32. Winter

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"Você gostava dele não gostava?"

A pergunta de Susan ecoava na mente de Sora, a cama ao seu lado estava agora vazia e sentia o mesmo vazio dentro do seu peito. Por dentro, ela se questionava se realmente gostava dele ou tinha se acostumado com ele, ou a proteção que ele ofereceu. Ao mesmo tempo que ela se questionava, sentia que junto com a casa, ele tinha ido e levado parte dela. Ela se sentia sozinha novamente assim como tinha sido quando James tinha a deixado. Ela enfiou a cabeça de baixo do travesseiro deixando que a constatação dos seus sentimentos tomassem conta dela novamente e sileciosa e copiosamente, ela chorava baixinho. Susan já tinha experiência e sabe que sim, havia uma conexão ali, apesar de notar a falta de manejo social que ele tinha, ela sentia que ele e preocupava com a moça. Fazendo o seu chá assim que todos foram embora, ela esperava que os próximos dias fossem melhores, e a companhia de Sora a fazia bem, e esperava que algo bom surgisse daquilo tudo.

Dentro do carro, Simon mantinha-se em silencio, pensando se deveria ter feito algo, falado algo a mais, depois de tanto, ele só foi capaz de se despedir daquela maneira.

"Foi melhor assim." - ele pensou consigo mesmo.

Do seu lado, Laswell ousou espiá-lo pelo canto dos olhos e o encontrou perdido observando os campos brancos no horizonte, agora, sendo iluminados pela breve luz da lua que aparecia de vez em quando.

"...Então quer dizer que a moça te ajudou, a morena." - ela soltou, tentando quebrar o silêncio.

"Sim." - soltou, sem muita vontade de falar sobre ela.

"Ela estava envolvida com Ivan?"

"Estava, é muito complicado e ela vai ter que lidar com isso com as autoridades lá." - continuou com o mesmo tom de voz impaciente de ter que conversar sobre aquilo de novo. Antes que Laswell perguntasse mais alguma coisa, o que ele sentia que ela iria fazê-lo, ele já se antecipou e continuou - "Isso será reportado também."

"Certo..."

A viagem até o aeroporto militar mais próximo ainda iria demorar mais algumas horas, e durante o período até entrada no avião, Simon se pegava refletindo sobre tudo. Ele abrindo os olhos e sentindo o calor dentro da cabana, um cheiro e as feridas sendo limpas. O livro que ele escolhia na estante as roupas do falecido James. As cobertas e o colchão confortável do quarto. O barulho dos pássaros de manhã. O chapéu e o poncho vermelhos pendurados ao lado da porta. A geleia fresca doce no pão tostado. Os negros olhos puxados, expressivos e atentos da moça.

Ele acorda com o solavanco da aterrisagem.

O sentimento de estar em casa o trouxe a realidade, parecia que ele estava chegando em um mundo desconhecido, a frieza e a impessoalidade eram notáveis no lidar das pessoas umas com as outras. Dentro de alguns dias, ele voltaria a ativa, mas por hora, para que se recuperasse, ele teria alguns dias de folga. Na sua casa, um flat modesto no subúrbio de Londres, ele sentia total desconexão. Durante aquele período fechado, a casa havia acumulado uma quantidade razoável de teias de aranha e poeira, mas no momento, ele só abriu a janela do seu quarto e se deixou jogar na cama. Sua casa, era aquele local temporário de descanso, só para falar que tinha algo para si ou para guardar suas coisas, porque não era lar. A ideia de lar, ele tinha tido no Canadá.

Quando foi embora, ele deixou tudo no ar, mas arrependia de ter feito isso. Pegou o celular recém-adquirido e foi tentando uma forma de procurá-la pelo menos no instagram. Com uma conta fake, ele seguiu uma conta que parecia ser dela, haviam algumas fotos dela com o noivo. A data da última foto tinha sido naquele mesmo ano, talvez em algum momento em que ela havia ido à cidade deixar as trufas. Ele o fez e deixou o celular de lado, em algum momento ele tentaria contato.



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