Simon Riley e Alice Walker, amigos de infância, se reencontram como sargentos no exército britânico, lutando juntos nos campos de batalha do Afeganistão. Porém, após seis anos de casamento, o relacionamento é abalado quando Alice desaparece durante...
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Cinco malditos anos. E nada.
Nem corpo. Nem ossos. Nem sequer uma mecha de cabelo.
Nada que me diga se minha mulher ainda respira, ou se já foi engolida pela terra fria.
Nem sinal de que ela foi morta, tampouco viva — apenas um silêncio brutal, constante, que ecoa dentro de mim como um cântico fúnebre sem fim.
Quando contei a Michael, ele desabou. Não apenas gritou — ele explodiu. Quebrou tudo o que havia em sua sala com as mãos nuas, e depois marchou até a base do General Smith como se marchasse para a execução de um traidor.
E ele executou.
Um único tiro na têmpora. Frio. Cirúrgico. Forjamos um suicídio, e todos engoliram. Nenhuma marca de luta. Nenhum sinal de dúvida.
E então compreendi. De onde Alice havia herdado aquele olhar de vingança muda. Aquela quietude que escondia tempestades.
Michael se tornou meu irmão de guerra nesses dois últimos anos. O único que não me abandonou na neblina. Caçamos pistas, seguimos rastros de fantasmas, interrogamos canalhas que riam da morte como se fosse um jogo.
Mas o único lugar que nunca conseguimos vasculhar de verdade foi a maldita Rússia.
Uma pista nos levou até lá — um informante jurava ter visto uma mulher como Alice, aprisionada, escondida. Mas os russos não nos deixaram chegar nem perto.
Tive que pedir ajuda a quem mais desprezava: KORTAC.
Konig foi quem estendeu a mão. Fomos até a mansão abandonada onde diziam que ela havia sido vista — no meio do nada, cercada por árvores mortas e um silêncio que mastigava a alma.
E não havia nada. Nada além de escombros e vento. Nenhum vestígio dela. Nenhuma alma. Só a sensação de que estávamos atrasados. De novo.
Konig tentou ajudar mais, cavou contatos, pagou favores. Mas tudo levava ao vazio.
E então a pergunta me rasga, dia após dia:
O que eles queriam com o corpo da minha mulher?
Por que não a deixaram? Por que tirá-la de mim até no descanso?
Quem são esses fantasmas que a levaram? O que ela sabia? O que ela viu?
Ninguém sabe responder. Ninguém ousa tentar.
E isso me consome. Me enfurece. Me frustra não ter nem ao menos onde cair de joelhos e falar com ela. Derramar minha alma diante de uma lápide. Pedir perdão por não estar lá. Por não tê-la protegido.