Os minutos no relógios pareciam passar cada vez mais devagar. Eu tentava calcular mais ou menos o tempo que ele demoraria, levando em conta o tempo que levamos para chegar aqui com o motorista. Não sei se pelo meu nervoso ou pela minha vontade de matar Maria Fernanda, o tempo cruelmente não corria. E enquanto isso, os dois meninos realmente pareciam dois cães de guarda, pelo menos isso, eu estava segura. Aqueles homens seguiriam expressamente as ordens do tal Tigrão. E quem seria doido de não seguir as ordens de alguém que anda com um fuzil cruzado no corpo? Até eu seguiria. Maria não parava um minuto de tagarelar com eles, coisas que eu nem ao menos conseguia prestar atenção de tanta raiva. Eu estava ao máximo tentando me controlar, não poderia explodir ali e dizer para minha filha que ela era uma louca desvairada que leva a mãe para um lugar... um lugar daquele! Após cerca de 40 minutos nessa agonia, avisto um carro piscando um farol, eu nunca pensei que fosse ficar tão feliz vendo um Onix prata na minha frente, era Alessandro, já diminuindo a velocidade e abaixando o vidro para sinalizar que era ele
-Opa, boa noite, rapazes. Ele dizia com um sorriso, como se conhecesse aqueles meninos e fazendo um sinal de positivo com a mão
-Ó quem ta ai, Klebão, o professor mais zika do Rio. O menino de boné vermelho cutuca o outro com o cotovelo rindo, e vão em direção ao carro de Alessandro já os cumprimentava um toque de mãos
-O professor, nunca mais colou aqui com nóis, tá sumido! O outro rapaz responde devolvendo o cumprimento
-Eu fico devendo uma visita pra vocês, beleza? Eu volto aqui com a senadora Simone. Ele responde para os garotos e pisca pra mim em cumplicidade. Óbvio que ele só poderia estar fazendo graça, pelo meu estado no telefone ele saberia que voltar lá não seria uma opção
-Ó que nóis cobra essa visita, professor! Tamo junto. O menino de boné vermelho o cumprimenta em despedida e o outro faz exatamente a mesma coisa, se afastando do carro e vindo em direção a mim, que observava aquele diálogo tentando entender que raios estava acontecendo ali
-O dona Simone, satisfação, viu? A senhora fica a vontade pra colar aqui na nossa quebrada sempre, você e a sua filha, que é gente boa pá carai! Se é amigo da dona Gleisi é nosso amigo também, firmeza?
-Ah... Quanta gentileza, queridos! Coloquei um sorriso no rosto e apertei a mão dos dois, respectivamente -Eu que agradeço pelo... Pelo cuidado aqui comigo e com a minha filha
Aguardo Maria Fernanda se despedir e entramos no carro. Molon ainda faz questão de gritar um "Até mais, meninos! E continuem estudando, viu?" em tom de uma puxada de orelha amigável. Espero ele fazer o retorno e andar alguns metros para começar a despeja a minha indignação com Maria Fernanda, que estava já no banco de trás segurando o riso.
-E você ri, né, Maria Fernanda? Enfurecida me viro pra trás e eu tenho certeza que se saissem laiser dos meus olhos, não iria sobrar um fio de cabelo dela para contar a história -OLHA A SITUAÇÃO QUE VOCÊ ME FEZ PASSAR, VOCÊ NÃO TEM UM PINGO DE JUÍZO E NÃO FOI ESSA A EDUCAÇÃO QUE EU TE DEI!
-Mamãe, para com isso vai! Você até se divertiu e fez amizades Essa menina dissimulada ria de divertindo com o meu estado de nervos e o pior: Alessandro também estava achando tanta graça quanto ela
-Si, se acalma, não tem nada demais! Aqueles dois meninos eram meus alunos, sabia? Eu era professor em uma escola no Vidigal, são pessoais normais como eu e você
-PESSOAS NORMAIS, ALESSANDRO??? VOCÊ ACHA AQUILO NORMAL?? AH CLARO! PORQUE PRA VOCÊ ENTÃO É NORMAL ANDAR NA RUA COM ARMA NA CINTURA, OUVINDO AQUELES ABSURDOS DE MÚSICA, BEBENDO DAQUELE JEITO??? Eu gritava enquanto gesticulava e o deboche dos dois me tirava mais ainda do eixo -POIS PRA MIM ISSO NÃO É NORMAL!
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Como 2 e 2
RomanceNunca passou pela cabeça de Simone Tebet passar por um turbilhão de emoções durante o segundo turno das eleições presidenciais, muito menos descobrir que ainda era capaz de sentir desejo e paixão por alguém. Ainda mais quando o tal alguém se trata d...
