Capítulo 58 - Depressão

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Camila Cabello  |  Point of View




Nós estávamos assistindo o ultrassom do nosso filho, Lauren apertava tão forte minha mão que deixava claro o quanto estava nervosa.

— Ele é tão lindo. – Falei e ela assentiu.

— Está tudo bem com ele, Meghan?

— Sim, ele está se formando muito bem e de acordo com seus exames, sua saúde está normalizada, pois quando começamos as consultas você estava com aquelas alterações por não se alimentar direito, mas agora está tudo certo.

— Quando ele vai chutar, Meghan? – Eu perguntei e Lauren me encarou.

— Essa é a semana que ele começa a se movimentar, claro que não é regra, mas a qualquer momento pode acontecer. É bom conversar com ele.

— Já estamos conversando faz tempo.

— Camz conta o dia todo dela para ele.

— Isso é maravilhoso. Vocês tem mais alguma dúvida?

— Não.

— Vão seguir chamando ele assim no masculino? Não quero decepções.

— Essa mulher aqui é fodástica, se ela diz que é garoto não tem erro. – Beijei a testa de Lauren e ela acariciou meu rosto. — Só queremos as imagens eu quero mostrar para todo mundo meu garotinho. – Falei e Meghan assentiu.

Lauren conversou mais com a médica e depois fomos a casa dos pais dela. A deixei ali e fui buscar Cacau na nossa casa.

Fiz uma rota diferente para pegar umas flores para Lauren, mas olhei para uma placa e tinha alguém na beira da ponte. Fiz o retorno e subi até onde a pessoa estava, desci do carro e me aproximei.

— Sai daqui.

— Ei, calma aí, irmão.

— Só sai daqui. – Caminhei para o lado e fiquei bem surpresa quando vi o ex da
Lauren ali.

— Chad? – Ele olhou para trás.

— Aaa Droga! Só pode ser um sinal. – Ele se inclinou e eu o segurei.

— O que está acontecendo, cara?

— Você ainda pergunta? Eu não tenho nada, estou cansado disso tudo e preciso acabar logo com isso. Mas eu sou um fraco covarde que não consegue fazer isso com armas e facas, assim é mais fácil.

— Não é mais fácil, cara. E sua família? Seus amigos?

— Você não entende.

— É por causa da Lauren?

— Tem muito mais coisas, minha vida é muito complicada. – Ele segurou minhas mãos que agarravam a camisa dele com força.

— De vida complicada eu entendo, mas não é assim que vai resolver.

— Não tem saída para meus problemas e eu lutei tanto e não foi suficiente. – Ele começou a chorar e eu não podia ficar nervosa em uma situação como essa, mesmo que eu estivesse me tremendo inteira.

— Eu quero ouvir você, Chad. Vamos dar uma volta de carro e conversar sobre a sua vida. Eu sei que está exausto… – Ele assentiu. — Vem comigo. – Eu o puxei e depois de uns segundos, ele passou para o outro lado da aba lateral de concreto e me abraçou de frente.

Foi um alívio na verdade, coloquei ele no carro e mandei mensagem para Lauren, avisando que iria me atrasar.

— Pode começar quando quiser, Chad. Estou aqui para ouvir você.

— Isso é insano.

— Levando em conta que eu nunca faço esse percurso, é sim.

Ele não falou mais nada, então fui até o abrigo e entramos lá.

— Onde estamos?

— Acho que vai gostar daqui. – Eu assobiei e aquela quantia enorme de cachorros correram na nossa direção para nos receber.

— Meu Deus. – Ele falou e começou acariciar eles.

— Vamos sentar ali no jardim. – Caminhamos até o banco e eu fui pegar uma água para ele. Entreguei a garrafa.

— Muito obrigado.

— Quer conversar um pouco, cara?

— Eu me sinto um inútil, nada que eu faço dá certo, eu me agarrei a esperança de ter uma família e ninguém mais me veio a cabeça, só ela e dei o máximo naquela surpresa para nada. Não fui um bom oficial, não fui um bom filho… – Me sentei ao lado dele e apertei seu ombro. Ele começou a chorar.

— Eu entendo como é angustiante.

Ele continuou falando e eu assenti concordando com tudo que ele falava, ele estava perdido e eu sabia as frases que eu não podia falar.

— Eu estou com você, Chad.

— Eu estou te arrastando para isso.

— Está tudo bem. Você precisa de ajuda. Seus pais estão morando aqui?

— Sim.

— Depois que conversarmos mais um pouco e você estiver preparado, vou adorar conhecer eles.

Ele concordou e voltamos a ala dos doguinhos, ele me contou mais coisas sobre a vida dele enquanto acariciava eles.

— Todos eles estão para adoção, quando se sentir melhor, aposto que vai ser muito bom achar um amigo para você. Eles são companheiros maravilhosos e dão tanto amor.

— Você tem um?

— Sim. Trato como filha mesmo. – Ele sorriu.

Depois disso ele me deu o endereço dos pais e foi direto para o quarto, ele me falou no desabafo que eles eram pais muito atenciosos, mas não entendiam ele. Eu expliquei toda a situação e eles ficaram muito preocupados, me perguntaram o que deveriam fazer e eu também não entendia muito disso.

— O primeiro passo é encontrar um bom psicólogo e fazer ele vir aqui é melhor. Não digam não para o Chad agora, não falem para ele colocar Deus no coração e nem diminuam o que ele está sentindo. Isso só piora a situação. Ele só precisa de muito carinho e ser ouvido, perguntem a ele como ajudá-lo. Eu li uma vez sobre isso, mas não tenho total prioridade de falar sobre. O psicólogo vai ajudar muito mais.

— Não tem ideia do quanto fez por nós esta noite. Ele está tão diferente faz tempo e nós não sabíamos que era algo tão grave assim.

— Devíamos ter notado.

— Não é culpa de ninguém, só se concentrar daqui para frente e vamos torcer para ele ficar bem.

Deixei meu telefone com eles para que me mantivessem informada sobre ele. Eles me agradeceram muito, na verdade, eles não sabiam como agradecer tamanho o choque com a situação.

— Qualquer coisa que precisar pode contar conosco.

Sorri e os abracei.

Voltei muito tarde para casa e encontrei minha mulher muito zangada no sofá da sala. Eu senti o quanto ela estava irritada de longe e olha que eu não sou a sensitiva da relação.

NÃO ESQUEÇAM!

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