Anastasia Steele é uma verdadeira garota problema que a contra-gosto é obrigada a se mudar para uma cidade pequena a fim de morar com seu pai, Raymond, o chefe de polícia de Spokane.
É quando se depara com o filho de sua vizinha, um estranho garoto...
- Anastasia, por acaso você sabe o que é Asperger? - Raymond perguntou tirando sua mão da minha. - Sinceramente? Não. - Neguei dando de ombros - É alguma doença grave? - Não, é um transtorno de espectro do autismo. Quem tem Asperger é muito sincero, não entende ironia, costuma ter hábitos muito regrados e repetitivos, tem dificuldades em assimilar sentimentos, enfim, é uma síndrome bastante complexa, de vários graus diferentes e cada portador tem seu próprio jeito de lidar com a vida. - Resumindo tudo isso... Ele é bem atrapalhado das ideias né? - Fiz piada segurando o riso. - Não fale desse jeito, Ana. Não me faça ter vergonha de ser seu pai. - Ele se levantou e bateu com a mão na mesa, visivelmente nervoso comigo. - Christian tem dificuldades sim, mas não é nenhum maluco, pelo contrário, possui até inteligência acima da média. Além do mais tem uma família linda, dedicada, que está sempre ao seu lado lhe ajudando a evoluir cada dia mais no tratamento. - Bem diferente da nossa família, não? - Me levantei encarando-o - Porque mesmo eu sendo normal, você nunca ligou pra mim. Aliás, Carla deve ter suplicado muito para que você aceitasse que eu viesse pra sua casa nessa cidade insuportável, afinal, você nunca gostou muito de conviver comigo. - Não é verdade, sempre me importei com você. Apenas não soube demonstrar meu amor durante muito tempo e me arrependo muito disso. - Ele retrucou - Por isso peço que por favor, não seja grosseira com Christian, não o machuque e na escola tente se aproximar dele e quem sabe, ser sua amiga. Isso vai te melhorar muito como pessoa, tenho certeza. - Como assim na escola? Eu vou estudar com ele? - Sentei-me novamente. - Sim, vou te matricular na escola da cidade amanhã mesmo e comprarei seu material logo depois. - Ele contou e suspirei fustrada. - Na boa pai, garotos como Christian não são meu tipo, se for me aproximar de alguém no colégio será de pessoas parecidas comigo. Por isso, não tem chance alguma de me tornar amiga desse garoto doido da cabeça. - Não fale assim Anastasia, você está sendo preconceituosa, sabia? - Ele afirmou me dando a bronca do dia. - Argh, quanto drama... - Murmurei voltando a comer minha comida. - Só estou falando a realidade para o senhor, não vou fingir que serei amiga e me darei bem com esse Christian pois provavelmente isso não vai acontecer. - Deixei claro ficando quieta. [...] O resto do jantar foi calado porque Raymond ainda estava chateado por minhas palavras. Até eu estou chateada comigo mesma por ter dito essas coisas, foi uma tremenda falta de respeito não só com meu pai, mas com esse menino que não tem culpa alguma de ser o que é. Aliás, ser o que ele é não é errado, é somente diferente. Só espero que eu consiga aprender isso de verdade algum dia. [...] Fomos dormir e no dia seguinte quando acordei meu pai já não estava mais em casa e só tinha deixado um bilhete avisando que tinha ido me matricular na escola e depois, iria comprar meus cadernos e trabalhar. Suspirei e tomei café rapidamente para depois sair de casa, pois se tem uma coisa que não gosto é de ficar presa no mesmo lugar por muito tempo. Apenas com um short jeans, camiseta e uma jaqueta saí para o jardim, onde do outro lado da rua vi Christian outra vez. Ele estava deitado de barriga para baixo na grana olhando atentamente para algo. Acabei rindo ao perceber que o ruivo estava apenas observando as formiguinhas trabalharem pegando as folhas das plantas e as levando para suas casinhas feitas de terra. Ele não tinha me visto pois estava de lado e resolvi não dizer nada que chamasse sua atenção, me limitando a apenas observa-lo. Foi quando uma garota saiu da casa onde ele mora, fez carinho nos cabelos dele, atravessou a rua e veio até mim. Ela é loira, magra e muito bonita. Seu rosto tinha traços fortes e seus olhos eram azuis, tom semelhante ao de uma das minhas atrizes favoritas.
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- Você deve ser a Ana, não? - Assenti com a cabeça. - Muito prazer, meu nome é Katherine, mas todos por aqui me chamam quase sempre de Kate. - Me deu um abraço e beijou minha bochecha. - Er... Prazer. - Dei um meio sorriso, colocando as mãos no bolso da minha jaqueta. - Seu pai tinha ido lá em casa hoje cedo. Ele disse que vai te matricular no mesmo colégio que estudo então provavelmente seremos colegas de classe já que devemos ter quase a mesma idade. - Contou sorrindo. - É, provavelmente. - Mordi o lábio. - Vi da janela que você estava observando meu irmão. Seu pai já deve ter contado do Asperger, certo? - Sim. - Pois bem, sei que ele estava te observando de toalha ontem mas meu irmão não fez aquilo por mal, ele só ficou curioso com a nova vizinha, isso é super normal da parte dele, no mundo dele. - Deve ser, não sei. - Sorri sem graça. - Sabe... - Se aproximou de mim diminuindo o tom de voz. - Chris ficou muito triste pela forma rude que você o tratou quando ele te deu aquela flor e fez o pedido de desculpas. Se puder conversar com ele e desfazer o mal entendido de forma mais clara, agradeceria muito. - Ela sugeriu ansiosa pois esfregava uma mão na outra a todo momento. - Bom, era só isso. Vou até o mercado agora, nos vemos qualquer hora dessas Ana. - Despediu-se acenando para mim e indo embora. Após ver que Katherine não estava mais onde minha vista alcançava, engoli em seco e voltei a observar o moreno que continuava na mesma posição, fazendo a mesma atividade. Deduzi que é coisa do Asperger, pois lembrei que ontem meu pai mencionou que eles gostam de fazer as mesmas atividades repetidamente, uma coisa assim. Respirei fundo e atravessei a rua até o jardim onde ele estava. Mesmo com minha proximidade Christian não me notou ou sei lá, pode estar fingindo que não me viu por ainda estar chateado. Pensei em dar meia volta e voltar pra casa, mas já que estou aqui resolverei isso de uma vez por todas. - Christian... - O chamei mas ele manteve-se concentrado em sua atividade. - Christian? - O chamei com a voz um tom mais alto que o normal e rapidamente, ele se levantou e ajeitou sua roupa suja de grama. Diferentemente de ontem, ele não mais me encarava, muito pelo contrário. Mantinha a cabeça baixa e batia o pé, demonstrando certo nervosismo comigo. - Lembra-se de mim? Meu nome é Ana. - Na verdade seu apelido que é Ana, seu nome mesmo é Anastasia. - Me corrigiu olhando para o chão. - Como sabe? - Perguntei curiosa. - Quando veio nos visitar dias atrás, Raymond falou um pouco sobre você. - E ele falou bem de mim? - Disse que você é muito rebelde, mas tem bom coração. - Contou arrancando um sorriso tímido da minha parte. - Será que podia olhar pra mim? Ou será que sou tão feia que não quer nem olhar pra minha cara Christian? - Brinquei. - Você não é feia, na verdade é muito bonita segundo os padrões de beleza atuais. - Elogiou me olhando. - É que ontem você me chamou de imbecil e disse adeus. Quando se fala isso é porque não se pretende mais ver a outra pessoa por um bom tempo. Sem contar que as vezes ainda me incomoda manter contato visual com as pessoas, se bem que com o tratamento venho melhorando bastante neste aspecto. - Eu estava de cabeça quente, por isso disse aquelas coisas. Será que pode me desculpar? - Indaguei mordendo os lábios de novo, mania que tenho desde pequena quando fico ansiosa. - Como assim cabeça quente? Está com febre? Ah, esqueci que ele não entende de primeira esse tipo de expressão. - Não, quis dizer que estava muito nervosa porque entendi mal sua atitude comigo a respeito daquele lance da janela. Enfim, vai me desculpar ou não? - Hum... - Ele coçou a cabeça. - Desculpo sim. - Que bom! - Exclamei contente. - Vamos recomeçar, certo? Muito prazer, Ana Steele. - Estendi a mão para ele. - Christian Grey. Desculpa senhorita Steele, mas não aperto mãos. Ficar tocando as pessoas é bem estranho e me incomoda um pouco. - Okay. - Ri guardando minhas mãos no bolso novamente. - Deixa pra lá. Posso te perguntar uma coisa? - Pode. - Ele concordou me olhando atentamente. - Por que estava me olhando na janela daquele jeito ontem? Já sei que não foi por malícia, mas foi por qual motivo então? - Perguntei não conseguindo me controlar. Precisava muito sanar essa dúvida. - Porque você tinha ombros bonitos e também estava olhando para mim. Minha psicóloga sempre diz que tenho que tentar manter o máximo de contato visual possível com as pessoas. - Ombros bonitos? É a primeira vez na vida que alguém me elogia desta maneira estranha. - Não resisti e gargalhei, mas ele continuou sério. Definitivamente, Christian não tem muito senso de humor. Ele é totalmente diferente de mim em todos os sentidos. Parece que sei lá, vive em um mundo só dele. Mas a verdade mesmo é que depois de conversar um pouquinho com ele fiquei com muita, mas muita vontade mesmo de conhecer seu estranho mundo.
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Voltei com mais um capítulo e espero que estejam gostando desses dois! Aos poucos estamos sabendo um pouco mais sobre o asperger, né? Espero que estejam entendendo, qualquer dúvida só perguntarem nos comentários.
Ana está cada dia mais curiosa com o Grey, será que está se apaixonando? Kkk