Simon Riley e Alice Walker, amigos de infância, se reencontram como sargentos no exército britânico, lutando juntos nos campos de batalha do Afeganistão. Porém, após seis anos de casamento, o relacionamento é abalado quando Alice desaparece durante...
Aqui começaremos uma nova fase de The Ghost's night, não teremos POV's da Alice e sim somente do Ghost.
peguem seus lencinhos por que chorei escrevendo isso ok.
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Eu havia retornado de uma missão e a única coisa que desejava era correr para o quarto e encontrar Alice. Sentir seu calor, ouvir sua voz — a âncora silenciosa que me mantinha firme no meio do caos. No entanto, ao empurrar a porta, encontrei apenas o silêncio. Frio. Estático. Um quarto sem presença, sem rastros recentes de vida. Nenhuma peça de roupa deixada ao acaso, nenhum cheiro familiar no ar.
Um pressentimento me atingiu como uma lâmina. Aquela ausência não era casual.
Percorri a base como um cão farejando o rastro do que perdeu. Ninguém sabia de nada, ninguém a tinha visto. Meus passos se tornaram mais duros, mais rápidos, até que me vi diante da porta da sala de Price, como um espectro em busca de respostas.
Ele ergueu o olhar assim que entrei. Sua expressão era tranquila demais.
— Simon, que bom que está aqui — disse, com a calma que tanto odiava em momentos como esse. — Fui informado agora que Alice foi enviada para uma missão de resgate de última hora. O General Smith me disse que ela vai comandar a equipe de longe, mas que o braço dela já está muito melhor.
As palavras dele me atravessaram com um gosto amargo. Meu punho se fechou. Cada músculo do meu corpo implorava por movimento, por sangue, por reação. Alice havia fraturado o braço há menos de duas semanas tentando me salvar — um gesto que ainda queimava na minha memória mais do que qualquer explosão.
E agora, mandada para uma missão de resgate?
Com o braço mal cicatrizado?
Meu maxilar travou. A respiração veio curta, rasa. Um pressentimento... mais profundo agora, como um verme cavando por dentro da minha pele. Eu conheço Alice. Sei do que ela é capaz. Mas há riscos que nem mesmo ela deveria correr. E, pior, ela havia ido sem mim.
— Smith a enviou... sem minha autorização — murmurei, mais para mim do que para Price. — Sem apoio. Sem mim.
Meus dedos começaram a suar sob as luvas. Arranquei-as, cada movimento tenso e involuntário, e joguei-as sobre a mesa com uma força contida. Sentei-me diante de Price como um animal encurralado, o corpo presente, mas o espírito já correndo pelos campos do desconhecido.
— Ela está bem, Ghost — disse ele com mais firmeza. — Smith falou com ela há poucos minutos. Disse que tudo está correndo como o planejado. Ela deve voltar em breve.
Mas nada em mim acreditava nessas palavras. Não naquele tom, não naquela hora.
Há uma quietude que precede o desastre. Uma pausa no mundo. E, naquele momento, tudo dentro de mim gritava que algo estava errado.