Capítulo 22 - O ponto de equilíbrio de uma energia cansada

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Camila Cabello  |  Point of View




Na frente do prédio que meu irmão morava começou a me pesar a consciência por esconder essa visita de Robbie e Alisha, mas eu queria conversar com ele, mais que isso, eu precisava conversar com ele.

Quando falei meu nome o porteiro autorizou minha entrada, ele me esperava na porta e me abraçou quando me aproximei.

— Como está?

— Bem confusa.

— Por que falou aquelas coisas para Sofi?

— Ela esteve aqui?

— Sofia quase mora aqui. Pare de remexer nisso.

— Era a verdade.

— Ela tentou matar os pais, Camila. – Nós já estamos no interior do apartamento nessa altura. Ele foi até o bar que ficava no canto da sala e serviu dois copos com uísque. — Gelo?

— Sim. – Ele me entregou um copo e indicou a poltrona para que eu sentasse.

— Ela não quer falar sobre isso, eu não fiz, você jura que não fez, quem faria?

— Não sei, Juan. Sofia me parece muito segura sobre isso.

— Camila, você sempre foi a mais inteligente de nós.

— Pare com isso, preciso resolver isso.

— Você é inteligente o suficiente para entender que sua vida está maravilhosa. Alisha e Robbie estão te cercando de proteção e parece que você saiu da prisão? Não. No seu circulo não te julgam por conta deles. E se aquela moça que foi ver você aquele dia em que fui te visitar for sua ficante... céus! O que mais você quer da vida? Vai viver essa porra, droga.

— Eu amo minha irmã e tenho o direito de querer ficar perto dela, mas para isso preciso saber o que realmente aconteceu.

— Camila! Você me irrita com isso! Eu não sei o que aconteceu, nada vai mudar minha opinião sobre a culpa de Sofia. Estou pouco me ferrando para quem tentou, só estou seguindo minha vida e você não tem direito de ficar me perturbando sobre isso. Droga! Era meu pai! Preciso ficar lembrando o tempo todo o que aconteceu? Não te dói? – Após um silêncio massacrante ele respirou fundo e continuou. — Quer ser minha irmã e vir me visitar por algo legal, será bem recebida, mas se não for, não vamos mais conversar.

— Preciso mesmo da sua ajuda, Juan. – Ele ficou me encarando por um tempo.

— Eu já te contei tudo que eu sei.

— Tudo bem, não vou vir mais aqui por conta disso.

— Desiste disso, Camila. Não merece seu desgaste.

— Alguém tentou me matar, Juan. Eu não estou segura e só o culpado tentaria fazer isso e eu não acredito mesmo que Sofia tenha tentado isso.

— Você não se meteu em confusão na penitenciaria? Essas coisas acontecem quando nos envolvemos em brigas com
pessoas perigosas.

— Talvez. – Deixei o copo sobre a mesinha. — Preciso ir, os seguranças já devem ter anunciado meu sumiço e devem estar me procurando.

— Relaxa um pouco, Camila. Aproveita essa vida e as coisas vão se ajeitando com o tempo.

Ele me abraçou e depois fui para casa, onde meus amigos me esperavam na porta.

— Me desculpem.

— Eu não quero nem saber, Camila. Estamos como loucos atrás de você.

— Vou avisar os seguranças que você voltou.

— Como você se escondeu deles?

— Não foi muito difícil.

— Você precisa se cuidar, Camila.

— Eu estava com Juan. – Alisha me abraçou apertado e começou a chorar. Robbie estava no telefone e parecia furioso. — Eu estou bem.

— Sim, mas nós não podíamos adivinhar isso, Camila. Dá última vez te encontramos destruída, você precisa controlar sua impulsividade.

— Me desculpem. – Retribui o abraço de Alisha que não deu sinais de que iria cessar o abraço. — Só sinto muita falta da Sofia.

— Nós vamos ajudar você, mas precisa nos contar, é perigoso sair assim.

— Tudo bem, vou pensar melhor antes de fazer.

Depois de mais um sermão e fui para um banho, minha cabeça fervilha com inúmeras possibilidades. Eu estava cansada de pensar e não poder fazer nada. Me sinto vazia por ter assumido tudo para proteger Sofia e agora não sei quem eu protegi.

— Camila? – A voz calma de Alisha me fez encarar a porta do banheiro para vê-la parada ali. — Desculpe atrapalhar seu banho relaxante, mas tens que encontrar Lauren hoje.

— A Lauren é uma mulher muito boa, né?

— Sim. Você gosta dela?

— Sim, mas estou tão envolvida nisso tudo que não consigo me concentrar nas coisas boas.

— Já que notou, pode reverter isso.

— Eu nunca fiquei com ninguém. Não sei muito como agir.

— Está se saindo muito bem, ela gosta muito de você. – Ela se retirou e me deixando com um sorriso no rosto.

Alisha já tinha escolhido minha roupa e Robbie me deixou na frente da casa de Lauren, caminhei devagar entre o gramado até chegar a porta.

— Você está atrasada. – Ela disse após me dar um abraço.

— Hoje o dia foi tenso.

— Vou adorar saber dele, mas antes vamos entrar.

Entramos na casa e haviam várias velas espalhadas por ali. O jantar estava na mesinha de centro.

— Está lindo. Nossa... você é incrível, Lauren. Eu que devia estar fazendo essas coisas.

— Teremos tempo para você fazer algo, mas agora é comigo. Até você... – Ela se aproximou e abraçou meu pescoço. — Se estabilizar e resolver seus problemas, eu pretendo ficar assim paparicando você.

— Eu não vou reclamar.

— Quero ser um ponto de paz para você. Eu procuro muito isso no mundo para meu equilíbrio e vai ser muito satisfatório se eu for algo assim para você.

— Lauren, conversei hoje com Alisha e eu não tenho me dedicado a você como deveria, mas eu não entendo muito disso. Acha que eu imaginei isso algum dia da minha vida? Que eu fosse sair daquele inferno e ia encontrar alguém tão incrível assim? Eu não sei muito como agir e todo esse caos que estou me enfiando sem ter sentido nenhum está me deixando confusa.

— Ei... – Ela segurou meu rosto e me fez a encarar. — Essa luta tem sentido sim, é por sua paz e principalmente por justiça. Não se cale, você já omitiu sua voz por muito tempo, mas agora merece saber a verdade e não importa se vai demorar ou se alguém vai ter que assumir as consequências, na verdade as próprias consequências, você precisa lutar por você. Antes você era nova e pensava que não tinha ninguém por você, mas Robbie e Alisha estão aí para provar que tem uma família. E eu estou aqui... você me tem.

Sorri para ela, acariciei seu rosto e beijei sua testa. Eu estava com a garganta embargada e não queria estragar isso com meu choro. Ouvir aquilo me deixou mais tranquila. Estar com ela me deixava mais tranquila e ela me tinha também. Bem mais do que ela imagina.

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