Victoria Cross

912 62 17
                                        


Os dias se arrastavam como um relógio cansado, ticando fora de compasso

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Os dias se arrastavam como um relógio cansado, ticando fora de compasso. Minhas costelas haviam melhorado — ao menos o suficiente para que eu conseguisse me mover pela casa sem parecer feita de vidro —, mas ainda não podia pegar peso, correr, me esticar demais. E, sobretudo, ainda não podia fazer amor com Ghost.

Essa impossibilidade me corroía em silêncio. Não era apenas o desejo físico — era a ausência daquele encontro de pele e alma, da fusão que, por instantes, nos fazia esquecer o mundo. A cada tentativa frustrada, algo em mim se fechava um pouco mais. Começava com beijos suaves, toques que deslizavam como promessas, mas bastava um movimento em falso e a dor me atravessava como uma lâmina. E então eu recuava, com raiva de mim mesma, deixando Ghost ali, com seus próprios desejos silenciados.

Ele nunca reclamava. Nunca cobrava. Mas seus olhos, às vezes, ficavam longos demais no vazio, e seu toque, embora terno, parecia conter algo que não se permitia explodir. A frustração dele era um espelho da minha, mas ele a escondia melhor.

Na noite passada, tomei mais remédios do que deveria. Queria dormir — só dormir — e não pensar, não sentir, não desejar. Queria escapar da dor e do corpo que me traía. Apaguei antes mesmo que a noite tivesse tempo de se vestir de silêncio.

Quando despertei, já era manhã. A cama estava fria ao meu lado.

Ghost não estava ali.

Virei o rosto devagar, ainda meio grogue, e encontrei um bilhete repousando sobre o travesseiro dele. As letras eram reconhecíveis — firmes, ligeiramente inclinadas, como se ele tivesse escrito depressa, mas com intenção.

 As letras eram reconhecíveis — firmes, ligeiramente inclinadas, como se ele tivesse escrito depressa, mas com intenção

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

  Merda. Eu sabia que não deveria ter tomado tantos medicamentos, mas minha mente parecia incapaz de funcionar sem eles. Os pesadelos me perseguiam noite após noite, sombras e gritos que me arrancavam do sono. E mesmo desperta, qualquer ruído — o baque surdo de algo caindo — fazia meu corpo inteiro se enrijecer, como se o perigo estivesse sempre à espreita. Cheguei a um ponto em que não consigo mais assistir a jogos de beisebol, algo que antes me trazia calma, mas que agora só me lembra do silêncio opressor que habita minha cabeça.

The Ghost's NightOnde histórias criam vida. Descubra agora