Simon Riley e Alice Walker, amigos de infância, se reencontram como sargentos no exército britânico, lutando juntos nos campos de batalha do Afeganistão. Porém, após seis anos de casamento, o relacionamento é abalado quando Alice desaparece durante...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Alguns dias haviam se passado desde a captura do traficante. A missão, bem-sucedida, nos trouxe não apenas o alívio da vitória, mas também uma sombra indesejada. O capitão Jones nos chamou para uma conversa reservada. Com a habitual expressão impenetrável e voz seca, informou que circulavam rumores sobre um possível envolvimento entre mim e Ghost.
Rumores, ele disse. Mas para nós, era verdade — uma verdade guardada com o mesmo zelo com que limpamos nossas armas: meticulosamente, em silêncio, sob disfarce.
Negamos, claro. Dissemos o que era necessário. Que éramos colegas. Companheiros de equipe, nada mais. O olhar dele demorou um pouco mais sobre mim, como se tentasse encontrar nas minhas pupilas algum reflexo de mentira. Mas ele nada disse. Apenas assentiu, e deixou o assunto morrer ali.
Ou assim pensávamos.
Desde então, suas ordens se tornaram friamente estratégicas. Eu e Ghost raramente éramos escalados juntos. Às vezes, ele nos separava até nas formações de patrulha. Eu entendi rápido o que ele pretendia: nos desmontar. Separar os elos da corrente antes que ela se fortalecesse demais para ser quebrada.
Hoje não foi diferente. Ghost foi enviado com a equipe Ômega para uma missão fora da base. Eu, por outro lado, fiquei relegada à manutenção das armas. Uma função necessária, sim, mas subestimada. Atribuí-la a mim — a mim — foi mais um golpe no ego do que no protocolo. Tenho mais experiência de campo do que metade dos soldados daquele pelotão, e no entanto, lá estava eu: limpando os rastros do combate de outros homens.
A irritação já não se esconde mais sob a pele.
Enquanto terminava de alinhar os rifles na bancada, ouvi a voz do capitão, firme e direta:
— Zero Dois, venha comigo. Temos uma reunião com um vilarejo próximo. Quero você como guarda de apoio.
Reuniões com líderes locais eram comuns. Proteger aliados civis fazia parte da rotina — uma das poucas partes humanas de todo esse caos. Mas algo na forma como ele disse "guarda" me incomodou. Um termo tão genérico, tão... substituível.
— Sim, senhor. Já estou a caminho.
Voltei à tenda rapidamente. Vesti o uniforme com precisão quase ritualística. Troquei minha máscara habitual por uma de caveira — gêmea da que Ghost usava. Era um símbolo nosso, silencioso, quase clandestino. Desde que voltamos de Manchester, adotamos esse hábito: as caveiras não eram apenas estética. Eram identidade. Eram pacto.
Ajeitei a máscara no rosto e, ao me olhar no pequeno espelho amarelado pendurado no canto da lona, algo em mim endureceu. Se Jones queria nos separar, que tentasse. Mas parte de mim sabia: nossa ligação não se rompia com distância.
Ela se fazia presente em cada respiração atrás da máscara. Em cada passo que eu dava, como se ele ainda estivesse ao meu lado.
E se eu tinha que ser apenas a sombra de uma sentinela nesta missão, que fosse. Mas seria uma sombra com dentes.