[29] Juntos e Seguros.

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🌷: lee mi-suk

20 dias depois...
( 25/04/1452 )

Mais um dia de trabalho. Mais um dia chato e entediante. Eu realmente já cansei dessa rotina tediosa. Só gostaria de poder voltar até a aldeia, principalmente agora que o casamento do amor da minha vida se aproxima.

Essa dor que nos corroe é mais dolorosa que uma lâmina afiada.

Parece que todos os dias estão exatamente iguais. Sem nada de interessante acontecendo por dentro dessas paredes de mármore e ouro.

Mas, pelo incrível que pareça, aquela correria voltou. Todos os meus colegas empregados estão a mil por hora. Aparentam estarem ligados nos duzentos e vinte, já que não param por um minuto. Correm e arrumam o palácio completamente, como se aguardassem pela visita de alguém importante.

Lembro-me do dia em que ouvi algumas criadas conversando enquanto varriam o chão empoeirado: "Você sabia? Acho que os monarcas MacGyver voltarão a Dozza.", uma delas comentou. "Eu imaginava. Vossa Majestade está prestes a marcar a data do casamento." Meu coração quase parou quando eu, acidentalmente, ouvi tais palavras.

Há alguns meses atrás, os governantes ocidentais tinham por voltado ao seu reino, deixando Linyah conosco – mas bem que poderiam ter levado ela embora daqui. Eles disseram que voltariam para o casamento, e eu não fiquei tão animada com essa notícia.

O sol já estava perto de se pôr quando eu terminava a entrada do jantar real. Meu avental sujo, com respingos de molho e pimenta, balançava de acordo com a brisa calma que me abraçava. Eu cantava uma de minhas músicas baixinho, com medo de que alguém me ouvisse e me desse bronca. Não aguento mais ouvir a voz estridente de Bora berrando no meu ouvido.

Provei um pouco da sopa assim que disse a última frase daquele verso. Fiz uma careta imediatamente. Insosso, assim como a minha vida ultimamente.

A diferença, é que eu posso arrumar a comida. Deixá-la mais doce, mais salgada, até mais apimentada. Mas, não posso fazer isso com meu destino. Está selado: viver sozinha, sem ele comigo, pois a minha aliança descansará em outro dedo. Viver triste. E será assim pelo resto dos meus dias, até que a morte venha.

Depois de modificar alguns ingredientes, provar a sopa outra vez e perceber que já estava boa o suficiente, fechei a tampa, liberando um suspiro cansado em seguida. Fui a pia e lavei as mãos, e com elas ainda molhadas, passei-as pelos cabelos bagunçados, afim de – tentar – arrumá-los. Suspirei novamente.

Então, me virei para a porta, indo na direção da mesma. Porém, eu não percebi que havia outra pessoa ali. Levantei o olhar, finalmente. E assim, o vi.

— Cansada? — perguntou com a voz rouca, encostado na parede que sustentava o portal. Seus braços estavam cruzados e os cabelos soltos.

Lindo.

Sorri mínimo, feliz em vê-lo.

— Oi, Hyune — falei com intimidade, já que não havia ninguém conosco.

O príncipe começou a se aproximar lentamente enquanto falava.

— Não vai perguntar o que eu fazia aqui ou porquê te observava?

Ri fraco.

— Acho que já sei a resposta das duas perguntas, na verdade.

— Sabe, é? — o mais velho chegou a minha frente, segurando em minha cintura e me juntando ao seu corpo.

𝑻𝒉𝒆 𝑶𝒖𝒓 𝑷𝒓𝒐𝒎𝒊𝒔𝒆 | 𝗛𝘄𝗮𝗻𝗴 𝗛𝘆𝘂𝗻𝗷𝗶𝗻Onde histórias criam vida. Descubra agora