• 11 de junho, 1452 •
manhã após a revolta do príncipe.
Um estrondo tremeu as paredes do castelo. Os gritos estridentes e desesperados tomaram os corredores. O barulho da lâmina das espadas cortando e arranhando se fazia sangrar os ouvidos.
Mais um estrondo soou, e dessa vez não só as paredes do palácio tremeram, mas sim, todo o reino. O chão estremeceu, e os móveis saíram de lugar.
Hyunjin e Mi-suk foram acordados quando derrubados da cama, caindo um por cima do outro, totalmente confusos e assustados. Os gritos não paravam, e as espadas também não. Outro estrondo tomou o lugar, e a poeira começou a sair das paredes, sujando o aposento. O Hwang abraçou sua amada, pondo a mão em sua cabeça, tentando protegê-la.
— O que é isso, Hyunjin? — a Lee indagou trêmula, com a voz falhando, enquanto encarava a feição apavorada do mais velho.
Os gritos ficavam cada vez mais altos.
— Eu não sei, Mi-suk, eu não sei — respondeu, tremendo mais do que a mulher em seus braços.
Esta manhã, nos planos de Hyunjin, seria o dia em que eles iriam embora do castelo e o príncipe entregaria sua coroa. Iriam viver na aldeia pacificamente, enquanto o segundo herdeiro na linha de sucessão estaria sendo coroado. Seriam livres depois de tanto tempo lutando. Mas pelo o que parece, esses planos teriam de ser adiados.
Era como uma maldição dos céus por eles sustentarem um amor tão impossível. Nada nunca dava certo para estes dois jovens. Viviam sofrendo desde o dia em que se conheceram, em 1438, num dia festivo e ensolarado. Eram tão novos, tão inocentes. . . Mal sabiam eles que agora estariam entre a vida e a morte.
O sol mal havia saído e o dia sequer tinha amanhecido quando os barulhos estranhos tomaram início. Era demais pedir um dia pacífico neste reino?
Hyunjin afroxou os braços ao redor do corpo de Mi-suk, decidido a se levantar para ver do que isso se tratava – já que a confusão não vinha apenas dos muros do castelo, estava na aldeia também. Ele já estava começando a se levantar quando, de repente, uma barra de ferro ultrapassou sua janela, quebrando o vidro completamente. Pareceu uma explosão, havia restos do objeto cortante por todo o quarto.
O Hwang felizmente agiu rápido e conseguiu virar o rosto para o lado, assim o ferro não o atingiria com toda a força e o mataria. Porém, é claro, a velocidade e o peso do objeto deixou um corte em sua bochecha. Sangue azul começou a escorrer.
Mi-suk, por sua vez, quando viu a janela explodindo e os cacos vindo em sua direção, só pôde se encolher e pôr os braços ao redor da cabeça, evitando um corte fatal. As mangas de seu vestido e alguns pontos de seu rosto foram atingidos, perfurando sua pele clara. Sangue vermelho começou a escorrer.
A barra de ferro bateu contra a porta do closet, balançando a estrutura do quarto. As paredes aparentavam que iriam cair a qualquer segundo.
Os jovens feridos levantaram os olhares e se encontraram. O coração de Hyunjin foi até a boca quando viu o estado em que Mi-suk ficou. A jovem chorava de dor, os cortes ardiam. E o fato de quase morrerem com um golpe de ferro na cabeça não era muito tranquilizador.
Ela chorava desesperadamente. As lágrimas se misturavam com o sangue em seu rosto. Gritava com os dentes cerrados, forçando as veias do pescoço. Suas mãos eram perfuradas pelos cacos de vidro, assim como as de Hyunjin.
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𝑻𝒉𝒆 𝑶𝒖𝒓 𝑷𝒓𝒐𝒎𝒊𝒔𝒆 | 𝗛𝘄𝗮𝗻𝗴 𝗛𝘆𝘂𝗻𝗷𝗶𝗻
FanfictionUm jovem príncipe apaixona-se profundamente por uma plebéia, filha da empregada do castelo. Seu romance se torna quase impossível quando descobrem que ele está predestinado à casar com a princesa de um continente próximo para fazer uma aliança comer...
