Sexo, drogas e desrespeito. Essa era basicamente a vida que meu pai descreveu para mim. Ele tinha evidências para me provar isso. Eu vi as evidências, eu me lembro das evidências, não há nada que Kevin diga que me faça esquecer, mas o problema é: Kevin não é o problema. Sou eu. Fui eu quem deixou ser filmado. Sou eu quem enviou o vídeo, veio do meu celular. As ações são minhas, as decisões foram minhas. Kevin parecia ser uma má influência, mas talvez esse fosse meu pai tentando colocar a culpa das minhas ações em outros porque no fundo eu vou ser sempre o garoto dele. Afinal eu sou filho dele, nenhum pai quer acreditar que o filho é capaz de fazer coisas tão horríveis.
Meu pai me observava comer em silêncio. Os sushis estavam deliciosos e eu tinha acabado de colocar o último pedaço de Salmão cru na boca com molho Shoyo. Tomei mais dois goles de Ginger Ale e meu riu para mim.
- o que foi?
- você parece faminto – falou meu pai rindo.
- eu estava. Não sabia que sushi era tão gostoso.
- sempre foi sua comida favorita. Você ama comida Japonesa.
- eu provavelmente esqueci isso no acidente.
- o que você está fazendo quanto á isso?
- nada. Kevin acha melhor eu ficar em casa.
- típico dele – falou meu pai pegando um papel e escrevendo um número com a caneta – ignorar o problema não é a melhor opção – falou ele me entregando o papel.
- o que é isso?
- o telefone do Dr. Bryan O'Connor. Ele é um dos melhores psicólogos de Miami.
- como você sabe?
- Vamos apenas dizer que depois de receber seus vídeos eu precisei de algumas sessões.
- é sério?
- sério – falou meu pai se levantando. Ele pegou uma pequena pasta preta e colocou algumas notas lá dentro.
- obrigado pelo almoço.
- por nada – falou meu pai fazendo carinho nos meus cabelos e dando um beijo na minha testa – promete que vai ligar para o Dr. Bryan?
- prometo.
- se você não se sentir a vontade na casa de Kevin eu quero que me liguei e você pode vir pra casa ou se preferir eu te coloco até em um hotel.
- obrigado pai. Vou ver o que vai acontecer. Pelo menos agora eu estou de "olhos abertos" como o senhor mesmo disse.
- isso é bom – falou meu pai me acompanhando até lá fora.
- a única coisa ruim disso tudo é o filho de Kevin.
- filho? – perguntou meu pai.
- sim. Adrien. Ele tem minha idade. Kevin disse que o senhor desaprova o nosso namoro porque eu tenho a mesma idade do filho dele.
- Me desculpa Mason, mas eu não conheço nenhum Adrien. Não conheço nada sobre Kevin. Nem sabia que ele tinha um filho.
- isso é estranho.
- venha no fim de semana visitar sua mãe. Ela sente sua falta.
- sim. Eu prometo.
- até mais.
- até – falei caminhando para fora do restaurante seguindo pela calçada.
Meu pai não conhecia Adrien? Porque Kevin mentiria sobre algo assim? Se Adrien não é filho de Kevin a pergunta que fica é... Quem é Adrien e porque ele mora com Kevin? Kevin pode ter errado no passado e ele estava disposto a continuar sua vida ao meu lado, mas dessa vez uma vida normal. Tudo o que pedi foi que não mentisse.
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Deus Americano
RomanceApós um grave acidente, Mason perde a memória e se vê lutando para redescobrir sua identidade. À medida que fragmentos sombrios de sua vida passada começam a emergir, ele sente um profundo desprezo pelo homem que costumava ser. Em meio a essa turbul...
