apesar dos vários alertas para te contar, pois você entenderia, eu quis manter aquele olhar.

— Que olhar?

— Você me olhava como uma pessoa normal, eu até esquecia o resto do mundo em alguns momentos e por mais que eu me sentisse muito culpada por não contar minha história, era tão bom estar com você e viver um pouco.

— Foi cruel esconder isso, Karla... Camila. Eu sei lá quem você é, mas foi muito baixo. Você fez mesmo isso? Como alguém tenta matar a própria família?

— Eu fiquei treze anos no inferno, só tive paz quando fui para a solitária, eu paguei e agora quero começar de novo. Não importa o que aconteceu.

— Seus pais enfartaram de desgosto e não importa o que aconteceu? – Ela sorriu, acho que estava nervosa. — Minha nossa, essa versão é nova pra mim.

— Não sei o que quer ouvir de mim.

— Nada, vir aqui foi um erro. – Ela pegou a bolsa dela e eu levantei, segurando ela pela cintura e a aproximando de mim. — Acho que eu tinha esperança que você me dissesse que não foi você.

— Eu já paguei por meu crime.

— Diga que não fez nada. – Ela me disse isso olhando bem nos olhos, ela estava quase chorando e aquilo me cortou o coração. É... eu tenho um.

— Olha, eu sei que minha história é horrível, mas eu não sou ruim. Se você me desse uma chance, eu estou tentando deixar a minha história para trás. – Toquei o rosto dela e Lauren fechou os olhos. — Eu nunca faria nenhum mal a você, eu gosto mesmo de você.

— Eu não posso, Camila. Eu tenho uma filosofia de vida, eu não posso deixar uma história como sua se cruzar com a minha, nunca me relacionaria com violência.

Ela saiu, fechando a porta e eu despenquei no sofá, fiquei olhando para a TV desligada e pensando no que minha vida virou e como todos tinham razão na cadeia, as coisas seriam péssimas aqui fora.

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