FIM

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Alguns dias depois...

Após o fim da missão, retornamos a Manchester. Nossa casa permanecia exatamente como eu me lembrava — como se o tempo tivesse apenas feito uma pausa ali. A fachada mantinha o mesmo tom de cinza escuro, marcada por detalhes em preto que pareciam absorver a luz cinzenta do céu sempre nublado.

Ao entrar, uma estranha familiaridade me abraçou. A sala havia sido modernizada: uma televisão de tela plana agora dominava uma das paredes, acompanhada de sofás pretos elegantes, mas ainda com o conforto de antes. As paredes seguiam em um cinza claro, aconchegante e sóbrio. Minhas plantas — as mesmas de sempre — estavam ali, firmes, sobreviventes silenciosas do tempo e da ausência, reunidas próximas às portas dos quartos, como sentinelas pacientes.

Ghost havia feito mudanças. A parede da cozinha havia sido derrubada, criando uma integração com a sala. No lugar, uma ilha preta tomava o centro do novo espaço, moderna e funcional. Os antigos armários brancos foram substituídos por modelos escuros, e eu amei isso. Aquela estética fria e elegante era o reflexo exato dele. E, de algum modo, também de mim.

Nosso quarto estava diferente. As paredes agora eram escuras, quase negras, como um abraço noturno. A roupa de cama seguia o mesmo padrão: tons profundos e calmos. Abri o armário e encontrei as mesmas roupas de antes — camisas pretas, calças camufladas, peças padrão da base. Tudo igual. A única exceção era o conjunto que eu havia usado no aniversário de Soap... há mais de dez anos.

Foi aí que percebi: eu precisava urgentemente de roupas novas. De uma nova vida para vestir.

Me agachei, revirando as prateleiras do armário, e ali estava ela — a pequena caixa que eu havia escondido há tanto tempo. Dentro, repousava uma correntinha de prata com a minha inicial. O presente que nunca foi entregue. O símbolo de uma versão de mim que ainda acreditava em aniversários tranquilos.

O que é isso? — a voz dele soou atrás de mim, baixa, curiosa. Me assustei, deixando a caixa cair.

Ghost se abaixou com naturalidade e pegou a caixinha. Com cuidado, puxou a corrente e a observou brilhar entre os dedos enluvados.

Eu nunca tinha visto isso antes... — sua voz era quase um sussurro — Era pra mim?

Assenti, engolindo um nó que se formava na garganta.

Sim. Comprei pro seu aniversário de vinte e oito anos. Escondi entre as roupas... e depois tudo aconteceu.

Ele não disse nada por um momento. Apenas estendeu a mão, tocando meu rosto com ternura. Fechei os olhos ao sentir o calor de sua palma. E quando os abri, ele me puxou devagar, colando nossas bocas num beijo silencioso. Sem pressa, sem medo. Um beijo com gosto de tempo perdido e reencontro.

Mas a campainha tocou, cortando o momento com brutalidade.

Ghost suspirou, deixando a caixinha sobre a cama com cuidado.

The Ghost's NightOnde histórias criam vida. Descubra agora