Simon Riley e Alice Walker, amigos de infância, se reencontram como sargentos no exército britânico, lutando juntos nos campos de batalha do Afeganistão. Porém, após seis anos de casamento, o relacionamento é abalado quando Alice desaparece durante...
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Estávamos a apenas um dia da véspera de Natal. O frio do inverno parecia amenizado pela ansiedade silenciosa que pairava sobre nós. Meu pai já havia compartilhado todas as informações sobre Piter Davis, e eu passara os últimos dois dias mergulhada em cada detalhe, relendo anotações, esquemas, cruzando dados, como se a precisão da vingança pudesse compensar a dor que a precedera.
Enquanto isso, Simon seguia com a mesma máscara tranquila de sempre, fingindo que nada havia mudado. Mas eu via. Nos silêncios entre um gole de café e outro, no modo como ele demorava um segundo a mais encarando o nada. Ele carregava a morte da mãe como quem leva um altar invisível preso ao peito.
À noite, eu o ouvia murmurar o nome dela durante o sono. Eram preces inconscientes, sussurros que cortavam o ar com uma ternura dolorida. Mesmo fingindo normalidade, ele não estava ileso. Nem poderia estar.
Ainda assim, ele me surpreendia todas as manhãs ao acordar antes de mim, preparando o café com um zelo que era quase reverência. Trazia a bandeja até a cama com um sorriso calmo e olhos cansados, e cada gesto seu aquecia algo dentro de mim. Como se, a cada pequeno cuidado, ele colasse mais uma lasca do que restou de nós. E eu sentia — sentia que meu amor por Simon crescia na mesma medida em que crescia minha determinação de vingar a mulher que lhe deu a vida.
— No que está pensando? — a voz dele soou baixa atrás de mim, enquanto eu estava sentada no sofá, imersa em pensamentos.
Virei apenas o rosto, deixando que ele visse o sorriso discreto que me escapava.
— Em como minha vida virou do avesso tão rápido. — Estalei os dedos. — Nunca imaginei isso... estar assim. Apaixonada. Dividindo uma cama. Uma vida.
Ele sentou-se ao meu lado com suavidade, como quem teme quebrar a paz ao redor. Sua mão encontrou meu rosto e acariciou minha bochecha com os dedos frios, mas firmes.
— Eu também não — disse, parando o dedo em meus lábios, onde deixei um beijo leve como um selo.
Seus olhos estavam brilhantes, não de lágrimas, mas de algo mais denso: verdade.
— Superei minha mãe... superei a morte do meu irmão, e até o que meu padrasto fez comigo. Porque em todos esses momentos, você esteve lá. Você foi o meu refúgio, Alice. Mas o medo... O medo de te perder me destruiu por dentro. Aqueles dois anos em que me afastei, em que não falei com você, foram por isso. Eu tinha tanto medo de te perder que preferi me afastar antes que isso acontecesse.
— Eu...
Ele me interrompeu com a voz embargada de ternura:
— Eu não quero nunca mais ficar longe de você. Você é meu lar, Alice. Meu ser. Minha alma. Sempre fomos unidos, desde a infância, mas eu quero mais... quero que sejamos mais do que companheiros de equipe, mais do que amigos de uma vida inteira. Quero ser teu. Completo.