Birthday

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 Na manhã seguinte, saí à procura de John

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 Na manhã seguinte, saí à procura de John. Encontrei-o na academia, como já esperava. Sempre que algo o incomodava, ele descontava nos sacos de pancada — uma rotina silenciosa de frustração.

—Acho que a pessoa que você quer bater tá bem aqui. —Cruzei os braços, parando ao lado dele. —Então pode parar de espancar o saco e vem, John.

Ele cessou os socos, a respiração pesada marcando a tensão em seu rosto. Me encarou por alguns segundos antes de caminhar até o ringue. Peguei minhas luvas e subi, esperando que ele fizesse o mesmo.

Mas ele cruzou os braços e ficou apenas me observando, como se as respostas para o que sentia estivessem em mim — e, de certa forma, estavam.

—Não quero bater em você, Lice. —A voz dele saiu baixa, ferida. —Só não entendo... por que ela preferiu ele? O que ele tinha que eu não tenho?

Soltei uma risada seca e me aproximei da borda do ringue, levantando o mindinho com um sorrisinho cínico.

—Um pau pequeno. Garanto que era do tamanho disso aqui. —Ele riu, um riso fraco, mas ainda assim um riso. Era isso que eu queria. Uma brecha no luto, um respiro no caos. —Agora sobe aqui. Vou dar uma lição em você.

Ele caminhou até as luvas, calçou-as sem dizer mais nada e subiu ao meu lado. Estávamos prestes a começar quando uma voz familiar e autoritária ecoou pela academia.

—...e aqui é onde a equipe costuma treinar combate corpo a corpo. É onde a mágica acontece, por assim dizer.

Era Price.

Viramos ao mesmo tempo. Ele estava mostrando o espaço para alguém novo. Um homem alto, musculoso, cabelos brancos como a neve recém caída, coberto de tatuagens que subiam pelo pescoço e desapareciam sob a gola da camiseta preta. Olhos escuros, firmes. Aquele tipo de presença que não precisava de uniforme para impor respeito.

Se eu não fosse casada, teria encarado mais.

John também o observava com curiosidade.

—Novo recruta? —murmurei.

—Ou o novo pesadelo de alguém —ele respondeu, ainda olhando fixamente para o homem.

Price notou nossa atenção e sorriu de canto, como se estivesse prestes a soltar uma bomba.

—Esse é o tenente Dante Black, transferido direto da Legião Estrangeira. Vai supervisionar as operações conjuntas com os franceses nas próximas missões. E sim, ele vai trabalhar com a gente.

Dante nos encarou com um leve aceno de cabeça. Havia algo de predatório em seu jeito. Um lobo entre soldados.

—Merda... —sussurrei. —Lá se vai a paz.

John bufou, mas já não parecia tão afundado na tristeza. Missões novas, rostos novos. Talvez aquilo o tirasse da escuridão.

   Percebi que os olhos de John não desgrudaram do cara em nenhum momento — e o maldito também não tirava os olhos dele. Com certeza nenhum dos dois estava prestando atenção em Price. Para arrancar John daquela hipnose, desfiro um soco direto no rosto dele. Nada forte demais, só o bastante pra trazê-lo de volta.

The Ghost's NightOnde histórias criam vida. Descubra agora