Capítulo 06 - Aproveitar o tempo perdido sem a devida orientação

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Camila Cabello  |  Point of View




A noite cheguei depois de Robbie em casa, foram vários passeios durante o dia. Após o banho me juntei a eles na sala.

— Como foi?

— Muito bom. Ninguém me julga quando vê meu crachá.

— Ótimo. E se alguém o fizer, fale comigo.

— Você conhece Lauren Jauregui?

— Claro. A filha do Mike, ela vai virar arquiteta como ele, seguir com o negócio da família. Ela acompanha ele em algumas reuniões.

— Você a conhece? – Alisha disse cutucando minha barriga.

— Para. Eu só conversei com ela no elevador hoje. Ela é linda...

— E solteira. Ela é uma dessas... não sei, mas ela tem essas coisas de abraçar árvores, ir a protestos e dar bom dia ao sol. – Alisha falou.

— Como sabe de tudo isso?

— Eles são influentes, todos os conhecem um pouco.

— Eu não disse meu nome para ela. Bom... eu disse o Karla. Só que acho que não nos veremos mais e sei lá, foi só uma coisa aleatória que serviu para um diálogo novo.

— Nunca se sabe, vou pesquisar mais sobre ela. – Alisha falou. — Se ela te despertou interesse é ótimo.

— Tem uma coisa que estávamos conversando, Mila. A gente sabe que sua primeira experiência foi ruim, todas foram, se quiser uma acompanhante para te explicar como as coisas funcionam e te orientar a se satisfazer de verdade, nós conhecemos uma moça ótima que faz esse trabalho.

— Eu não sei. Eu pensei que seria com uma pessoa especial e agora não faz mais sentido para mim. Mas eu quero fazer com alguém que me desperte algo, não outra estranha.

— Claro. Foi uma ideia nossa, mas só para te orientar, nem precisaria ter nada.

— Vou pensar.

— Olha... a turma dela vai dar uma festa no sábado. – Ela mostrou o celular. — Em uma casa de praia. Podemos ir com você até lá, eu conheço uma colega dela, vou sair com ela para ela me convidar.

— Ela pegou uma das colegas dela.

— Eu só beijei a moça, não me coloque no altar por isso.

— Até se eu fosse te colocar no altar cada vez que beijou alguém ia faltar véu nesse mundo.

— Há há... o assunto não sou eu, querido.

— Desculpe, Mila. Vamos nessa tal festa.

— Eu não sei. Ela pode pensar que estou perseguindo ela.

— Não, só fingir surpresa.

— Fingir? Eu fiquei tão desesperada que falei logo ser amiga dos Amell para parecer confiável.

— Você é confiável.

— Eu acabei de sair, as coisas precisam de calma.

— É uma festa, Mila. Você já perdeu muito tempo, vai ser bom, a gente dança e se não rolar nada com a moça, voltamos para casa após uma festa legal. Não precisa fazer nada que não queira, mas não é certo se privar disto.

— Tudo bem, mas você fica com mulheres?

— Ela fica até com plantas quando está bêbada. – Eu gargalhei e Alisha atirou uma almofada no Ro.




Lauren Jauregui  |  Point of View




Após a discussão com meu pai, eu iria a tal festa, mas com o atrito, mesmo que a situação me angustiasse muito.

— Podemos deixar você e pegar na festa? – Minha mãe perguntou e meu pai me encarou.

— Tudo bem, mas não podem esperar na frente.

— Certo. Não queremos que fique um clima chato, nós só te amamos muito e queremos proteger você.

— Eu sei, mas eu já sou uma mulher e só estou morando com vocês por termos uma boa convivência, mas se continuarem com isso não vou ter outra escolha.

— Nós vamos tentar melhorar isso, filha. Não precisa sair daqui.

— Vamos. Nós prometemos a você e nem vamos te levar a tal festa. Pode ir com seu carro.

— E devo confessar que fiquei orgulhoso hoje quando saiu da minha sala. Criei uma leoa.

— Não comece com isso de leoa, Papa. Eu fui bem direta. – Me escorei na cadeira.

Lembrei da latina com olhos negros e tatuagens espalhadas por seus braços, algumas subiam por seu pescoço e ela era uma bela mulher, cabelos longos e ondulados. Eu dei tanto na cara que estava de boca aberta por ela, ela deve me achar uma desesperada.

Após o longo devaneio, fui até meu quarto e deitei, mas mesmo assim fiquei pensando naquela mulher, sei lá, ela tem uma aura diferente, algo extremamente atrativo.

— Karla... ela podia ter dito o segundo nome.

Adormeci pensando naquele pequeno dialogo.

O meu despertador soou e fiz minha higiene rapidamente, sentei-me no gramado do quintal e fiquei meditando, sobre como queria meu dia energizado.

Me deitei na grama e fiquei sentindo o cheiro bom de terra molhada. Aquilo não tinha dinheiro no mundo que pagasse. Me sentia mais próxima a força maior quando fazia isso.


×××


Quando o sábado chegou, a minha empolgação para ir à festa estava nula.

— Laur... que cara é essa? Credo.

— Só estou com preguiça de ir.

— Seus pais fizeram sua cabeça?

— Não. Eles nem tocaram no assunto, só não estou no clima, sei lá.

— Já avisei o povo todo que íamos, será a primeira festa que todo mundo vai.

— Vai só a turma?

— Não. Sempre tem mais galera, mas toda turma confirmou.

Terminei de me vestir e logo estava no carro, conferi se estava com a bateria carregada e partimos para a casa.

Quando chegamos não tinha muito de diferente, só vim pela briga que arrumei, os caras estavam bebendo e isso dava a eles a munição de xavecar qualquer mulher que cruzasse o caminho deles. Alguns homens são frustrantes.

— Ei, Laur... – Ele me entregou um copo. — Consegui uma soda para você e é de maçã verde.

— Muito obrigada, Henry. Você é um anjo.

— Vamos sentar na varanda ou quer dançar?

— Preciso de hidratar um pouco, depois dançamos.

— Essa casa é incrível, olha essas árvores todas, afastadas de toda poluição da cidade, é um sonho. Quero uma dessas quando tiver a minha.

— Imagino como seu marido ou esposa não vão sofrer. Ter que acordar cedo e comer pasto o dia todo.

— Eu não vou impor minhas escolhas a ninguém, Li. Como se diz escolhas... minhas escolhas. Eu não imponho isso a vocês.

— Mas acho que a pessoa vai querer fazer, não? Sei lá. É estranho.

— Todos somos estranhos, Emilia.

— Um brinde a estranheza humana.

Nós realmente brindamos e depois fomos até as arvores.

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