Camila Cabello | Point of View
Robbie está jogado na minha cama enquanto eu me visto para corrermos, pois segundo ele, estou ficando com uma pancinha bem saliente.
— Sua bunda está maior, é como se só crescesse a bunda.
— Primeiro eu estou com pancinha, agora é a bunda… tem mais algum defeito meu que queria compartilhar comigo?
— Você é perfeita, Camila. Estou só comentando que sua bunda parece maior e isso não é um defeito. Só quero caminhar para termos mais um tempinho juntos e prevenir você de alguma coisa no futuro. Por pancinha olha aqui? estou totalmente fora de forma, é mais por mim.
— Você está ótimo.
— Não estou. – Ele levantou quando coloquei o celular no bolso do abrigo. — Estou igualzinho ao meu pai, até careca eu estou ficando.
— É muito trabalho, tem que dar diminuída no ritmo.
— Eu estou diminuindo, mas mesmo assim, a empresa dá muito trabalho. Como ficou a sua?
— Sofia assumiu, mas fez negócio com a empresa concorrente e vendeu por um bom dinheiro. Investiu no abrigo no dela e abriu outro abrigo para cães.
— Não quis sua parte?
— Não. Lauren queria que eu aceitasse, mas não acho que seja o correto. E nem Sofia quis de fato o dinheiro, o que sobrou ela doou entre orfanatos e asilos.
— Muito nobre da parte dela.
— Ela não está cem por cento ainda. – Nesta altura já estávamos no carro indo até o parque para correr. — Está frequentando um psicólogo.
— Sofia era muito no escuro, ela não é atenta ao redor dela e isso foi muito culpa do seu tio. Sempre protegeu ela de tudo, ela nem sonha como é o mundo aqui fora. Agora ela está aprendendo da pior forma possível.
— Ela não tem culpa, sei lá. É complicado falar, pois eu sou suspeita, mas olha o que o cara fez.
— Sim, não é bom nem lembrar. Você está lidando bem com tudo isso?
— Robbie, você mais que ninguém sabe que eu esperava só isso daquele homem, só que ele é safo né, isso me incomoda ainda, vai arrumar amizades por lá e vai ficar na boa.
— Não vai mesmo, eu vou mover o mundo, nem que eu tenha que subornar o secretário de segurança, mas ele vai pagar. Vai ser julgado, condenado e vai pagar por cada sofrimento que ele te fez passar. Não se mexe com os Amell.
— Vem cá me dar um abraço, seu chato. – Ele sorriu e paramos a caminhada para um abraço, eu amava demais aquele barbudo. — Eu amo você, fico tão grata por ter você na minha vida.
— Sempre vai poder contar comigo e eu falava sério quando disse que quem fez isso com você ia pagar caro.
— Não fique se estressando com isso, não quero que coloque a culpa da sua calvície em mim. – Ele gargalhou me empurrando após a frase.
— Essa responsabilidade é toda do meu pai, não se preocupe com isso. Agora vamos correr, Lauren comprou uma latina com abdômen definido das pedaladas do trabalho, não quero devoluções.
— Pegou pesado agora.
— Brincadeira.
— Eu estava pensando sobre abrir uma loja de bicicletas. Sei lá, não tem muitas por aqui e agora as pessoas estão mais preocupada com o meio ambiente, eu poderia chamar um cara... um que desenhasse uns modelos especiais também, fazer uma loja oficina e tudo mais.
— É uma ótima ideia, Camila. Seria uma coisa que você gosta e pode dar um retorno bom, pois isso do meio ambiente é fato, as pessoas estão mudando aos poucos. Eu posso pesquisar uns galpões para você.
— Lauren está fazendo isso, ela adorou a ideia e já achou alguns. Está cuidando de tudo, vai ser o primeiro trabalho dela depois da formatura.
— Ela vai projetar para você?
— Sim, já falei como eu quero e ela vai me apresentar depois da formatura.
— Vocês são muito fofas, é linda essa cumplicidade.
— Foi muito bom encontrar a Lauren, nunca me imaginei com ninguém e agora não me imagino sem ela.
— Do jeito que vocês conduzem a relação não vão se preocupar com isso.
Continuamos a caminhada que virou uma corrida após uns vinte minutos. Ele me contava que voltou a rotina de várias mulheres e salvar a Ali de encontros ruins.
Ele me deixou na frente de casa e não desceu, sentei na borda da piscina tirando meus tênis e levantando a barra do abrigo até meus joelhos, colocando meus pés na água e molhando um pouco meu pescoço.
Comecei a pensar nos dias em que estava presa, uma recordação triste que as vezes me atinge, mas não era algo que me fizesse chorar, era algo que estava presente ali e não ia embora, por mais que minha vida estivesse perfeita agora, era algo que volta e meia aparecia.
Senti meu tronco ser abraçado e sorri com a presença de Lauren ali no momento exato. A ouvi fungar e me virei rapidamente.
— O que houve, amor?
— Você está triste.
— Eu estou bem, não precisa ficar assim.
— Isso é tão injusto! Você é a pessoa com o coração mais puro que conheci e passou por coisas que não merecia por causa desse monstro! Eu nunca vou aceitar isso, Camila.
— Não precisa ficar assim, Lauren. Você não precisa se carregar com as minhas energias ruins, eu estou bem, estou lidando bem com isso. – A abracei. — Me desculpa por ter te arrastado para isso e por ter socado aquele homem na sua frente, me sinto culpada até hoje por isso.
— Foi a primeira vez que vi um ato de violência e não me sinto mal por ele. Abriria mão de todas as minhas convicções para defender você daquele homem. – Sorri e beijei a testa dela.
— Não. Você não precisa sujar as mãos por tão pouco, deixa que a justiça de encarregue de consertar os próprios erros.
— Sinceramente a justiça me faz rir. Existe coisa mais falha?
— As vezes ela acerta. – Dei os ombros. — E o bebê?
— A visita ao veterinário acabou em uma farra na lama com os irmãos dela, então como foi difícil de distinguir quem era
quem naquela anarquia, parece que ganhamos um banho grátis. – Eu olhei para ela que estava toda suja de lama. — Só vou tomar um banho, trocar essa roupa e buscar ela.
— Eu vou com você.
— Tudo bem, saímos em vinte minutos.
— Vou fazer um sanduíche.
— Como foi a caminhada?
— Demorou para eu pegar o ritmo.
— Continuei a história depois que ela se trocou e peguei o sanduíche para a viagem. Lauren não ficou bem depois disso, ela absorveu demais e me culpei por isso.
NÃO ESQUEÇAM!
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Veneno
FanfictionFui presa aos 14 anos e aprendi a me virar como pude enquanto passava pelo inferno. Agora com 27 anos e com minha liberdade muito próxima, vou contar com a ajuda dos meus leais amigos para me reintegrar à sociedade. Querem saber meu crime? Se eu sou...
