Capítulo 8

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Violet

Quando o homem falou que iria me levar ao seu escritório, não imaginava que seria em um galpão no meio do nada. Nunca em anos pensei que me encontraria em uma situação como essa. Estou em um galpão cheio de drogas no México, com membros de umas das gangues mais perigosas do continente.

Vim em um dos carros que estavam a postos com seus homens, enquanto o chefe veio em sua moto. Por todo caminho seus homens mantiveram a mira das armas em minha direção.

O escritório fica no segundo andar. Ter que subir uma escada estreita com esse vestido e saltos não é muito fácil e confortável. Assim que entramos, percebo que sua sala é um ambiente espaçoso e arejado. Fico em pé encarando todo o lugar, enquanto ele conversa em espanhol com Pedro.

- Quando Gabriela irá voltar de Rosarito? - Ouço o homem perguntar.

- Só amanhã de manhã, Miguel. - Então seu nome é Miguel. Esperava que fosse ser algo mais assustador para combinar com sua reputação e aparência. Acho Miguel muito comum para ele.

- Assim que ela voltar, peça para ela comprar roupas e itens femininos. Manda para minha casa.

- Vai deixá-la em sua casa? - Pedro pergunta surpreso.

- É o único lugar onde posso vigia-la de perto. Além do mais, a patricinha não parece um risco para nós por enquanto. - Fico tentando imaginar como será a casa de um homem como ele. - Agora, nos deixe a sós.

O homem sai pela porta, fechando-a em seguida. Ficar sozinha com Miguel me deixa um pouco nervosa e tímida. Ele é extremamente intimidador.

- Pode se sentar. - Ele quebra o silêncio e aponta para uma das cadeiras que ficam de frente para sua mesa.

Miguel se senta em sua cadeira e me encara como se lesse meus pensamentos. Sua pose imponente demonstra que é uma homem que dita as regras em qualquer jogo, então não penso em negar seu pedido. Arranco meu véu, colocando-o no sofá marrom ao lado da porta, e me sento em uma das cadeiras, ao mesmo tempo em que desfaço meu penteado. Quase solto um gemido de alívio quando sinto meus cabelos soltos livremente. Massageio meu coro cabeludo tentando aliviar a dor de cabeça que ficou por causa do penteado apertado.

Ele observa tudo em silêncio. Creio que esteja esperando que eu conte minha versão.

- É uma história longa. - Começo dizendo. Falo em espanhol para mostrar que não sou tonta e sei tudo que ele e seus homens conversam entre si.

- Temos todo o tempo do mundo. - Diz sarcástico. - Ou tem algum lugar para ir?

Ele se ajeita em sua cadeira, deixando seus pés em cima da mesa. Depois, pega um cigarro do maço que estava em seu bolso, junto de um isqueiro dourado com uma cruz no centro, e o acende. Miguel coça sua barba e me olha esperando que eu comece a contar.

- Foi um casamento arranjado. Meu pai me forçou a casar com Callum por conta de uma aliança política. - Começo dizendo.

- Imaginei. Seu pai nunca me pareceu um homem que faz o que prega. - Olho para curiosa.

- Você conhece meu pai?

- Sim. De onde você acha que ele tira dinheiro para essas festas? Terence me fornece drogas, eu as compro e exporto para outros cartéis. - Nem me sinto surpresa. Sempre soube que meu pai era metido com negócios ilegais.

A Mulher do ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora