—Te acordei? – Walkiria perguntou mais uma vez por não ter acreditado na primeira resposta.
—Não. Tinha voltado há mais ou menos 40 minutos. Fui jantar com o meu vizinho e perdemos a noção do tempo. É sempre bom conversar com ele, ouvir suas histórias. Estava a ler no sofá á espera que o sono chegasse...- Sorriu.
—Estou com vergonha...estou morrendo de vergonha das minhas atitudes e mais ainda, do que estejas a pensar a meu respeito...
—Eu? Eu não estou a pensar nada e não consigo entender vergonha de quê.
—Vergonha de ti, claro. Minha mente está tumultuada, estou...- Buscou o ar com força.
—Precisas respirar. Vamos, respira. Isso, mais uma vez. Vais ver que daqui a pouco te sentirás mais calma.
Walkiria, aparentemente mais calma, deixou-se encostar no sofá e fixou o olhar em algum ponto aleatório. Parecia escolher as palavras.
—Se estás assim por causa do beijo - Walkiria arregalou os olhos, confirmando a suspeita de Nahima. – Não fiques assim. Eu adorei a brincadeira e mais, tu nem beijas mal.
Pronto, o estopim para uma gargalhada a duas e Walkiria mais relaxada.
—Eu não fazia ideia que a tua loucura fosse tanta. Aquele beijo não estava nos meus planos...
—Nem nos meus, mas quando sou desafiada...
—Conseguiste tirar a Indira de cena em poucos segundos...
—Conseguimos! Sim, porque eu não beijei sozinha, e foram mais que meros segundos. Afinal, quem é essa Indira?
—Ninguém!
—Resposta errada. Não ficarias tão desconcertada se ela fosse uma pessoa qualquer...
—Tens razão. Há algum tempo, tivemos um affair, uma coisa sem muito significado, pelo menos para mim. Eu não sou adepta de relações efémeras, mas tinha terminado com a Dália e não queria nada que exigisse muito de mim, e ao mesmo tempo queria dar umas alegrias ao meu corpo...
Nahima sorriu de forma provocante.
—Sim, eu sou essa pessoa que gosta de dar alegrias ao corpo e que tem um fraco por mulher bonita...meu Deus, deves achar que sou uma leviana...
—Para! Eu não costumo julgar as atitudes dos outros e não tem nada demais gostar de sexo e de gente bonita. Eu também sou assim. Mas volta para a Indira...
—A sério que queres saber?
—Sim, quero conhecer-te melhor.
A intensidade que ela usou para dizer aquela frase, de alguma forma, conseguiu tranquilizar Walkiria.
—Ficamos juntas por um mês, se tanto. Foi o tempo que Dália passou a viajar...ela tem desses rompantes, mas deixa isso para lá, porque estamos a falar da Indira.
Nahima sorriu e segurou as mãos dela que teimavam em tremer.
—Ela é doida, intensa, perturbada mesmo. Em quinze dias em que nos vimos umas 4 vezes, a mulher já fazia planos para o casamento e os filhos que teríamos. Pelo amor de Deus. Eu nunca vou me casar, pelo menos não essa coisa que ela queria...
—Ela não vivia aqui?
—Não, estava de passagem pela capital. Nos conhecemos numa festa.
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Nas brumas do Pico
RomanceAproximando-se dos 30 anos, Walkiria vive uma vida que pode ser considerada de sonho para muita gente. Vive numa ilha paradisíaca, trabalha com o turismo que é a base da economia local e aparentemente não tem problemas. Tudo parece perfeito, menos p...
