Simon Riley e Alice Walker, amigos de infância, se reencontram como sargentos no exército britânico, lutando juntos nos campos de batalha do Afeganistão. Porém, após seis anos de casamento, o relacionamento é abalado quando Alice desaparece durante...
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Após nosso banho, voltamos para o quarto, exaustos. Ainda não havíamos parado desde que chegamos; precisávamos daquele momento para descansar, para que Simon pudesse digerir tudo — principalmente ele.
Minha cabeça ainda fervilhava, presa à lembrança da boca de Simon em mim, que me fazia delirar em silêncio. Nunca antes eu havia sentido algo assim. Claro, já me conhecia sozinha, mas nada se comparava à intensidade daquele toque, à carícia daquela língua que parecia desenhar desejos onde eu nem sabia que existiam. A única coisa que meu corpo agora ansiava era imaginar como seria tê-lo dentro de mim — aquele tamanho, não natural, que eu temia que pudesse me rasgar ao meio.
— No que está pensando? — perguntei, enquanto deitados na cama, nossos olhos se encontravam, buscando uma conexão silenciosa.
— Em como estou cansada e com sono, mas quero ter certeza de que você vai dormir bem — ele respondeu com um sorriso fraco, e pude ouvir o suspiro que escapou dele.
— Eu estou bem. Pode dormir — disse, e sua mão pousou suavemente em meu rosto, fazendo meus olhos se fecharem, embalados por aquele toque delicado.
Meu corpo se rendeu ao relaxamento que sua presença me trazia. A respiração ficou mais pesada, os olhos marejaram-se, mas as lágrimas não caíram. Não era minha tristeza que importava agora. Quem precisava de consolo era ele, quem precisava de apoio era Simon. Eu precisava me manter neutra, precisa, firme — precisava ser a âncora para quando ele quisesse se agarrar.
As memórias do treinamento com meu pai invadiram minha mente, nítidas e cruéis como uma lâmina fria.
— Soldados não choram, você está me ouvindo? — sua voz ecoava em meus ouvidos, firme e implacável, enquanto eu tentava limpar as lágrimas teimosas que insistiam em escorrer.
— Soldados fortes não mostram suas emoções — repetia ele, como um mantra que eu precisava gravar na alma.
— Soldados fortes mantêm a mente limpa e tranquila durante a guerra, não importa o caos ao redor, não importa quem tenha caído, mesmo que seja seu parceiro de equipe. Você precisa se manter neutra, não pode demonstrar reação ou emoção. Soldados emocionados são os primeiros a morrer. Você está me ouvindo? — seu olhar de aço cruzava o meu, exigindo obediência.
Eu apenas acenei com a cabeça, colocando-me em posição de sentido, encarando a cena horrível diante de mim.
Meu pai acabara de matar um soldado que tentara me abusar. Eu não chorava por ele; chorava pelo que aquele monstro havia tentado fazer comigo. O toque repulsivo, ainda vivo na minha pele, ardia como uma ferida aberta — os dedos imundos que tentaram me violar.
Se meu pai tivesse demorado mais alguns minutos, não sei o que teria acontecido comigo.
E então, depois de quase esquartejar o homem à minha frente, ele começou o seu discurso sobre como soldados fortes não mostram emoções. Um ensinamento brutal que eu carregava até hoje, uma armadura que às vezes parecia me sufocar.