22. Mountain Hunt II

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A superficial calma e senso de organização que Dmitri tinha criado e tentado impor a si e aos demais foi substituída pelo repentino desespero causado pela queda de energia. Um dos homens, ordenado por ele, vai verificar o gerador, ele por dentro, sente o frio da barriga e com uma lanterna, anda com as pernas tremendo sozinho até lá e percebe que os fios haviam sido cortados. Ele avisa que Simon não está longe, e Dmitri tenta pensar, chama todos para ficarem próximos.

"Esse desgraçado não está longe... " - ele se lembra da mulher.

Desesperado, ele lembra que enviou Sora para fora do acampamento, e durante aquele tempo, já se haviam passado minutos, ele mobiliza todos a seguirem a trilha até uma clareia que tinha inspecionado mais cedo para ser o futuro túmulo da moça. 

O desespero dos três homens aumenta a cada passo que dão, e rapidamente, eles começam a correr em direção a clareira, que ainda está há alguns metros de distancia deles. No escuro, um passo em falso, pode por todo o caminho a perder, e é o que de fato acontece, depois de alguns minutos, ambos deixam a moça no chão e notam que não estão no lugar que esperavam chegar. Apenas as lanternas iluminam seus rostos suados e desesperados, até que um a um, caem ao chão. Sora consegue ouvir o barulho do vento sendo cortado, mas não sabe identificar o que causou aquilo, ainda está nervosa demais para raciocinar, então, das trevas, emerge a figura imponente do homem mascarado, a lanterna no chão, ilumina sua máscara e ela começa a se acalmar.

Ele retira a faca da bainha e começa a cortar as cordas que a prendem os braços e pernas, e com as mãos livres ela puxa o pano que prendia sua boca. Ela tem o instinto de abraçá-lo, e o aperta com força, imaginando que ele estivesse morto, ele segura os braços da moça, sem saber exatamente como reagir ao seu gesto, e logo se desvencilia dela e sussurra.

"Temos que ir embora, agora, enquanto é tempo."

Ela balança a cabeça em concordância e com a ajuda dele, se levanta, ele entrega uma arma a ela.

"Vamos tentar pegar um carro, e sair daqui. " - ele pontua.

"Eu achei que você tivesse morrido.. "

"Eu também." - ele pontuou hesitante.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa a ela, eles notaram a movimentação rápida das lanternas em sua direção.

"Vamos." - ele sinaliza e ela balança a cabeça.

Ghost e Sora retornam ao acampamento, tomando cuidado com quaisquer barulhos que possam denunciar sua presença no meio da floresta, acima deles, as nuvens correm pelos céus seus hora escondendo hora permitindo a lua que ilumine a paisagem. Ghost avista os carros de antes estacionados e espera que em algum deles, a chave não esteja difícil de encontrar. Por sorte, Sora encontra a sua caminhonete, com a chave na ignição. Ela sussurra e pede para que Ghost a siga. Ghost aproveita a distração do restante dos homens, e acha tempo para furar os pneus dos outros dois jipes ao lado e assim, tentar atrasá-los caso eles decidam ir atrás deles.

Sora entra no banco do motorista e Ghost ao seu lado. Ela respira fundo e com as mãos na chave o encara, ela sabe que ao dar a primeira partida, ela irá denunciar a posição de ambos, ele acena com a cabeça, percebendo o que ela quer dizer sem precisar falar.

"Eu cuido disso." - ele afirma novamente com a cabeça, pronto para defendê-la.

Assim que ele o diz, ela da a primeira virada de chave, e acende os faróis, Sora tem que ter a calma controlada para conseguir fazer tudo sem se desesperar. O primeiro tiro de longe, atinge a lataria do carro, que faz os dois abaixarem a cabeça. Ela da mais uma virada, abaixa a marcha e acelera. Tenta seguir a trilha acelerada, e seu coração vai a mil. O carro sofre solavancos enquanto passa pela estrada parcialmente coberta de neve.

Pelo retrovisor, Ghost vê as luzes do farol de outro carro surgindo na escuridão, e novamente, os tiros são acertados na lataria do carro e depois, quebrando o vidro de trás. Ele se vira, e com a semiautomática para fora, tenta acertar algum dos homens que vem atrás.

Sora acelera o máximo que pode, e assim que vê o indicador de combustível o tanque, o nível de gasolina esta quase no limite, e mais uma vez sente o frio do estômago e uma onda de estresse, é possível que eles não cheguem em Fort Nelson. Mesmo sabendo disso, ela continua acelerando o máximo que pode, ainda com alguma distância entre os dois.

Ghost se arrisca mais uma vez e tenta acertar o pneu da frente do carro, mas assim que sai com o braço para fora, um tiro atinge seu antebraço e ele urra de dor, mesmo assim, ele, arriscando mais uma vez, mira em um pneu e acaba acertando, fazendo com que o carro perca velocidade até parar.

Ele volta a se encostar no banco e sua respiração é ofegante, ele olha seu braço e o sangue não para de correr, a bala havia atravessado o mesmo e ele tem que estancar o sangramento. Rasgou um pedaço da jaqueta e amarrou firme ao redor do antebraço ferido.

"Meu deus, seu braço!" - Ela olha horrorizada para o braço dele, onde uma cachoeira de sangue escorre do ferimento.

"Não é nada." - ele diz entre um suspiro e outro - "Acho que nos livramos deles. Acertei o pneu." - ele afirma, enquanto fecha os olhos por hora.

Sora continua segurando com força o volante, ainda andando muito rápido, com esperança de que pelo menos eles consigam sair da floresta e naquela mesma noite, consigam chegar na cidade.

"Vai ficar tudo bem..." - ela tira uma mão do volante e segura na mão dele por instinto. - "Tem posto médico lá..."

Ele olha a mão delicada, mas ainda muito machucada de Sora e perde a respiração por uns instantes. A mira concentrada no volante, os olhos apertados e a face tensa de quem está focada na direção. Sua vontade é de apertar a mão dela de volta, mas se contem, por dentro, ele se sente destroçado. Assim que ela retira a mão para segurar o volante de novo, ele sente o toque se esvair, e aperta o punho.

Wolf and RavenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora