Capítulo 6

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Surpreendida e sem saber o que fazer, Walkiria limitava-se a sorrir. As pernas teimavam em fraquejar o que já era recorrente diante daquela mulher e o coração acelerado também já não era novidade. Não fazia o menor sentido, mas eram sensações tão nítidas que já não valia a pena negar. Era a surpresa de revê-la depois de tantos anos, tentava se convencer em meio ao turbilhão.

--Desculpa aparecer assim. Eu não costumo ser tão impulsiva quando minhas atitudes afetam a terceiros, mas...ah, sei lá. Queria ouvir a tua história e não pensei duas vezes. Estás ocupada?

Vê-la desarmada era tão bom. Apesar de mal conhecê-la, Walkiria tinha a sensação que ela não errava nunca, que estava sempre no controle, e isso, às vezes podia retrair.

--Ei, diga alguma coisa. Me mande embora, mas diga alguma coisa.

Ela estava ansiosa. Walkiria teve vontade de rir. Aquela mulher...

--Eu não estava à espera. Eu não costumo receber visitas e muito menos nesse horário...

--Ah, mas nem é tão tarde assim...

Ela fez uma expressão facial que convenceria qualquer um a abrir as portas e sabe lá mais o quê.

Walkiria riu e deu passagem para ela entrar. Mais uma regra quebrada...

--Obrigada. Prometo que não demoro muito e nem mordo. Já sabes que sou uma companhia agradável.

--E convencida!

--Não sou? –Provocou.

-Ah, deixa de ser doida. Queres ficar lá fora? Meu lugar favorito da minha casa, meu quintal com acesso à floresta e a céu parcialmente aberto.

--Claro que sim. E vejo um saco de boxe. É decoração ou temos uma mulher que adora dar umas porradas?

--Sou da paz! Mas meu melhor antisstress, é sem dúvida, dar uns socos e chutes no seu saco.

--Imagino que seja bom...

--E tu, o que tira ou ameniza o teu stress?

--Sou mais calma que a senhora e consequentemente, meus níveis de stress são menores...yoga, boa música, boa conversa...

--Ah e como é que sabes que és mais calma do que eu? Tu nem me conheces...

--Do pouco que já vi...

--É, sou um bocado chata e exigente e...ah, mas não foi para me analisar que vieste bater á minha porta a essa hora.

--Vês? Muito stress.

Riram com vontade.

--Eu gosto de me sentar no chão e olhar as estrelas, mas podemos sentar nas cadeiras...

--No chão, claro.

Acomodaram-se num colchonete de campismo que ficava sobre o assoalho de madeira e Nahima parecia deliciar-se com o cenário.

--Tu vives no paraíso...

--Não posso me queixar, aliás, não há um dia em que não agradeça por essa bênção.

--Lembro-me bem como os teus olhos brilhavam quando falavas de como seria o teu hotel. Que feito, dona Walkiria!

--E nem sabes o peso que tens nisto...-Ela devaneava.

Nas brumas do PicoOnde histórias criam vida. Descubra agora