Os dois corpos continuavam entrelaçados na cama, tentando compassar as incursões respiratórias antes dos lábios novamente se encontrarem, dessa vez em um beijo calmo, sem pressa ou briga por domínio.
- Quem te vê na tribuna nem imagina que é safada assim, senadora. Ele diz com o sorriso ladino que a deixa sem forças
- E se o senhor cogitar contar a esquerda perderá mais um comunista. A parlamentar diz arranhando o peitoral nu dele enquanto recebe um carinho nos fios negros que a essa altura estavam emaranhados.
- É uma ameaça, Tebet?
- Quer pagar para ver? A sobrancelha direita dela se arqueia em interrogação
- Na verdade eu gostaria de ver outra coisa. O deputado começa a traçar uma linha de beijos pelo pescoço dela aspirando os cheiros misturados, Simone era uma mulher incrível e é claro que ele sabia disso, sempre soube, mas tê-la em seus braços elevou muito o conceito.
- La vem...Qual é o plano? Chamar o MST para invadir meu quarto? Uma gargalhada escapa dos lábios dela e o som faz com que ele ria junto
- Se eu tiver que levar o MST para algum lugar vai ser para sua fazenda
- EI! Nem se atreva seu comunistazinho. A mulher o encara séria e cerra os olhos
- Seus olhinhos não me botam medo, princesa libanesa. Um beijo longo é roubado dos lábios femininos e ao fim dele a seriedade de Simone se converte em um sorriso, deixando os narizes encostados por um tempo enquanto os olhares dizem tudo que não são capazes de verbalizar.
Alguns minutos depois Simone se manifesta sussurrando sem mudar a posição
- Estou com sede
- Vou pegar algo no frigobar. Prestativo ele se levanta andando com calma até o objeto possibilitando que a Senadora se apoie nos cotovelos para admira-lo, seu corpo era bem definido, a fazendo pensar que ele não apenas surfava, mas deveria fazer academia algumas vezes na semana, sem perceber a mulher acaba mordendo o lábio inferior analisando cada movimento dele.
- Ora ora ora, temos um Perrier aqui! O deputado levanta uma garrafa de Perrier Jouet Brut Rosé sorridente e pega também uma água
- Você sabe que não bebo, não é?
- Você sabe que eu não acredito nem um pouco nisso, não é?
- Pois acho bom acreditar, não faço uso de nada que me tire o juízo
- Então sabe o que a bebida faz com você, senadora
- Eu não disse que nunca bebi, disse que não bebo
- Então deixe de ser careta e abra uma exceção hoje.
Colocando o vinho em um móvel do quarto ele anda em busca de duas taças, ainda sob o olhar sedutor da mulher, que tomava cautelosamente sua água.
- Achei! Deixando as duas peças com a senadora ele pega a garrafa abrindo com cuidado e servindo ambas as taças antes de voltar o vinho no móvel ao lado da cama. - Um brinde, senadora!
- E vamos brindar o que, exatamente? Ela questiona arrumando o lençol branco que cobria seus seios
- Eu brindo ao comunismo! Ele levanta a taça rindo para provoca-la
- Brinda ao comunismo com uma garrafa de vinho caro? Hipócrita. Ela sorri vitoriosa. - Pois eu brindo ao agronegócio, grande potência nacional que vai pagar essa garrafa amanhã. Antes de tilintar as taças ela pisca para o deputado, que cerra os olhos se dando por vencido enquanto leva a bebida aos lábios.
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Como 2 e 2
RomanceNunca passou pela cabeça de Simone Tebet passar por um turbilhão de emoções durante o segundo turno das eleições presidenciais, muito menos descobrir que ainda era capaz de sentir desejo e paixão por alguém. Ainda mais quando o tal alguém se trata d...
