Camila Cabello | Point of View
Após a choradeira, o médico chegou e me avaliou, conversou mais um pouco sobre os machucados que eu fiz e como eles ficaram felizes pela pancada na cabeça não ter feito lesões. O engraçado é que eu nem lembro de ter batido a cabeça.
— Tem mais duas pessoas querendo vê-la. – Arqueei uma sobrancelha. — Vocês precisam sair para eles entrarem.
Eles me beijaram e disseram não saber quem eram. Fiquei na expectativa, Juan atravessou a porta primeiro e depois a Sofia. Meu Deus, o bagulho que fiscalizava meu coração começou a apitar tanto que tive que tirar ele do meu dedo.
— Sofi...
— Eu também estou aqui. – Juan falou me abraçando e eu retribui. — Como está se sentindo?
— Sofia, você veio me ver...
— Só apareci aqui para não ficar com remorso caso algo acontecesse. Como Juan falou, não preciso ser como você.
— Sofia...
— O que você fez não tem perdão.
— Como você ficou assim? – Juan perguntou e eu não conseguia tirar meus olhos de Sofia, tão segura, com raiva nos olhos, mas não contive o sorriso, pois ela está bem.
— Nem sei como, foi tudo muito rápido. Eu não me lembro.
— Que novidade. Você nunca lembra de nada.
— Sofia! Conversamos sobre pegar leve. – Juan a repreendeu, mas ela negou.
— Eu não consigo. Não tem como.
Ela saiu e eu tentei me levantar, mas estava toda presa na cama.
— Vou ir levar ela para casa, vou voltar, você precisa de algo?
— Não, Juan. Obrigado por ter convencido ela a vir aqui.
— Não me agradeça. Aos poucos ela vai aceitando os fatos, fique tranquila.
— Ele beijou minha testa e saiu dali, não demorou para Robbie e Alisha estarem ali.
— Como foi?
— Ela parece me odiar, mas está uma mulher feita. Fico feliz por ela ser forte e sei lá, pelo menos ela veio aqui.
— Sim, mas você não deve se desgastar. Descanse, pois queremos você em casa.
Assenti e me arrumei, Alisha arrumou meu travesseiro e beijou minha testa.
×××
Após uns dias, fui liberada do hospital, com gesso na perna até o pé, já estava na nossa casa, Robbie e Alisha foram trabalhar, fiquei jogando o vídeo game que ganhei, Robbie e Alisha me mimam como criança.
A campainha tocou, estranhei e me levantei, pegando minhas muletas. Desci as escadas devagar e finalmente cheguei a porta. Para minha total surpresa era Lauren.
— Oi?
— Como você está?
— Bem. E você?
— Fiquei preocupada, pois Robbie me ligou o dia que você sumiu, depois eu apareci aqui para te ver, mas vocês estavam no hospital. Eu sei disso agora, pois fui conversar com Robbie na empresa.
— Bom... eu estou bem. – Eu fui fechar a porta e ela colocou a mão contra a mesma.
— Não precisa agir assim.
— Assim como?
— Está irritada comigo?
— Não, mas não entendo sua visita.
— Quero conversar com você. – Abri a porta o suficiente para ela passar, depois que ela entrou, olhei para fora. — Não tem nenhum amigo seu de escolta?
— Deveria ter, já que não me contas de fato o que aconteceu.
— Se eu contasse não iria acreditar, depois de uma ideia feita não tem muito o que fazer, sabe?
Subi as escadas devagar e ela tentou me ajudar, mas eu não deixei. Finalmente cheguei ao meu quarto e me sentei na cama, voltando a jogar, ela analisou tudo, olhou para os lados e acabou sentando no outro lado da cama.
— Pode falar.
— Eu continuo gostando de você. Não sei o que você fez, mas sei o que sinto quando estou perto de você, sei que não estou errada em ter me afastado...
— Não está, isso era mais que esperado, no fim a culpa foi minha mesmo, achei tão legal a gente estar se curtindo que não queria estragar aquilo e acabei ferrando tudo.
— Eu queria tentar. – Parei de jogar para encarar ela. — Não acho que fez alguma coisa ruim, mas vou ficar muito bem se ouvir de você que não és o que os outros dizem que é.
— Eu nunca machucaria você. – Ela fechou os olhos.
— Não era o que eu queria ouvir, mas era o que eu esperava.
— Como foram esses dias?
— Fui para casa dos meus avós, fiquei meditando, sentindo as energias maravilhosas daquele lugar e pensei muito em você. Em nós e no que podemos ser.
— Desculpe ter entrado na sua vida.
— Não foi ruim. Você tem uma energia boa e eu vou confiar nos meus instintos. – Sorri, sem olhar para ela. Era bom ouvir aquilo, ela se aproximou, abraçou minha cintura, beijando meu rosto. — Se eu soubesse teria ficado no hospital com você.
— Não precisa se preocupar com isso, eu tenho dois amigos que parecem pais, me mimam tanto. E eu ganhei um vídeo game e um celular muito irado. – Falei sorrindo largo e ela me encarava de maneira estranha. — O que houve?
— Você tem uma certa inocência, Camila. É tão estranho ver uma mulher toda forte, cheia de tatuagens e ao mesmo tempo tão doce e inocente. Se você não for assim é uma ótima atriz.
— Quando eu estava presa, prometi que não me deixaria corromper por lá, foi difícil, mas me mantive fiel as coisas que eram importantes para mim.
Ela me puxou para um beijo, larguei o controle e arrastei minha perna na cama para ficar melhor posicionada, ela cravou as unhas em minha nuca e deixou a outra mão sobre minha coxa.
— Como eu senti falta desse beijo, dessa boca gostosa... – Ela disse apertando minhas bochechas e eu acabei sorrindo.
Ficamos nos beijando e trocando uns carinhos, depois ela jogou comigo.
— Oi. – Robbie disse e ele estava escorado na porta. — Pedi um tailandês para nós, vai jantar conosco, Lauren? Já pedi o seu também.
— Chegou faz tempo? – Perguntei a ele.
— Sim. Vocês estavam tão concentradas que não quis atrapalhar.
— Vou jantar sim, Robbie. Obrigado.
Ele sorriu e saiu, nós continuamos jogando até o jantar chegar.
NÃO ESQUEÇAM!
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Veneno
FanfictionFui presa aos 14 anos e aprendi a me virar como pude enquanto passava pelo inferno. Agora com 27 anos e com minha liberdade muito próxima, vou contar com a ajuda dos meus leais amigos para me reintegrar à sociedade. Querem saber meu crime? Se eu sou...
