Último Capítulo - Estranho Final Feliz.
É curioso como a vida pode ser capaz de nos surpreender.
Há dois anos, jamais imaginei que um dia fosse me casar e hoje estou prestes a me casar com o amor da minha vida, o garoto com asperger mais encantador que eu já conheci em toda a minha existência.
Eu sei que hoje vai ser um dia muito cansativo e eu estou tão nervosa que eu estou até tremendo.
— Olheiras nos olhos, Ana? Por que não levou em conta aquilo que eu te falei sobre dormir bem? - Mia reclamou enquanto me maquiava.
— Eu tive um pesadelo horrível, Mia. Sei lá, acho que estou me sentindo um pouco insegura.
— Não começa, Ana. Vai dar tudo certo hoje. Pensamento positivo. E você não é o tipo de garota que se sente insegura. Você é forte, esperta e está ficando ainda mais linda. - Katherine elogiou colocando meu vestido de noiva em cima da cama.
Meu vestido não é exatamente um vestido de noiva com toda a pompa, é só um vestido branco na altura da canela.
A contragosto das duas - e principalmente da minha mãe - decidi me casar de tênis. Eu juro que tentei aprender a andar de salto alto e fino, mas não deu certo. Tropecei pela casa toda e para evitar tomar um tombo na frente do juiz, decidi ir de tênis mesmo. Christian achou um pouco estranho, afinal, nos últimos tempos ele vem lendo absolutamente tudo sobre casamentos. Mas com o tempo acabou tendo que aceitar minha ideia.
Nosso casamento será ao ar livre, nos fundos da mansão dos pais de Elliot, que cederam gentilmente a área para realizarmos a cerimônia. Devido à religião de Christian, nós receberemos também a benção de um reverendo. Ele disse que se sentiria melhor se tivéssemos uma benção assim e eu achei que seria bacana agradá-lo um pouco ao menos nisso.
Coloquei o vestido e enquanto Katherine fazia um penteado em meus cabelos, Carla apareceu com um par de saltos altos.
— Mãe! - Exclamei revirando os olhos.
— Disso eu não abro mão, Anastasia. Não quero que você apareça nas fotos do casamento de tênis! Filha, imagina você mostrando as fotos daqui a cinquenta anos para os seus filhos?
— Eles vão gostar. Vão perceber que a mãe deles não é careta. Aliás, quem disse que eu vou ter filhos?
— É claro que você vai ter. Christian está louco para ser pai - Katherine disse e eu arregalei os olhos — Daqui a alguns anos, é claro. Vocês são muito jovens ainda.
— E você também vai querer ter, filha. Você diz isso agora porque é muito jovem. Aliás, com o passar dos anos e a maturidade você vai mudar sua opinião sobre milhares de coisas, inclusive sobre saltos. Vamos, coloque os saltos. Anda!
Revirei os olhos e calcei os sapatos.
— Eu tenho medo de cair, mãe.
— O sapato tem solado de borracha e o salto não é tão alto, basta ter foco e se equilibrar. Vai dar tudo certo, querida. Confie. - Carla piscou para mim.
— Você está linda demais, Ana. - Mia me elogiou sorrindo.
— Só falta uma coisa. - Kate me entregou o buquê de rosas-brancas - Agora sim. Você está perfeita.
— Obrigada. - Agradeci sorrindo.
— Respira fundo. - Kate disse percebendo meu nervosismo, quando ouvimos batidas na porta.
— Quem é? - Perguntei.
— Sou eu, filha. - Raymond respondeu — Posso entrar? - Indagou já entrando no quarto.
— Já entrou mesmo. - Dei de ombros.
Ele ficou uns segundos parado olhando fixamente para mim. Raymond parecia travado. Não mexia um músculo sequer do corpo ou rosto.
— Raymond?
— Fala alguma coisa, Raymond! - Carla pediu.
— É que você está tão...
— É, eu sei. - Sorri.
— Minha filhinha! - Ele me abraçou forte.
— Ei, cuidado para não amassar o vestido dela, senhor Raymond. - Mia pediu e ele se afastou.
— Desculpe. É que você está tão maravilhosa, filha. É tão emocionante, você é minha única filha.
— E você é meu único pai.
— Eu amo quando você me chama de pai.
— Eu sei! - Dei risada. Em seguida, beijei a bochecha dele — Desculpe por todos os cabelos brancos que eu te causei.
— Você é o meu maior amor, filha. É isso que importa. No final, tudo valeu a pena. Eu te amo muito.
— Oh, que lindo! - Carla também me abraçou — Nossa família unida como nunca.
— E agora vai ser para sempre. - Raymond também me abraçou.
Sinceramente, esse pequeno doce momento me deixou muito, mas muito feliz.
[...]
Agora eu estava lá.
Em frente a casa de Elliot e pronta para entrar e me casar com Christian.
Minhas mãos ainda tremiam, mas eu tinha que me manter firme. Não queria fazer feio na frente de Christian.
— Vamos filha? - Raymond perguntou tocando minha mão.
— Eu tenho medo de cair, pai. Por que obedeci minha mãe e calcei esses malditos saltos?
— Qualquer coisa você pode se apoiar em mim. Vai dar tudo certo. - Ray beijou minha bochecha.
— Ok. - Respirei fundo e saímos do carro.
Depois, nós caminhamos até o jardim de Elliot. Quando chegamos lá, tinha muitas pessoas. Boa parte da cidade estava lá, ainda bem que somos uma cidade pequena.
Mas nada mais me importou quando eu me deparei com Christian no altar. Ele estava lá de terno, gravata, todo de preto. Seus olhos estavam fixos nos meus.
E foi assim que caminhei até o altar com Raymond, mantendo meus olhos dentro dos de olhos de Christian.
A cada passo que eu dava em direção ao altar, lembranças vinham em minha mente.
O dia em que reparei no moreno observando as formigas no jardim.
A primeira vez que percebi que ele estava me vigiando de sua janela.
O primeiro beijo.
Cada um dos sorrisos e lágrimas que derrubei por ele durante todo esse tempo.
São tantos momentos.
E eu só me arrependo daqueles que o fizeram sofrer.
Raymond me entregou para Christian e ele abriu um lindo sorriso para mim.
— Você está deslumbrante. - Ele disse baixinho - E está de salto.
— É, eu estou de salto. - Sorri de volta e respireu fundo.
Enquanto o reverendo fazia todo aquele discurso cafona, eu só conseguia pensar que daqui a poucos minutos, eu estaria casada com o amor da minha vida.
E era só isso que me importava.
— Anastasia Steele, aceita receber Christian Grey como seu esposo? Prometendo ama-lo e respeita-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença até o fim dos seus dias na terra?
— Claro! - Exclamei animada.
— Christian Grey, aceita receber Anastasia Steele como sua esposa? Prometendo ama-la e respeita-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença até o fim dos seus dias na terra?
— Sim.
Logo depois, nós trocamos as alianças, que eram douradas e com alguns brilhantes, presente de Carrick.
— Posso dar o beijo nela, senhor? Pelos meus cálculos, já era para o senhor ter dito para nos beijarmos há um minuto atrás. - Christian perguntou, arrancando algumas risadas dos convidados.
— Desculpe! É claro, vocês podem se beijar agora.
Então, eu fechei os olhos e Christian me deu um beijo carinhoso, seguido de uma salva de palmas de todos os convidados.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Estranho Amor
FanfictionAnastasia Steele é uma verdadeira garota problema que a contra-gosto é obrigada a se mudar para uma cidade pequena a fim de morar com seu pai, Raymond, o chefe de polícia de Spokane. É quando se depara com o filho de sua vizinha, um estranho garoto...
