Capítulo 42 - Família complicada

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Camila Cabello  |  Point of View




Estávamos na sala, Lauren ficou com vontade de beber vinho, acompanhei ela mesmo não gostando muito. Ali abraçadas e observando Cacau dormindo tranquila na cama que demos a ela. Tinha um ursinho ao seu lado para que ela não sentisse falta dos irmãos, mas ela parecia bem, nem chorou ou estranhou a casa, apenas brincou muito com a bolinha que Lauren deu a ela. A tarde passou muito rápido com ela nos distraindo.

— Isso é maravilhoso.

— É um ótimo vinho.

— Não! Você e eu, sentadas aqui, fazendo carinho e curtindo esse friozinho gostoso sendo contido pelo calor do vinho e da lareira. – Ela disse se recostando mais contra mim.

— Verdade. Se alguém me falasse que isso aconteceria comigo algum dia eu rolava de rir.

— Estou tornando sua experiência boa?

— Magnífica. Sabe o quanto sua companhia me faz bem? Eu sou tão apaixonada por você, Lauren.

— Eu também, Camz, sou louca por você.

— Nos beijamos, ficamos ali nos carinhos, mas o vinho me deu uma soneira que não pude aguentar e quase não cheguei ao quarto.


×××


Após uns dias já estava mais que ambientada com tudo, Lauren e eu estamos mais que íntimas e ela está me levando para vários lugares, me apresentando ao mundo de fato como eu preciso.

— Disse que não ia me abandonar, mas não vejo você desde que saiu da minha casa. – Fui até a empresa de Robbie e estávamos sentados no sofá da sala dele. Cacau estava comigo, no colo dele sendo acarinhada pelo mesmo.

— Me desculpe mesmo, mas a mudança e toda essa fase de adaptação foi demorada, no começo Lauren e eu não levamos muito a sério, só depois de uns dias começamos a nos organizar de fato. Aí adotamos esse bebê peludo e não fizemos mais nada, levamos ela para passear, compramos essas roupinhas fofas.

— Eu até entendo, mas não vou aceitar isso novamente.

— Eu prometo que agora as coisas vão mudar.

— Alisha e eu procuramos mais pistas do seu pai, mas infelizmente ele é ótimo em sumir com provas.

— Agradeço do mesmo modo pela ajuda, pensei muito sobre isso nos últimos dias, preciso me livrar dessa amarra.

— Todos nós estamos empenhados em ajudar você. Seu tio te procurou?

— Ele me liga todos os dias, me pressiona sobre uma posição e para não estragar nossos avanços eu não digo não a ele.

— Faz bem, ainda o temos como meio aliado.

— Quando eu falar que não ele vai entregar para o chefe e isso vai acabar com toda a vantagem que temos.

— Vantagem mínima e precisamos de mais antes de meter a polícia no meio.

— Eu sei disso, vou ter que ir na empresa. Aquele lugar me dá arrepios.

Ficamos conversando muito, até que Cacau fez xixi no sofá dele, mas ela é tão fofa que ele nem ficou irritado.

Depois disso marquei de ver Alisha na praça e outra que se apaixonou ela minha filha, ficamos caminhando por ali até encontrar um banco.

— Hoje vocês dois vão jantar lá em casa? Eu vou fazer lasanha.

— Claro que vamos, sabiamos que precisavam de privacidade nos primeiros dias, mas agora vai tudo voltar ao normal… ou quase normal.

— Falei com o Ro que marcarei um horário com meu tio e quem sabe ele não me dá mais uma dica.

— Talvez, mas não sei até quando ele pode ser confiável, ele pode ser igual ao seu pai e estar inventando isso só para te manipular. Todos sabem qual é seu ponto fraco, amor. Ele está aqui. – Ela colocou a mão contra meu peito.

— Se for isso ele é mais doentio que o próprio Alejandro.

— Família complicada mesmo, a nossa é muito melhor.

— Os Boe?

— Os Boe Amell Cabello Jauregui.

— Também acho. Muito melhor. – Falei abraçando ela.

— A única paciente da tarde ela desistiu e ela foi para nossa casa cedo, acabou me ajudando a preparar o jantar.


×××


Marquei com meu tio pela manhã, acordei cedo e me arrumei. Ele marcou muito cedo, foi difícil convencer Lauren a eu ir sozinha, pois ela estava com aquelas sensações e o máximo que eu consegui foi que ela ficasse no carro.

Minha identidade curiosamente me dava acesso a todas as salas, era tão cedo que não tinha ninguém na recepção, tive que usar ela para tudo. Entrei na sala do meu tio após bater na porta, ele estava com a cadeira virada para a janela.

— Desculpe ir entrando, mas não tinha ninguém e estranhamente minha identidade me deu passe livre por aqui.

— A empresa é sua, filha. – Um calafrio percorreu por minha espinha e os pelos da minha nuca arrepiaram tanto que a região coçou. O tom da voz grave não era do meu tio e infelizmente eu sabia muito bem de quem era.

Meu celular tocou e eu o atendi, a voz de Lauren pareceu distante e conforme eu voltei a atenção para realidade consegui ouvi-la direito.

— Camz… você está bem? Estou sentindo que algo está errado.

— Eu estou bem, Lauren. Logo eu vou embora, me espere aí.

— Se cuida, Camz. Se demorar eu vou entrar e eu chamei Robbie e Alisha, eles vão vir te esperar aqui também.

— Obrigada, Lauren.

Encerrei a chamada e fiquei esperando a cadeira virar, ou alguém falar alguma coisa, mas o silêncio era enlouquecedor. Me vi em vários flashs, voltei ao dia da minha prisão e de como Alejandro ficou satisfeito quando me viu algemada.

Quando a cadeira virou, mantive minha postura de alguém não chocada, mas por dentro eu estava em cacos. Ver Alejandro na minha frente não estava nos meus planos para hoje, eu nem sabia como agir, muito menos o que dizer.

— Achei que teria uma reação diferente ao me ver.

Ele parecia mais novo, cabelos negros e pele bronzeada, deve ter aproveitado bem as férias enquanto nossas vidas quase ruíram. O sorriso dele era o mesmo, sorriso debochado, como se fosse o rei incontestável.

Eu nem sei como eu fui parar perto do terrário, mas uma droga de cobra se jogou contra o vidro, me assustando.

— Sabia que a deusa Sofia no cristianismo místico e em várias outras filosofias era a imagem da sabedoria representada por uma serpente? Na mitologia ela também representa sabedoria. Por isso escolhi esse nome para minha filha. E o mais interessante… elas são o símbolo da regeneração e da imortalidade. Eu gosto da palavra imortalidade… você não?

Ele sorriu, cruzando os dedos e escorando os cotovelos na mesa.

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