Camila Cabello | Point of View
Na frente do prédio que meu irmão morava começou a me pesar a consciência por esconder essa visita de Robbie e Alisha, mas eu queria conversar com ele, mais que isso, eu precisava conversar com ele.
Quando falei meu nome o porteiro autorizou minha entrada, ele me esperava na porta e me abraçou quando me aproximei.
— Como está?
— Bem confusa.
— Por que falou aquelas coisas para Sofi?
— Ela esteve aqui?
— Sofia quase mora aqui. Pare de remexer nisso.
— Era a verdade.
— Ela tentou matar os pais, Camila. – Nós já estamos no interior do apartamento nessa altura. Ele foi até o bar que ficava no canto da sala e serviu dois copos com uísque. — Gelo?
— Sim. – Ele me entregou um copo e indicou a poltrona para que eu sentasse.
— Ela não quer falar sobre isso, eu não fiz, você jura que não fez, quem faria?
— Não sei, Juan. Sofia me parece muito segura sobre isso.
— Camila, você sempre foi a mais inteligente de nós.
— Pare com isso, preciso resolver isso.
— Você é inteligente o suficiente para entender que sua vida está maravilhosa. Alisha e Robbie estão te cercando de proteção e parece que você saiu da prisão? Não. No seu circulo não te julgam por conta deles. E se aquela moça que foi ver você aquele dia em que fui te visitar for sua ficante... céus! O que mais você quer da vida? Vai viver essa porra, droga.
— Eu amo minha irmã e tenho o direito de querer ficar perto dela, mas para isso preciso saber o que realmente aconteceu.
— Camila! Você me irrita com isso! Eu não sei o que aconteceu, nada vai mudar minha opinião sobre a culpa de Sofia. Estou pouco me ferrando para quem tentou, só estou seguindo minha vida e você não tem direito de ficar me perturbando sobre isso. Droga! Era meu pai! Preciso ficar lembrando o tempo todo o que aconteceu? Não te dói? – Após um silêncio massacrante ele respirou fundo e continuou. — Quer ser minha irmã e vir me visitar por algo legal, será bem recebida, mas se não for, não vamos mais conversar.
— Preciso mesmo da sua ajuda, Juan. – Ele ficou me encarando por um tempo.
— Eu já te contei tudo que eu sei.
— Tudo bem, não vou vir mais aqui por conta disso.
— Desiste disso, Camila. Não merece seu desgaste.
— Alguém tentou me matar, Juan. Eu não estou segura e só o culpado tentaria fazer isso e eu não acredito mesmo que Sofia tenha tentado isso.
— Você não se meteu em confusão na penitenciaria? Essas coisas acontecem quando nos envolvemos em brigas com
pessoas perigosas.
— Talvez. – Deixei o copo sobre a mesinha. — Preciso ir, os seguranças já devem ter anunciado meu sumiço e devem estar me procurando.
— Relaxa um pouco, Camila. Aproveita essa vida e as coisas vão se ajeitando com o tempo.
Ele me abraçou e depois fui para casa, onde meus amigos me esperavam na porta.
— Me desculpem.
— Eu não quero nem saber, Camila. Estamos como loucos atrás de você.
— Vou avisar os seguranças que você voltou.
— Como você se escondeu deles?
— Não foi muito difícil.
— Você precisa se cuidar, Camila.
— Eu estava com Juan. – Alisha me abraçou apertado e começou a chorar. Robbie estava no telefone e parecia furioso. — Eu estou bem.
— Sim, mas nós não podíamos adivinhar isso, Camila. Dá última vez te encontramos destruída, você precisa controlar sua impulsividade.
— Me desculpem. – Retribui o abraço de Alisha que não deu sinais de que iria cessar o abraço. — Só sinto muita falta da Sofia.
— Nós vamos ajudar você, mas precisa nos contar, é perigoso sair assim.
— Tudo bem, vou pensar melhor antes de fazer.
Depois de mais um sermão e fui para um banho, minha cabeça fervilha com inúmeras possibilidades. Eu estava cansada de pensar e não poder fazer nada. Me sinto vazia por ter assumido tudo para proteger Sofia e agora não sei quem eu protegi.
— Camila? – A voz calma de Alisha me fez encarar a porta do banheiro para vê-la parada ali. — Desculpe atrapalhar seu banho relaxante, mas tens que encontrar Lauren hoje.
— A Lauren é uma mulher muito boa, né?
— Sim. Você gosta dela?
— Sim, mas estou tão envolvida nisso tudo que não consigo me concentrar nas coisas boas.
— Já que notou, pode reverter isso.
— Eu nunca fiquei com ninguém. Não sei muito como agir.
— Está se saindo muito bem, ela gosta muito de você. – Ela se retirou e me deixando com um sorriso no rosto.
Alisha já tinha escolhido minha roupa e Robbie me deixou na frente da casa de Lauren, caminhei devagar entre o gramado até chegar a porta.
— Você está atrasada. – Ela disse após me dar um abraço.
— Hoje o dia foi tenso.
— Vou adorar saber dele, mas antes vamos entrar.
Entramos na casa e haviam várias velas espalhadas por ali. O jantar estava na mesinha de centro.
— Está lindo. Nossa... você é incrível, Lauren. Eu que devia estar fazendo essas coisas.
— Teremos tempo para você fazer algo, mas agora é comigo. Até você... – Ela se aproximou e abraçou meu pescoço. — Se estabilizar e resolver seus problemas, eu pretendo ficar assim paparicando você.
— Eu não vou reclamar.
— Quero ser um ponto de paz para você. Eu procuro muito isso no mundo para meu equilíbrio e vai ser muito satisfatório se eu for algo assim para você.
— Lauren, conversei hoje com Alisha e eu não tenho me dedicado a você como deveria, mas eu não entendo muito disso. Acha que eu imaginei isso algum dia da minha vida? Que eu fosse sair daquele inferno e ia encontrar alguém tão incrível assim? Eu não sei muito como agir e todo esse caos que estou me enfiando sem ter sentido nenhum está me deixando confusa.
— Ei... – Ela segurou meu rosto e me fez a encarar. — Essa luta tem sentido sim, é por sua paz e principalmente por justiça. Não se cale, você já omitiu sua voz por muito tempo, mas agora merece saber a verdade e não importa se vai demorar ou se alguém vai ter que assumir as consequências, na verdade as próprias consequências, você precisa lutar por você. Antes você era nova e pensava que não tinha ninguém por você, mas Robbie e Alisha estão aí para provar que tem uma família. E eu estou aqui... você me tem.
Sorri para ela, acariciei seu rosto e beijei sua testa. Eu estava com a garganta embargada e não queria estragar isso com meu choro. Ouvir aquilo me deixou mais tranquila. Estar com ela me deixava mais tranquila e ela me tinha também. Bem mais do que ela imagina.
NÃO ESQUEÇAM!
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Veneno
FanfictionFui presa aos 14 anos e aprendi a me virar como pude enquanto passava pelo inferno. Agora com 27 anos e com minha liberdade muito próxima, vou contar com a ajuda dos meus leais amigos para me reintegrar à sociedade. Querem saber meu crime? Se eu sou...
