Capítulo 12 - Amizade representada em amor

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Lauren Jauregui  |  Point of View




Condenar Camila está levando toda minha conduta pacífica a ruína, só consigo julgá-la e me sinto péssima por isso.

Meu celular vibrou e um número desconhecido me fez relutar, mas acabei atendendo.

— Lauren?

— Quem fala?

— Aqui é o Robbie, sei que está perdida e nós queremos conversar com você. Alisha e eu precisamos que você nos dê só um tempinho, estamos almoçando no La Mar. Se puder vir aqui.

— Eu não sei, quero esquecer isso.

— Nós também, mas gostamos muito da Camila e é só uma conversa livre de obrigações. Ela nem sabe que estamos aqui.

— Tudo bem, estou perto.

Encerrei a chamada e fiz o retorno com o carro, fico pensando no tipo de coisas que eles vão falar e não posso dormir com essas dúvidas, melhor ir vê-los.

Cheguei ao lugar e falei o nome de Robbie, sendo acompanhada até a mesa que ele estava com Alisha.

— Olá.

— Oi, Lauren. Meu nome é Alisha Boe.

— Lauren Jauregui.

— Queria estar te conhecendo em uma situação melhor.

— Eu também. – Apertei a mão de Robbie e sentei de frente para eles.

— Obrigado mesmo por ter vindo.

— Eu não sei se isso vai melhorar alguma coisa.

— Nem nós pensamos direito no que fazer, mas nós amamos muito a Camila e você a conheceu, ela é um doce.

— Ela tentou matar os pais. Vocês sabem disso, não?

— Nós dois fizemos um pacto desde os quatorze anos. – Alisha apertou o braço de Robbie, como se em apoio as frases. — Nós nunca perguntamos se ela era culpada ou não, nós conhecemos a Camila, sabemos o quão doce ela é.

— Nós nunca a questionamos sobre isso, só confiamos nela e não saímos do lado dela nenhum dia sequer. Nossos pais nos levavam a todas as visitas quando éramos menores e nunca deixamos ela se sentir sozinha.

— Ela passou o inferno lá na cadeia.

— No reformatório ela foi abusada todos os dias pelas agentes, pois ela tem um pênis e as velhas faziam o que queriam com ela e ela tinha medo de denunciar, ela sabia que ninguém ia acreditar nela, pois ela sempre seria a louca que tentou matar os pais.

— Mas ela não é louca, Lauren. Tanto que o pai dela queria internar ela em um manicômio e vieram psicólogos de todas as partes do mundo para tentar esse diagnóstico para ela e nenhum chegou a essa conclusão.

— Os Cabello’s nunca fizeram muita questão da Camila, Alejandro sempre foi louco por Juan e depois que Sofia chegou não sobrou nada para Camila.

— Ela vivia nas nossas casas, a gente sempre dormia juntos, ou na casa de um ou de outro, mas quando era na Camila, era um desastre, Alejandro era muito rígido, Sinu pouco falava com Camila, ela sempre se questionou o porquê de nossos pais serem tão legais e os dela serem tão estranhos.

— Mas era uma fachada para Camila, sabe? Se chegávamos lá sem avisar eles estavam brincando e aproveitando, era só verem Camila que tudo mudava.

— Quando aconteceu tudo isso, Alejandro era amigo de meia cidade, ainda bem que nossos pais são influentes ou a pena dela seria muito maior.

— E fora a guerra que foi para mandar Camila a uma penitenciaria feminina quando completasse dezoito anos, pois
Alejandro queria ela com homens.

— Só vencemos essa porque o juiz que era amigo dele não podia pegar o segundo caso seguido sobre a mesma. Foi uma grande vitória, mas se você pensar, treze anos por uma tentativa é muita coisa.

— O que pesou foram os depoimentos dos irmãos, eles ouviram ela falando sobre querer ver os pais mortos.

— Isso detonou nossa defesa.

— E quase matou Camila, pois ver os pais e o irmão falando mal dela nem a atingiu, mas ver Sofia falando que ela era ruim a deixou no chão.

— Sofia era tudo que ela tinha naquela casa, elas eram grudadas e até hoje esse é o ponto fraco dela.

— Ela esperava uma visita da irmã e esperou mesmo até o dia que ela saiu da cadeia.

— Lauren... – Alisha segurou minhas mãos. — Camila não é de se abrir, ela está no psicólogo e está recomeçando a vida dela, nós dois nunca soubemos o que realmente aconteceu naquela noite do veneno, mas conhecemos ela o suficiente para saber que não tem maldade nem naquelas tatuagens dela.

— Ela é um anjo e ouviu do pai quando foi sentenciada, no abraço deles, pois Alejandro quis sair na mídia como se tivesse a perdoado, mas ele sussurrou “A renegada sempre encontra seu verdadeiro lar”. Isso está no peito dela. – Eu não sabia o que falar ou como agir, aquela história me deixou completamente abalada.

— Mais uma água, por favor. – Alisha gritou e após um tempo consegui me recuperar.

— Eu tenho uma filosofia de vida sobre a não violência, não posso conviver com alguém sem saber se ela é um anjo ou um monstro.

— Sabemos que é algo pesado e sem sentido para você, mas sabemos que ela é um anjo. Ela não faria mal a ninguém e ela gosta mesmo de você, sei que faz pouco tempo, mas ela estava muito feliz com você.

— E consequentemente isso nos deixa extremamente felizes, mas sabemos que é algo muito intenso e complicado para você.

— Pensei que me diriam que ela é culpada e os motivos dela.

— Ela nunca tocou no assunto conosco e acho que se perguntássemos, a magoaria demais.

— E ela cumpriu a pena, já foi julgada e condenada, está de volta e devia só seguir a vida.

— Amanhã ou depois ela vai voltar à rotina e seguir o baile, mas você tem essa vibe que a deixa tão bem...

— Nós explanamos nossos pontos de vista a você, falamos coisas e agora é com você, vamos respeitar sua decisão e nunca a julgaremos por isso.

— Sim. Vai ficar tudo bem, mas achamos mais justo você saber as partes que os Cabello’s não deixaram a mídia noticiar. Não que fosse certo tentar matar, mas eles não eram grandes fãs dela.

— Foi bom conversar com vocês, prometo pensar muito sobre isso tudo.

— Vamos almoçar? A comida aqui é excelente.

— Claro. – Falei e ele pediu os cardápios.

— Caso você a procure, nunca fale sobre essa conversa, ela não gostaria mesmo disso.

— Sem problemas, isso ficará entre nós.

Eles sorriram e ligaram para Camila de minuto em minuto. Era muito lindo ver o quanto eles lutam por ela e a amizade deles é verdadeira.

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