Violet
Depois de mais ou menos uma hora o bar começou a encher. A maioria da clientela é masculina, mas há algumas mulheres também. Estou sentada no balcão conversando com Tereza, enquanto Gabriela e mais alguns funcionários servem as mesas.
Tereza está me dando dicas de como atender os clientes e já me alertou que alguns gostam de incomodar os funcionários de propósito. Presto atenção em tudo o que fala fazendo anotações mentais do que acho mais importante.
Está começando a escurecer e é nesse momento que Miguel entra no bar. Todos param de fazer o que estão fazendo e o encaram com admiração e respeito. Pelo o que soube de Gabriela, a gangue Los Santos cuidam da comunidade, apesar dos negócios ilícitos. Eles protegem e ajudam os seus, além de investirem na infraestrutura da cidade. Isso me faz admirar mais ainda meu protetor.
Ele anda pelo bar sem se importar com os olhares. Seu queixo está sempre levantado, como se desafiasse qualquer um que questionasse sua autoridade. Ele veste uma blusa preta, uma bermuda e um boné virado para trás. Percebo que ele tem tatuagens até nas pernas.
Miguel levanta sua mão para tragar seu cigarro, mas para no meio do caminho quando seu olhar me acha entre a multidão. Dou um sorriso sem graça sem sabe como reagir, ele apenas permanece sério.
Ele e seus homens se aproximam do balcão onde estou. Miguel puxa uma cadeira e se senta do meu lado. Vejo que o mesmo homem que apareceu em sua casa mais cedo está aqui, acredito que seu nome seja Juancho.
- Oi, amor. - Gabriela cumprimenta seu marido com um beijo. - Já conheceu a Violet?
- Não oficialmente. - Pedro se vira para mim e dá um sorriso. Dentre todos os homens de Miguel, ele é o mais simpático. - Sou Pedro, marido da Gabriela.
- E eu sou a Violet. - Trocamos um aperto de mão rápido e em seguida Juancho se levanta da cadeira, vindo para perto de mim.
- Acho que não nos conhecemos ainda, nena. Sou Juan Alberto, também conhecido como Juancho. É enorme prazer te conhecer, Violet. - Ele pega minha mão e beija demoradamente. Ouço Miguel bufar, mas apenas ignoro e dou risada.
- Ay, chega, Juancho. Parece que nunca viu mulher na vida. - Gabriela empurra o ombro do irmão. - O que acha de darmos uma volta na praia, Violet? Meu turno já acabou.
- Eu adoraria. - Falo empolgada.
- Podemos, Miguel? - Questiona ao primo.
- Podem, mas não vão para muito longe. Vou deixar alguém de olho em vocês, Tijuana não é muito confiável a noite.
Nos despedimos dos meninos e saímos do bar de mãos dadas. Como o estabelecimento fica em frente a praia, é só cruzarmos a rua e já chegamos. Tiro minhas sandálias e sinto a areia entrar pelo meu pé. Aproveito cada minuto dessa sensação.
- Aqui é uma paz. - Digo enquanto caminhamos e observamos a noite estrelada e a maré baixa.
- Nem sempre foi. Na época em que meu tio, o pai de Miguel era líder, aqui era uma bagunça. Tiroteio o dia inteiro e era perigoso sair de casa, principalmente sendo mulher. Os homens do tio Pablo eram uns porcos assediadores, achavam que podiam tocar e fazer o que quiserem com qualquer mulher. Depois que ele e minha tia morreram, meu pai cuidou de Tijuana por um tempo, até que Miguel tivesse idade o suficiente para assumir o comando. - Ouço com atenção.
- Então, Miguel mudou tudo por aqui?
- Sim, ele mudou as regras. Os homens não podem encostar nas mulheres sem o consentimento e não há mais tiroteios e violência nas ruas. Miguel pode ser bem duro as vezes e sério demais, mas ele tem um bom coração.
Caminhamos por um tempo, enquanto conversamos sobre Miguel. Fico impressionada como as aparências enganam. Enquanto ele é um cara que faz o bem para sua comunidade, meu pai que deveria fazer, pois é seu trabalho, não faz nada a não ser desviar dinheiro e viver de aparências.
- E como você conheceu seu marido? - Pergunto curiosa.
- Eu e Pedro fomos criados juntos. - Ela começa a me contar. - Eu sempre tive uma queda por ele, mas ele nunca quis saber de mim. Como eu era irmã do amigo dele, não queria ficar comigo de jeito nenhum. Eu fui crescendo e aceitei que nunca iríamos ficar juntos, então comecei a viver minha vida. Conheci gente, namorei e aproveitei muito. Pedro morria de ciúmes, mas não queria assumir que gostava de mim, então eu ignorava.
- Você fez certo. - Se ele não queria assumi-la, não podia impedir que ela ficasse com outras pessoas.
- Ele também chegou a namorar uma menina. - Sua voz fica raivosa do nada. - Aquela vadia chegou a se relacionar com Miguel também. Tinha uma carinha de santa, mas só a cara mesmo, porque de resto era uma víbora. Meu primo era apaixonado por ela, acho que foi a única mulher que ele se relacionou sério.
Não consigo imaginar Miguel se relacionando sério com alguém. Ele me parece ser o tipo de cara que pega, mas não se apega.
- Mas ela ficou com Miguel e Pedro ao mesmo tempo?
- Não, primeiro namorou meu marido, depois terminaram. Ela só foi ficar com Miguel, depois que eu e Pedro começamos a namorar. Mas eu lembro que mesmo junto do meu primo, aquela puta ficava atrás de Pedro. Não posso me lembrar da cara dela que já me dá um ódio. - Dou risada da situação, mas não julgo Gabi. Teria os mesmos sentimentos se fosse comigo.
- Onde ela está agora?
- Ela foi para San Diego. Espero que não volte mais. - Gabriela faz o sinal da cruz de um jeito engraçado me fazendo rir.
Depois de andarmos mais de meia hora, voltamos para perto do bar. Miguel está sentado em sua moto, enquanto fuma. Nos aproximamos dele.
- Pedro está te procurando para ir embora. - Ele avisa Gabriela.
Ela se despede de mim e entra no bar em seguida, em busca do marido.
- Pelo visto se divertiu bastante hoje. - Miguel fala com o rosto está sério, mas seu tom é brincalhão. Sorrio em resposta. - Podemos ir?
Aceno com a cabeça. Miguel me dá seu capacete me ajudando a colocar e depois me ajuda a subir em sua moto. Abraço seu tronco suavemente para me apoiar, sentindo seus músculos rígidos.
- Você não vai usar capacete? - Pergunto preocupada. Ele pode se machucar sério se não estiver usando um.
- Não tenho medo do perigo, princesa. - Diz dando uma risada sarcástica. - Pode se segurar mais em mim, não vou te morder, a não ser que queira.
A sorte é que ele não pode ver meu rosto vermelho igual a um tomate. Sem esperar eu me recuperar do flerte, ele dá partida com a moto.
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A Mulher do Chefe
Roman d'amourEla é filha de um milionário e se encontra presa num casamento arranjado. Ele é líder de de uma gangue e não quer se envolver com nenhuma mulher. Ela foge em busca de sua liberdade. Ele oferece proteção. Ambos não conseguem evitar a atração que sent...
