A frase do oficial martelava em sua cabeça, James tinha contato direto com uma possível célula terrorista. Ela fechou os olhos depois que Simon fechou a porta do seu quarto, que estava longe de se comparar com o lar amadeirado que tinha deixado no Canadá. O ambiente frio quase hospitalar a recebeu como um abraço gélido, parecia nunca ter sido tocado, nem utilizado. O que ela poderia fazer a não ser esperar pela notícia.
Fora do quarto, Simon ponderou, sentiu que estava aprisionando um animal selvagem, tão diferente de todos ali, mas um animal domado, longe da imagem borrada que o salvou, o poncho avermelhado e o chapéu de couro, quase uma entidade das florestas, uma caçadora tirada do seu habit por um motivo que ela não podia controlar.
As horas passagem, Sora abriu um livro velho, sim, as páginas estavam praticamente queimadas pelo incêndio, mas ela mantinha consigo aquela ultima memória... no final do livro, uma assinatura de James e a data e uma dedicatória a ela, de forma despretensiosa
"To my fiance"
Ela olhou no relógio de parede, em que seus ponteiros ecoavam pelo quarto silenciosos de janelas hermeticamente fechadas. Pegou o livro e se levantou. Eram quase onze da noite e o fuso horário batia forte em seu sistema nervoso, já não tinha noção mais de espaço e tempo, de uma paz momentânea para o caos silencioso.
Ela abriu a porta com o livro, as luzes de emergência ligadas pelos corredores davam as instalações um ar obscuro, como se não fosse permitido transitar por eles. Ela vestiu o moletom e calçou as botas, conseguia ouvir o barulho de alguns oficiais indo e vindo, seguindo as placas de sinalização, ela encontrou o espaço da lanchonete. Uma luz quase esverdeada de tão forte fez com que suas pupilas dilatassem e por um momento ela ficou exposta demais.
Ela balançou a cabeça e foi até uma máquina de bebidas para pegar um refrigerante ou um café, o livro semi-destruído na mão esquerda. Puxou os bolsos e esqueceu do telefone para fazer o pagamento.
"Merda" - murmurou
uma mão se adiantou com um dos dedos, antes de tocar, a figura altiva se virou para o lado
"Quer o que?"
Ela se assustou e viu que era ele, estava com a máscara acima do nariz , um leve cheiro de café e cigarro tomou conta do espaço entre eles.
"Ah era uma coca mesmo."
Ele assentiu e digitou o código, aproximou seu cartão e a bebida desceu, entregou a ela.
"Sem sono?"
"Jat lag" - ela disse brevemente, enfiando o livro pra debaixo do braço e abrindo a coca.
Os dois como se em sincronia andaram juntos até uma mesa próxima da janela, onde lá fora caía uma tempestade.
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Wolf and Raven
Science FictionSimon Riley, em uma missão juntamente com Soap e uma equipe de seis soldados, são emboscados em uma operação no estado de British Columbia, no Canadá. Sozinho e ferido no meio de uma densa e sombria floresta, ele está quase a ponto de desistir de su...
