Epílogo

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(Capítulo não revisado)


Nova York fica em silêncio por exatos cinco minutos, é um tempo consideravelmente grande para a cidade. Os carros param. Os trens estão temporariamente suspensos. O mundo parece ficar silencioso. Nos grandes telões, o rosto de Andrew Stark estampa os altos prédios, um sorriso gentil, carinhoso, até mesmo suave. A morte do filho de Tony Stark reúne pessoas ao redor do complexo dos Vingadores, rosas brancas são jogadas na entrada. Pessoa por pessoa anda pela pista, uma fila enorme se estendendo por quilômetros, parando em frente a porta com um único motivo: colocar uma rosa branca na entrada.

A história que é vendida na mídia é que Andrew Stark teve um emocionante confronto contra a Arqueira, os dois morreram lutando. A identidade da Arqueira foi revelada como Alana William, um nome falso, mas que a equipe escolheu deixar para que não precisasse explicar o passado da ex-integrante. Dez andares foram interditados pelas bombas, trinta e cinco pessoas morreram, cento e quarenta e quatro ficaram feridas, quinze estão no hospital em estado grave. Aos falecidos, há um memorial ao lado da entrada do complexo, nome embaixo de nome para lembrar de cada pessoa que morreu por causa da Arqueira.

Alexander Esposito se matou.

Ele atirou contra a própria cabeça ao receber a notícia de que sua irmã era a Arqueira, a mesma mulher que matou Isaac Malenty e Andrew Stark. Os miolos pintaram as paredes do quarto de Alexander, memórias de uma trágica morte de um adolescente.

É um pouco mais complicado do que Andrew planejou, ele queria que todos pensassem que estava morto. Se Nova York inteira acreditasse na morte dele, Andrew finalmente poderia viver em paz, em seu minúsculo apartamento na cidade esquecida em Washington, com Isaac Malenty o visitando de vez em quando. Tony Stark não conseguiria ir atrás dele imediatamente, assim que saísse a notícia, pois Peter hackearia o traje e faria com que atrasasse. Desse modo, ele só veria o corpo de Andrew no necrotério antes de vedarem o caixão para que o funeral ao público pudesse ser feito. Com o caixão velado, Andrew assistira ao próprio enterro sem que ninguém desconfiasse que o peso no caixão era feito por pacotes de arroz.

Todo seu plano estava arquitetado antes de descobrir a identidade da Arqueira. Sempre esteve planejando a sua falsa morte, mas a de Isaac? Não era uma morte que Andrew estava planejando forjar, porém acabou precisando.

O veneno não o matou como Beatrice havia dito, era só uma maneira de fazê-lo perder o controle e funcionou.

Com um suspiro pesado, Andrew tira de dentro do bolso do sobretudo o maço de cigarro e o isqueiro. Em silêncio, ele coloca o maço e o isqueiro em cima do túmulo de Isaac Malenty.

– Por você. – Andrew faz a promessa, sentindo o peito apertar com a dor que o abraça. – Sabe de uma coisa, Isaac? Eu queria ter admitido que eu te amava como um irmão, eu sei que provavelmente riria de mim e me chamaria de brega porque nunca fomos do tipo que abraça o outro e diz o quanto o ama. Mas eu gostaria de aguentar todas as suas provocações só para dizer o quão importante você foi para mim. Você lutou por mim sem eu fazer questão de lutar por mim mesmo, mesmo que eu lutasse por qualquer um. Eu sei que você não lutava por ninguém, mas lutou por mim. – Andrew agacha na grama, pressionando a mão contra a terra úmida. – Essa era a grande diferença entre nós. O abismo que nos separava. Eu deveria ter lutado mais, deveria ter implorado mais. – Andrew soluça, abafando o som com a palma da mão porque sabia que estavam o esperando. – Eu sinto muito, Isaac. Foram tantos erros que eu cometi, tantas coisas que quis fazer melhor, porém você... Você, Isaac Malenty, foi a melhor coisa da minha vida. O melhor amigo que eu pude ter. Sabe, eu acho que Beatrice estava certa, no fim das contas. Claro, aquelas jovens no México não mereciam ter sofrido. As pessoas que morreram nas mãos dela também não mereciam. Mas ela perdeu tantas pessoas e fazia sentido ela acreditar que a culpa era minha. Uma vida inteira de ódio e vingança, correndo atrás de mim como uma sombra que eu não sabia que tinha. Porra. – Andrew cai na grama, pouco se importando se suas roupas ficariam sujas depois. Ele não aguenta suportar o peso do próprio corpo, tudo parece demais para ele, a dor é insuportável e Andrew não consegue ver como vai lidar com o luto daqui a alguns meses. Alexander. O peso de todos aqueles jovens do México. É simplesmente insuportável. – Ela só continuou vivendo para me destruir, Isaac. Era a visão de mundo dela e estranhamente eu a entendo, porque se eu acreditasse que alguém matou dezenas de crianças, eu também teria feito a vida dela inferno. Agora eu penso, será que mereço estar vivo? O que me deu o direito de matar ela? Eu a odeio profundamente, mas só porque ela tentou matar você. Eu não teria a matado mesmo depois do México, eu iria preferir que ela apodrecesse em uma cela. Porém foi tanta raiva, tanto ódio me consumindo e eu só queria sentir o coração dela parar de bater.

Lar, doce lar - Bucky BarnesOnde histórias criam vida. Descubra agora