Os flocos de neve caiam mais rapidamente perante os olhos de Simon, quase como gotas congeladas e ele corria seguindo por alto a silhueta de Sora adentrar o campo esbranquiçado, pelo seu ponto de vista, ela deixava pequenas pegadas para trás e de repente, o tiro rompeu o ar. O sangue espirrou da sua perna esquerda e maculou a neve. Sora caiu de joelhos e Simon sentiu por uma fração de segundos, seu corpo perder a força e travar no meio do percurso, um pensamento automático invadiu sua mente.
"Não."
A caminhonete e um Jeep se aproximavam da moça ferida, ela arfava, com metade do rosto beijando o chão gelado abaixo dela.
"Não atirem." - disse em russo um dos homens saindo da caminhonete fazendo um gesto com a mão esquerda para os demais.
A velocidade do vento se intensificava, balançando os sobretudos e cachecóis do restante dos homens que se juntavam. Simon avaliava que com sua arma, seria inútil tentar acertar aquele que se ajoelhava a frente de Sora, que provavelmente seria Ivankov, ele não conseguiu identificar ao certo, mas pelo gesto de comando que fez, era provável que fosse ele.
Simon silenciosamente ia se aproximando, ele tinha certeza de que não havia mais ninguém atrás dele, havia abatido todos com quem entrou em confronto ou acabou descobrindo a posição no meio da floresta. Ele poderia tentar se aproximar até os limites da floresta, onde ainda poderia ser escondido pelas arvores e arbustos e tentar acertar, ou esperar que eles se aproximassem. Ele tinha que ser rápido caso isso acontecesse, mas ele estava sozinho, e de cada carro havia saído cinco homens. Eram dez contra um.
Ivankov se ajoelhou, e segurou o cabelo de Sora pela nuca e a levantou da neve para que pudesse encarar seus olhos azuis gélidos.
"Ora ora se não é a moça da Cabana...." - ele esboçou um sorrisinho e a levantou pelos cabelos. - "Foi essa mulher tentou me enterrar vivo... "
"Você parecia ter sido atropelado aquele dia, chefe." - comentou um em tom de zombaria
Simon de longe ouvia os dizerem em Russo e gargalhadas dos demais. Um dos homens tentava comunicação com a outra equipe eliminada por Simon e sua fala preocupada, fez cessar as gargalhadas do bando.
"Ivan, temos um problema. Não consigo falar com ninguém da outra unidade."
O rosto de alegre sadismo se desfez ao ouvir a notícia, ele se virou para Sora e apertou ainda mais a raiz dos seus cabelos e disse em Inglês:
"Tem alguém aqui com você não tem?"
"Não tem ninguém aqui, idiota." - ela falou e o encarou com dor e ódio queimando em seus olhos.
"Se você não conseguiu matar um homem é impossível que sozinha tenha matado o resto."
Sora, em meio a dor, angústia e ódio, notou um item brilhante, um broche dourado preso no peito direito de Ivankov. Naquele momento, tudo parou, era a medalha de Honra de James. Ela cravou as unhas no rosto do homem, que a soltou por um instante, foi tempo suficiente para que ela tentasse agarrar a jaqueta para retirar o item.
"Me devolve isso!" - ela bradava revoltada de ver o item estampado naquele ser humano, que não era digno de usá-lo.
A dor da sua perna foi ofuscada por um tapa no seu rosto que a fez ver tudo negro, seus ouvidos começaram a zunir e ela quase sentiu seus sentidos apagarem. De longe, Simon assistia a cena enquanto pensava em milhares de possibilidades de poder tirar Sora daquela situação, mas a chance de vitória ali, era ínfima. Ele sempre foi conhecido por ser analítico e se distanciar das situações, afinal, ele era Ghost. Porém, a cada tapa e a cada gesto agressivo contra Sora, fazia com que seu estômago revirasse, agir por impulso não era uma opção, por mais que quisesse ajudá-la.
"Você quer isso não é?" - ele tirou o broche do peito e leu - "Sargeant James Campbell."
Os olhos de Ivankov brilharam e o mesmo sorriso sádico retornou ao seu rosto ao fazer a associação imediata dos fatos.
"Ah é mesmo. As fotos."
"Ivan, provavelmente um dos Ingleses está vivo ainda." - interrompeu o homem ainda preocupado, ele, aflito, queria que Ivan voltasse sua atenção ao que interessava. - "Pode ser até mais de um, porque eu não recebi nenhum sinal dos outros homens." - comentou preocupado.
"Não brinca.'" - Ivankov se volta a Sora - "É um ou mais homens? Você não ia estar sozinha aqui. Não...'' - ele retira uma faca do bolso e coloca no pescoço dela - "Você está sozinha ou não?"
Ela sente o fio afiado da faca romper a primeira camada de pele, e sente o provável sangue escorrer do mero atrito com a lâmina. Ela sente as lágrimas brotarem dos seus olhos, não queria dedurar Simon, mas queria viver.
"QUEM ESTÁ COM VOCÊ? É UM, SÃO DOIS, TRÊS? QUANTOS HOMENS?" - Ele pressionou a boca contra o ouvido da moça e a balançava com violência.
Ela sente tudo borbulhar por dentro dela quando escuta os gritos do homem, não há forma dela se defender contra ele, ou eles. Ela sente as lágrimas descerem pelo seu rosto como cachoeiras, sabe que se ela não falar, morreria ali.
"É um homem..." - ela diz baixinho, com medo de que Simon escutasse.
De longe, ele já está ciente do que está acontecendo. Por dentro, os mesmos sentimentos dela batem dentro dele, ao ouvir os gritos de Ivan que poderiam ser ouvidos por quilômetros, pelo tom e agressividade.
"Ele se chama Ghost."
O rosto de Ivankov se distorce, de uma sensação de poder, havia decaido para um peso gélido dentro do seu estômago.
"Cyka blyat...(puta merda)" - rosnou para si mesmo. Ele pegou o broche e o colocou no bolso.
Silenciosamente, consternado e impaciente, ele fez um gesto para que todos entrassem nos carros. Simon sentiu o desespero bater, porém, para sua sorte, eles tomaram o caminho contrário de Fort Nelson, e pareciam subir montanha novamente, o que o fez pensar que havia uma base dentro da Floresta, assim lembrou dos rastros de carro estrada acima quando havia encontrado a cabana sem ninguém há alguns dias atrás, ele contava que aquelas marcas ainda estariam por lá, mesmo encobertas pela neve. Assistiu impotente a captura da moça, ele tinha que bolar um plano e rápido, então, engoliu o desgosto de ter que assistir e deixar a moça ir embora, se levantou, e tomou seu caminho de volta a Cabana.
"Provavelmente é uma armadilha e você sabe disso." - pensou consigo mesmo, tentando lutar contra seus pensamentos que o acompanhariam a subida novamente. - "Mas eu preciso ir."
Alguns minutos depois, os dois carros pararam de frente a Cabana de Sora, Ivankov, dentro do carro, deu uma certa ordem a dois russos. Sora, desesperada por dentro, imaginou que de alguma forma, seria questionada sobre as armas, era um pensamento ansioso, porque era impossível que o arsenal fosse descoberto agora, não havia sido descoberto antes. Ela suava frio e ainda tinha o agravante do sangue que escorria da sua perna. Os dois homens saíram, pegaram algo de trás da caminhonete, Sora ia tentando acompanhar os dois, tremia por inteiro. Ivan, estava focado nos homens e assim que os dois voltaram ao campo de visão de Sora, ela viu o que havia em suas mãos, dois galões de gasolina.
"Não.. O que..."
Ela assistia em choque os homens entrando dentro da casa, ficaram um tempo por lá e depois, saíram da mesma e aí ela entendeu. Cada um jogava de qualquer jeito uma quantidade de combustível em cantos estratégicos da casa e quando cada conteúdo se acabou, um deles acendeu um cigarro, deu um trago e o jogou ao alcance da varanda molhada. Ela sentiu seu peito afundar, com a imagem das labaredas subindo e engolindo aos poucos cada canto da edificação.
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Wolf and Raven
Fiksi IlmiahSimon Riley, em uma missão juntamente com Soap e uma equipe de seis soldados, são emboscados em uma operação no estado de British Columbia, no Canadá. Sozinho e ferido no meio de uma densa e sombria floresta, ele está quase a ponto de desistir de su...
