Capítulo 13

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Incrível como tudo pode mudar num lapso de tempo, era o pensamento de Walkiria enquanto buscava ordenar suas emoções. Agira com uma calma que não sabia possuir, mas a realidade era que estava a um ponto de explodir. Sua vontade era quebrar tudo, gritar, mandar Dália passear em plutão, no entanto, agira como uma mulher no controle das emoções. Ou seria covardia? Ah, foda-se! Queria era que Dália desaparecesse dali e pudesse, como que por mágica, voltar ao seu estado de plenitude.

Não demorou muito para o vulcão interno, expandir-se para o exterior se deu corpo. Começou a tremer, a boca ficou seca e o estômago embrulhado. Respirou fundo algumas vezes, buscando o equilíbrio.

Não saberia precisar quanto tempo esperou que Dália aparecesse, mas ela demorou. Soube-o pela respiração mais compassada e o coração batendo numa toada suave. Sentada no banco de madeira, abraçada às pernas e com o olhar perdido no breu da noite, vislumbrou a figura dela vindo em direção ao lounge.

—Peço desculpas pela atitude na receção...agi sem pensar e sei que perdi o controle. Mas estou cansada de me sentir usada. Nem sei se usada é a palavra certa, mas tu não dás a essa relação a importância devida. Se calhar não dás importância alguma...

—Dália....

—Não, tu vais me ouvir. Hoje, tu vais ouvir tudo o que está entalado na minha garganta.

Walkiria respirou fundo e encarou-a. Sua vontade era dizer que nunca tinha prometido nada. Ninguém tinha prometido nada. Só estavam juntas para passar o tempo, se divertir, quando fosse oportuno para ambas. Pelo menos era nisso que acreditava.

—Eu já sabia que eras assim. A tua fama corre solta no meio, fama de mulher que não se envolve com nada além do trabalho. Quer estímulo maior para uma predadora como eu? Eu sempre tenho tudo o que quero. As mulheres fazem fila para chamar a minha atenção. Confesso que entrei nesse jogo por pura diversão e para provar que ninguém resiste ao meu charme. Começamos bem, muito bem. Apesar dessa muralha toda que te cerca, quando conseguimos entrar, ah, é viciante...estimulante. Esse teu ar de inatingível é afrodisíaco, ainda mais se penso como és na cama...

A conversa causava incomodo em Walkiria, mas não tinha coragem de abrir a boca e muito menos ser o contraponto do discurso inflamado de Dália.

—Inventei de me envolver contigo justamente na pandemia. Péssimo timing. Fiquei presa a ti e sem mais possibilidades. O que seria uma brincadeira, passou a algo sério. Em escassos meses, de predadora virei presa.

Mais uma vez Walkiria teve vontade de gritar que não prometera nada, mas, permaneceu calada.

—Tu pareces desprezar as relações. Nada tem importância além dessa porcaria de hotel. Tenho certeza que se pudesses, casavas com a Pedras do Vale. – Riu com desdém.

A cabeça de Walkiria começou a fervilhar e a respiração mais uma vez, alterou-se.

—Sabias que eu apostei que te dobrava – Ria em completo descontrolo – Sim, apostei e por momentos estive crente que ganhara a aposta. Mas tu és surpreendente, ninguém alcança a tua alma, ninguém te alcança. É uma frieza exagerada...descaso...já disse, só vês essa merda de hotel, tuas responsabilidades, esse mundo sem graça que abraçaste com garras fortes...que desperdício. No nosso clube, esse que não frequentas por ser perda de tempo, és tida como inalcançável. Há quem duvide se realmente gostas de mulheres. Eu sou a prova viva que gostas sim, muito. Pensando bem, talvez gostes apenas de sexo com mulheres...talvez nem saibas se gostas de alguma coisa...

A acidez no tom dela, perturbava Walkiria. Não concordava com grande parte das asneiras que ouvia, mas, algumas coisas faziam eco. Muito barulho na mente.

Nas brumas do PicoOnde histórias criam vida. Descubra agora