Capítulo XXXIV

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    Kai sentiu todas as forças sendo drenadas do seu corpo no instante em que encarou os olhos do ruivo à sua frente. Aqueles olhos... vermelhos, furiosos, frios. Era como encarar a própria sentença de morte — e ele sabia disso.

    Um alerta pulsava em sua mente com violência: "Corra."

    Talvez seu irmão estivesse certo. Talvez entrar na casa da fera tenha sido o erro mais idiota que já cometeu. Mas admitir isso? Jamais. Preferia assumir que havia sido apenas descuidado e que não percebeu a movimentação de Taehyung, do que dar razão a ele.

   Agora, tudo o que podia fazer era sair dali vivo. Se conseguisse.

— Eu não fiz nada, Kim — murmurou, tentando manter a voz firme. — Só... só deixei escapar o que houve com a Yara. Eu achei que o Jungkook já soubesse...

    Meias verdades. Era tudo o que tinha. Se conseguisse bagunçar a cabeça do líder o suficiente para focar apenas no humano, talvez... só talvez, saísse dali respirando.

    A voz da mãe ecoou em sua cabeça: "Mentir pra sobreviver não é pecado. É instinto."

— O quê...? — Taehyung sussurrou, mais para si do que para ele, os olhos se voltando para Jungkook.

    O pequeno continuava parado, rígido, olhos arregalados, ainda tremendo. O medo estava estampado em cada traço do rosto.

   O ruivo quis correr até ele, envolvê-lo nos braços, dizer que estava tudo bem, que podia confiar nele. Mas qualquer movimento brusco agora destruiria o pouco de confiança que restava.

    Ele respirou fundo. Precisava ir com calma.

— Bebê... eu... você...

— P-p-por q-quê...? — Jungkook interrompeu, a voz quebrada, trêmula. — P-por que fez i-isso c-com ela?

     Taehyung fechou os olhos por um segundo, sentindo um aperto no peito.

— Eu... — tentou começar, mas engoliu a explicação. Não era a hora. — Vamos pro nosso quarto, sim? Lá a gente conversa melhor...

     Ele estendeu a mão devagar, com cuidado, um gesto suave — quase implorando por confiança.

    Mas Jungkook deu dois passos para trás, negando freneticamente com a cabeça.

— N-não... — murmurou, a voz embargada. — N-não q-quero...

     A rejeição cortou Taehyung por dentro, como uma lâmina. Mas ele não podia perder o controle. Não com Jungkook. Nunca com ele.

     Respirou fundo de novo, contendo o instinto de arrastar Kai pela garganta e enterrar a verdade na marra. Optou por outro caminho.

— Tudo bem... — disse com voz baixa. — Então vamos fazer assim, os meninos estão no escritório. Podemos ir até lá e conversar com eles juntos. Que tal?

𝐓𝐡𝐞 𝐇𝐨𝐰𝐥 𝐨𝐟 𝐓𝐡𝐞 𝐖𝐨𝐥𝐟Histórias para pegar e não largar. Descubra agora