Capítulo 25 - Regra número um

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Camila Cabello  |  Point of View




Levantei, contrariei todas as expectativas, inclusive as minhas, e cambaleando procurei algo que pudesse me ajudar, mas nada me pareceu útil. O agarrei com o braço menos dolorido pelo pescoço e apertei ele contra meu corpo. Juan conseguiu me derrubar, mas não diminui o aperto ao torno de seu pescoço e ele batia no meu braço, tentava me atingir de alguma forma.

— Essa é a regra número um da cadeia, não vire as costas para seu inimigo. Melhor prestar atenção porque vai precisar aprender rápido antes de ir para lá.

O soltei quando parou de se movimentar e peguei a arma, as chaves em seu bolso e caminhei até Sofia, cortei as amarras dela e ela me abraçou forte, mas eu a empurrei.

— Ligue para a polícia, ele vai acordar logo. – Falei sem conseguir ver o seu rosto por conta da minha tontura.

Ela correu para o sofá e pegou um celular ali.

Com a maior dificuldade de me mover amarrei Juan na cadeira que antes estava Sofia e sentei na poltrona perto da porta.

— Você está bem?

Não consegui responder, ficamos em silêncio por um tempo e a polícia já estava arrombando a porta e o oficial assim que me viu caminhou na minha direção.

— Cabello! Sabia que nos veríamos de novo. – Ele já disse me puxando e eu fiquei meio aérea, sem entender muito bem. Soltaram o Juan e sentiram o pulso dele, chamando a ambulância na sequência.

— Ei! Ela não fez nada, quem fez foi ele.

—Ele me parece pior que ela. A senhorita deve estar confusa.

— Eu estava aqui o tempo todo. – Sofia tentava soltar a mão dele do meu braço, mas ele parecia determinado.

— Ela está ameaçando a senhorita? Não precisa ficar com medo, trancada ela não poderá te fazer mal.

— Minha irmã acabou de salvar minha vida e se continuar com isso vamos resolver judicialmente.

— Tem como provar que ela é inocente? O rapaz está inconsciente e amarrado em uma cadeira, a senhora não tem passagem, mas a veneninho aqui tem! – Ele fez um gesto estranho e dava para notar a ironia na voz dele. Veneninho? Essa é bem autêntica.

Porra! Provas... não tenho provas. Estou ferrada. Tiraram ele da cadeira e eu fechei meus olhos.

— Bom... eu tenho toda nossa conversa gravada aqui. – Olhei para ela. — Pensei que ia me falar mais quando chegamos e divagou sobre sermos melhores sem... – Ela olhou para ele. — Aquela frase sabe? Aí eu ia gravar. Que sorte a nossa. – Ela me puxou para perto e os enfermeiros chegaram para examinar Juan. — Ela precisa de atendimento também.

— As duas para delegacia para esclarecer isso direitinho.

Foi horrível passar por tudo aquilo de novo. Entrar naquele carro e sair com a sirene ligada, enquanto toda a quadra assistia.

×××

Sofia me tinha contra seu corpo, ela tentava responder todas as perguntas que nos faziam, mas ele estava focado em mim.

— Não estou me sentindo bem...

— Precisa ser mais clara, Camila.

— Lógico que não está bem, estamos presas aqui a horas e você também não faz nada para ajudar. – Ela disse irritada com o advogado dela.

— Sofia... eu acho que está muito frio aqui.

— Por favor, ela precisa de atendimento médico urgentemente.

O policial ao lado do monstro sentado à nossa frente falou algo no ouvido dele e ele assentiu, nos liberando depois disso.

Depois disso eu só me lembro de flashes e poucas coisas. Apaguei totalmente antes de sair de lá.

×××

O bipe irritante fez com que eu abrisse meus olhos, novamente na cama de hospital. Revirei meus olhos, nunca vou ter paz. Apertei o botão ao lado da cama e logo uma enfermeira chegou para examinar meus reflexos e chamar o médico, que me explicou sobre uma lesão hepática, sobre ter ficado na UTI por 48 horas e foi só o que eu ouvi, pois não prestei muita atenção. Realmente não me importava muito com isso, só queria ver meus amigos de novo.

— Preciso falar com meus amigos. Alisha e Robbie estão aí?

— Sim. Vamos fazer alguns exames e depois levaremos você para o quarto que Alisha separou. Logo verá eles, sua irmã e sua namorada também estão aí.

Ouvir a palavra irmã me lembrou de tudo que vou ter que passar depois que sair daqui. Neguei e o lerdo do doutor demorou muito. Tempo demais para minha paciência.

Finalmente fui para o quarto e Alisha estava me esperando. Me abraçou devagar.

— Você precisa mesmo parar de nos assustar.

— Foi ele.

— Eu sei. Nós sabemos e Robbie já deu o jeitinho dele de toda a cidade saber. Sofia resolveu tudo e teremos um pouco de paz agora. Espero que não fuja mais de nós.

— Me desculpa mesmo, Ali, mas era minha história e eu precisa remendar as coisas. Saiu do controle, mas acabou bem.

— Ei. – Robbie disse me enchendo de beijos.

— Pare com isso...

— Alisha disse para eu não abraçar você e estou demonstrando que estou feliz por te ver.

— Eu sei que está, pode parar. – Ele beijou minha testa e abraçou os ombros de Alisha enquanto me olhava.

— Estamos tão felizes por você, Mila. Finalmente todos vão ter que pagar a língua e engolir a sua inocência. Principalmente a justiça que foi totalmente falha com você. Eles vão ter que te pagar cada centavo e mesmo que isso não traga seus anos de volta, dói muito neles quando sai do bolso deles. Dói demais para eles.

— Nada vai ser suficiente. Nunca vou remover tudo que vivi naquele inferno da cabeça.

— Mas estamos aqui para te fazer sentir melhor agora. – Alisha disse e beijou minha testa. — Nós vamos sair para Sofia e Lauren verem você.

— Tudo bem.

Eles saíram e logo elas entraram, também devem ter sido orientadas a não me abraçarem, as duas me beijaram e.Lauren começou a chorar compulsivamente quando o fez.

— Me perdoa, Camila. Eu sinto muito por isso.

— O que houve?

— Só me perdoa.

Ela disse e eu arqueei uma sobrancelha, Sofia começou a falar sobre mais coisas sobre o caso do Juan, mas eu mantinha meus olhos em Lauren que não parava de chorar apertando minha mão.

* * *

O que será que a Lauren fez?


* * *

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