02. Lullaby

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A correnteza violenta o carregava como se ele não houvesse peso por entre seus caminhos sinuosos mais profundamente na floresta, ele tentava emergir para pegar ar e logo era puxado para baixo, tnha que tentar se agarrar a algo, e assim que levantou o rosto mais uma vez, na margem do rio, ele avistou um galho de uma árvore, era sua chance, ele não sabia se teria outra oportunidade como aquela.

Simon bateu os braços o máximo que conseguia apesar da dor lancinante que sentia pelo tiro. A adrenalina do momento o impulsionava para alcançar o seu objetivo. Ao passar pelo galho, ele usou as últimas forças que lhe restavam para se agarrar e assim que o fez, soltou um suspiro de alívio.
Tremendo pelo choque da água extremamente gélida, ele tentava ao máximo recobrar as forças para conseguir chegar à margem, mas uma coisa de cada vez, gastar o restante de energia que ele possuía não era algo que ele poderia se dar ao luxo. Ao chegar a margem, após alguns minutos se agarrando ao galho, ele conseguiu chegar em terra firme, cravando seus dedos na grama e se arrastando pela encosta.
Alívio, mais uma vez, ele havia sobrevivido a uma quase morte. Ele se deitou contra a terra e suspirou alguns minutos antes de pensar em se mover, pela velocidade da água, ele devia estar há quilômetros do local da extração. Ele tateou seus equipamentos e infelizmente, havia perdido seu rádio e o GPS. Haviam alguns cartuchos restantes que alimentariam seu rifle que ficou preso ao seu corpo pela bandoleira, o que era algo a se comemorar, ele só esperaria que ele não tivesse sido danificado durante a queda da encosta.
A primeira coisa a ser feita, era sair dali, tentar procurar um local para se aquecer, e depois, criar um plano de sobrevivência de última hora, ele ainda tinha sua faca, o kit de primeiros socorros, sinalizadores e algumas rações em barra que estavam em um outro bolso, que se durariam no máximo dois dias se ele comesse uma bocada por dia.
Sozinho, ele retirou a máscara. Respirou profundamente e o ar úmido e gelado que o envolvida, e após alguns minutos contemplando o silêncio da floresta e o barulho do rio descendo território abaixo, ele resolveu se levantar e procurar um local minimamente seguro. Se ele estava certo.
Se no encontro com os Russos eles já estavam em um território fechado, ali, ele estava no coração do desconhecido, e se antes a ameaça eram pessoas, agora, provavelmente ursos e lobos...
Depois de alguns minutos andando, ele resolveu parar, ali, atrás de uma árvore ele resolveu que iria dar logo um jeito no curativo, havia uma bala alojada no seu braço e o tempo corria, cá ele não tratasse logo, muito provavelmente seria infectado. Ele apertou seu braço com um torniquete e foi tirando do kit um frasco com um líquido antisséptico e algumas gazes. A dor era imensa e logo após limpar, ele foi tentando tirar a bala com uma pinça, vendo que não estava tendo sucesso, apenas envolveu o braço para estancar o sangramento.
Como estava anoitecendo era quase inpossível enxergar o que ele estava fazendo e provavelmente no outro dia ele faria algo.

Dois dias se passaram e Simon estava no limite de suas forças, a bala continuava alojada no seu braço e aos poucos ele via o pus e o redor começar a infecciosar como não tinha conseguido removê-la. Ele tinha conseguido matar um Coelho e fazer uma fogueira, o que o rendeu uma refeição por hora, mais ainda não era o suficiente. Ele descia no Rio para beber água, mas sentia-se mal, náusea, vômitos começavam a acometê-lo e ele só pensava.

"Eu vou morrer aqui."

Perdendo os sentidos, sons de pássaros e o correr do rio o extasiada enquanto ele sentia a febre chegando ao seu corpo, sua visão ficava borrada a medida que ele respirava, ele se deu por vencido e seu corpo foi ao chão.

Uma sombra aproximou-se dele, vestida com um casaco de pele e seu rosto coberto com um cachecol vermelho de lã, os olhos negros por entre o tecido se aproximavam dele para o inspecionar. Ele piscava lentamente, até que sentiu a mão da pessoa correr pelo seu patch da Inglaterra. Ele, num último estalo de adrenalina, segurou sua mão fortemente.

"Nem tente." - ele rosnou entre os dentes.

"Você tá vivo." - a voz desconhecida era delicada e suave, em um inglês canadense quase sem sotaque algum.

A sombra havia se revelado uma mulher de pele morena-oliva e longos cabelos lisos e negros divididos em duas tranças, usava uma franjinha acima dos olhos amendoados. Ela retirou o cachecol do seu cabelo revelando um rosto ovalado de traços marcantes. Ela usava um longo poncho que ia te seus tornolezos. O instinto dele o fez segurar a sua mão e a puxar para baixo, com a outra mão, ele retirava uma pistola do coldre.

"Acho melhor você se afastar." - ele ainda rosnava entre os dentes enquanto a segurava.

Ela franziu as sobrancelhas, avaliou bem o estado de Simon e desvenciliou sua mão da dele bruscamente.

"Você não parece bem." - de cima, ela cruzava os braços e o avaliava. Ela inclinou o rosto para o lado e viu o torniquete mal feito. - "Você foi ferido.."

"Isso não é problema seu." - ele engatilhou a arma e apontou na direção do rosto da moça. - "Agora sai da minha vista."

Ela suspirou e pegou uma cesta com algumas ervas e frutinhas da floresta que carregava consigo antes de deparar com um Simon semi-morto.

"Você não vai durar mais um dia, sua mão esta quente, o que significa que está com febre pelo tiro que você levou e não conseguiu cuidar." - ela levou a cesta de novo aos braços - "Acho que você precisa de ajuda."

"Eu não preciso da sua ajuda."

Ela riu entre os dentes e olhava para os lados.

"Você parece quase um cadáver, acho que amanhã você já vai virar comida se resolver ficar aqui" - ela se divertia com o orgulho do Britânico.

Ele suspirou, o que aquela garota desconhecida tinha a oferecer a ele?É claro que estar sozinho na floresta estava tendo seus custos, mas será que ele podia confiar plenamente numa estranha?

"Como eu posso confiar em você?" - ele ainda falava como se estivesse rosnando, ele sentia seu corpo ficar cada vez mais frio pela febre que se alastraram e seus olhos piscavam lentamente.

Ela sorriu gentilmente e se aproximou dele.

"Você pode tirar suas conclusões depois, por hora, deixa eu te ajudar."

Os seus olhos levemente puxados o encararam firmemente e Simon, a contragosto concordou com a cabeça e suspirou, querendo ou não, aquela mulher era a única chance que ele tinha de voltar para Londres vivo. Ele ainda engatilhada a arma na sua direção.

"Nem pense em tentar algo, ouviu?"

"Claro." - como se ignorasse a figura da arma apontada em sua direção, ela sorria gentilmente novamente. - "Se apoie em mim."

A mulher não devia ter mais de 1,65m de altura, e assim que Simon a segurou e se levantou, ela teve a noção das dimensões daquele homem, o que a assustou um pouco. Após se levantar, ela o guiava lentamente por uma trilha que apenas ela conhecia por entre a floresta.

Wolf and RavenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora