Capítulo 51

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Violet

O tiroteio cessa por completo e o único barulho que ouço é meu coração batendo forte em meu peito.

Mesmo com o silêncio, não levanto por nada, ainda não sei se está seguro ou não. Olho amedrontada para Alfonso e para meu desespero percebo que ele desmaiou, provavelmente por conta da perda de sangue e da dor. O desespero me consome de vez.

Quando penso em levantar ouço barulho de passos. São lentos e arrastados. A medida que vão ficando mais audíveis, tenho a certeza de que a pessoa está se aproximando de onde estou. Meu coração dispara de medo. Torço para que seja Miguel ou qualquer um de seus homens, no entanto, para minha decepção, um completo desconhecido para a minha frente.

Deve ser um dos homens do meu pai. Está coberto de sangue e ferimentos, e também carrega uma arma dourada idêntica a de Miguel. Idêntica é pouco, na verdade é a mesma arma. Isso só pode significar uma coisa, mas não quero acreditar.

- Você está sozinha agora, princesa. - Sua voz sai fraca e com dificuldade, em seguida ele cospe um pouco de sangue no chão. - Últimas palavras?

O homem aponta a arma em minha direção, fazendo com que minha respiração fique ofegante pelo medo do que está por vir. Meus olhos se enchem de lágrimas e minhas mãos tremem. Não digo nada, apenas, fecho os olhos, protejo minha barriga e aguardo o impacto dolorido.

Quando ouço o disparo dou um pulinho de susto pelo barulho alto. Estranho a situação, porque não sinto nada, nenhuma dor. Abro os olhos lentamente e olho para todo meu corpo. Meu vestido está coberto de sangue, mas não tenho qualquer ferimento.

Levanto o olhar e vejo a cena mais macabra da minha vida. O homem que tentou atirar em mim está morto no chão próximo a mim com um tiro exatamente em sua cabeça. A náusea pelo que vejo vem com força, mas tento controlar.

- Você está bem, amor? - Quando ouço essa voz, meu coração dispara. Fiquei tão distraída com a cena que não percebi a pessoa em pé de frente para mim.

Miguel está assustador. Está sem o colete a prova de balas por isso vejo que sua blusa branca está coberta de sangue. Tem ferimentos em seu rosto e no canto inferior do seu abdômen também, pois sua mão está posicionada ali.

Me levanto sem pestanejar e o abraço com força. Ele geme de dor o que me faz com que eu tente recuar, mas Miguel não deixa. Ele me aperta de volta.

Não consigo evitar que lágrimas saiam do meu rosto. Foram fortes emoções que eu vivi nessas últimas horas, ainda mais grávida que tudo fica muito mais intenso.

- Você está bem? Eles fizeram alguma coisa? E o bebê? - Miguel faz milhões de perguntas preocupado. Apenas sorrio e emolduro minhas mãos em seu rosto.

- Está tudo bem agora que você está aqui. Estamos bem. - Já imaginava que Gabriela contaria pra ele sobre a gravidez depois que fui sequestrada.

Miguel sorri verdadeiramente e beija minha testa. Em seguida, para minha surpresa, ele se ajoelha no gramado mesmo sentindo dores. Suas mãos acariciam minha barriga e depois desfere beijos por ela toda. Não consigo evitar de chorar de emoção.

- Eu te amo, meu bebê. Agora você e sua mãe estão seguros, vou protegê-los com minha vida. - Ele sussurra.

- Está tudo bem com você e o bebê, está grávida de duas semanas

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- Está tudo bem com você e o bebê, está grávida de duas semanas. No entanto, recomendo que vá a um obstetra para se consultar, afinal todo cuidado é pouco durante essa fase incial. - A médica termina de falar.

- Muito obrigada, doutora. - Agradeço e ela sorri em retribuição.

- Estão liberados. - Ela tira suas luvas e sai da sala em seguida.

Olho para Miguel que não está mais coberto de sangue e veste uma camisa limpa. Ele segura minha mão com força e a acaricia.

Depois que saímos de lá, viemos direto a um hospital em Tijuana. Alguns homens de Miguel se feriram e precisavam de cuidado urgente. Os únicos que ficaram ilesos foram Pedro e o gigante que agora eu sei que se chama Ivan, o resto foram todos feridos. A maioria foi algo superficial, o mais grave foi o de Alfonso, mas agora ele está bem e logo irá se recuperar.

Já os de Terence, uma grande parte morreu e os que sobreviveram, Miguel os trouxe pra cá.

Meus pais e María não sobreviveram, foram atingidos por alguma bala perdida. Pensei que ia ficar pelo menos triste e alguma lágrima iria sair por serem meus pais, querendo ou não, mas não senti nada a não ser um vazio. Eles tiveram o castigo merecido depois de tudo o que fizeram e falo isso, incluindo María. Ela também foi cúmplice de tudo o que aconteceu.

Juancho ainda está vivo e não quero nem pensar o que Miguel fará com ele. Meu namorado não tem nenhuma tolerância para traidores, muito menos um que é da família. A única coisa que sei é que está preso em um dos galpões.

- Vou te levar em casa, depois tenho que resolver algumas coisas. - Ele avisa enquanto me ajuda a levantar.

Até imagino o que ele terá que resolver.

- Tudo bem. - Respondo singela.

- Quando eu voltar, temos que conversar sobre muitas coisas. - Miguel fala me deixando preocupada.

- Sobre o que?

- Calma, princesa. Não é nada sério, é só sobre algumas coisas que descobri. Agora que está tudo acabado, podemos finalmente descansar.

Sorrio e dou um beijo em seus lábios. Mesmo que tudo esteja acabado e podemos finalmente ficar mais tranquilos, por que não me sinto assim?

A Mulher do ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora