17 - MÁGOAS E RANCOR

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O grito de Rhaenys foi o lamento mais triste e dolorido que Corlys já ouviu em sua vida

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O grito de Rhaenys foi o lamento mais triste e dolorido que Corlys já ouviu em sua vida. O corpo carbonizado em sua frente fazia-o se odiar e se perguntar o porquê dos deuses estarem castigando sua família daquele jeito. Enquanto ele segurava sua esposa e a impedia de ir ao chão, o lorde da casa Velaryon ouviu quando as portas duplas se abriram e revelaram o rosto de sua filha mais velha.
Onira tinha os olhos sombrios e molhados de lágrimas, mas Corlys não conseguiu ver a dor diante deles, apenas o ódio.

— Meu amor, por favor. — Daemon tentou fazê-la recuar — Não deveria estar aqui.

— Laenor. — sua voz saiu como um sussurro

— Onira, por favor.

Do outro lado da sala, Gellert surgiu ao lado de Rhaenyra e encarou o corpo carbonizado sem demonstrar pesar. Os olhos de Rhaenyra encararam sua melhor amiga e ela, pela primeira vez, sentiu medo. Medo da raiva e do ódio que ela viu naquele olhar, medo de que aquela dor a mudasse para sempre.

— Onira, não! — Daemon tentou segurá-la

A lady driblou o corpo do marido e, cambaleando pelo peso da barriga, foi em cima do pai, que tinha sua espada em sua bainha. O barulho do aço valiriano puxado foi alto e chamou a atenção de todos. Onira ergueu a espada e foi pra cima de Gellert, que conseguiu puxar a sua espada e se proteger do primeiro ataque.

— Onira, não faça isso! — Daemon se angustiou

Onira era a melhor espadachim que ele já havia conhecido, mas estava grávida, fora de seu peso, com dores e desequilibrada. Um pequeno descuido em meio ao mar de raiva e uma tragédia dupla aconteceria. Ela e o bebê, é claro, Daemon não se importava se ela matasse Gellert.

— Parem! — Corlys gritou, mas de nada adiantou

Gellert não retribuiu os golpes, apenas se esquivava e se protegia deles, parando a espada que ela usava com Rívia, sua espada. Do lado de fora do castelo, no meio do amanhecer chuvoso, Jaskier e Thunderstorm brigavam com a fúria que somente dragões daquele porte tinham. A dragão de Onira tinha vantagem em tamanho e em fúria, mas Jaskier era ágil e sabia se esquivar dos ataques.

— Onira, pelos deuses! — Rhaenyra gritou — Pense no seu filho!

— Desgraçado! — Onira gritou, os olhos embaçados pelas lágrimas

— Onira, eu não quero te machucar. — Gellert se esquivou

Onira estava cega pelo ódio, mas foi capaz de raciocinar por um milésimo de segundo. Fingiu um ataque pela direita, mas jogou a lâmina da espada na esquerda, acertando o rosto do príncipe. Ele conseguiu se virar e evitar que o aço entrasse com tudo e atravessasse seu rosto, mas acabou sendo pego de raspão e um corte profundo surgiu na maçã de seu rosto.

— Onira, já chega! — ele gritou

Não teve tempo de se recuperar. Ele travou a lâmina da espada dela com a dele, mas ela tirou sua adaga do vestido e se virou, pronta para acertá-lo na perna. Em um golpe de sorte, ele segurou a lâmina afiada, sentindo o próprio sangue banhar seus dedos.

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