Capítulo 18 - Estranha Decisão.
Horas depois acordei com uma de dor de cabeça bem incômoda.
Minha primeira atitude foi verificar se a porta ainda estava trancada e com isso, ninguém entrou aqui e me flagrou nesta situação delicada. Ao constatar que sim suspirei aliviada, guardei a bebida o mais escondida possível para não ser descoberta como da outra vez em que Raymond brigou comigo e fui ao banheiro lavar o rosto.
— Merda... Sou uma idiota. - Murmurei secando o rosto - Imagina se Raymond me flagrasse bêbada? Aí é que não ia aceitar meu romance com Christian de jeito nenhum e neste caso sim, ele teria toda a razão.
Preciso aprender a me controlar.
Ser mais responsável como as outras pessoas são.
Porque sou assim? Porque vacilo o tempo todo?!
Está aí uma pergunta que acho que nunca terei a resposta.
Tomei um banho mais demorado que ajudou a melhorar um pouco da pequena ressaca, coloquei meu pijama e voltei para o quarto. Não queria sair daqui mas está me batendo uma fome daquelas, minha barriga está até roncando parecendo aqueles motores de trator. Saí do quarto, desci as escadas e fui até a cozinha. Abri a geladeira e da mesma, peguei um pouco de suco, alguns embutidos e preparei um sanduíche gostoso para comer.
A casa está tão silenciosa que estou estranhando.
Onde será que o xerife está? Já era para ter vindo discutir comigo aqui. Pelo jeito, ele saiu mesmo. Não deixou nem um recadinho na porta da geladeira para mim como costumava fazer quando estávamos nos dando bem.
Saudades desse tempo.
Parece que faz mil anos, mas só tem alguns meses.
Mais saudade ainda estou é do meu Christian.
Onde será que ele está agora? O que está fazendo? Estou com tanta, mas tanta saudade e com uma vontade de louca de encher meu moreninho de beijos e um pouco mais.
Após terminar de comer, ia subir para meu quarto afinal, já passou da meia-noite e preciso dormir depois do dia cheio que tive. Parei no meio da escada quando vi a maçaneta da porta se mexendo.
Raymond estava voltando mas para meu azar, não estava só.
— Anastasia. - Carla entrou em casa com as mãos na cintura e uma feição furiosa no rosto - Precisamos conversar agora!
— Não precisava ter se deslocado de Vegas só para me ver, mãe. - Desci as escadas até a sala, sentando-me no sofá - Já bateu saudades?
— Não seja irônica, Anastasia. Como ousou me desobedecer viajando para cá sem minha autorização?!
— Não tive escolha, você não queria deixar eu ver Christian! Sei que errei, mas se não fizesse isso não ficaria em paz, mãe. Ray te contou que ele acordou por minha causa? Christian ficou tão feliz em me ver e eu também. Foi o melhor momento da minha vida, sabiam? - Acabei sorrindo - Vocês não podem nos separar, eu amo o Grey e esse amor é reciploco. Do jeito dele, ele me ama também.
— Lá vem você com essa história de amor. - Raymond revirou os olhos, ainda não acreditando nos meus sentimentos.
— Você sabe que está de castigo pelo resto da sua vida por tudo que fez hoje, não sabe? - Carla relembrou.
— E eu lá conheço uma vida sem castigos? - Ironizei de novo - Será que não percebem o quanto amo o Christian? Que o que sinto por ele é mesmo sincero? Me deixar de castigo para sempre não vai mudar isso.
— Difícil acreditar nisso analisando o histórico que você tem, filha. - Carla rebateu - Você também se dizia apaixonada pelo Jack, fazia loucuras por ele e quando deu por si, simplesmente acabou o namoro.
— Sabe qual é a verdade? - Me levantei apontando o dedo para eles - É que vocês estão sendo egoístas comigo! Não estão nem aí para meus sentimentos, nem para os do Christian. Nos separaram e mesmo vendo no que deu ainda insistem nisso, mas quero deixar uma coisa bem clara para vocês. Pensem bem no que irão fazer comigo porque se me separarem do Grey mais uma vez não sei o que serei capaz de fazer com minha vida. - Esbravejei antes de correr para o quarto, mas antes de ir pude ouvir os dois discutindo muito, parecendo bastante preocupados com toda a situação.
Já dentro do quarto tomei mais um gole de vodka para relaxar os nervos, escovei os dentes e enfim, consegui adormecer.
[...]
Na manhã seguinte pude ver através da janela Christian retornando para casa depois de dias internado no hospital.
Me arrumei toda disposta a ir até a casa dele mesmo que seus pais e os meus brigassem comigo, mas quando saí do quarto e desci até a sala de estar me deparei justamente com Carrick e Grace, os pais de Christian.
— Er... - Engoli em seco - Bom dia.
Será que vieram brigar comigo? Ou estão armando com meus pais para me mandarem de novo pra Vegas?
— Olá Anastasia. - Grace e Carrick disseram quase ao mesmo tempo, esboçando um pequeno sorriso. - Gostaríamos de falar com você.
Olhei para meus pais que não pareciam mais tão nervosos quanto ontem, o que defino como bom sinal.
— Claro. - Concordei sentando na beirada do sofá e esfregando uma mão na outra - Sobre o quê seria?
Óbvio que o assunto é Christian Grey.
— Sobre nosso filho. - Carrick respondeu segurando a mão da esposa - Você se envolveu com Christian sem nosso conhecimento e pior ainda, sem o nosso consentimento. E...
— Eu errei - Interrompi meu quase futuro sogro - Mas quero que saibam que não foi de propósito, nem por maldade. Christian e eu nos apaixonamos naturalmente, simplesmente aconteceu. Sei que não sou a pessoa mais ideal para ele, que sou cheia de defeitos, meto os pés pelas mãos quase o tempo todo - Dei um sorriso sem graça sentindo algumas lágrimas se formarem nos meus olhos - Mas o que sinto pelo filho de vocês é realmente sincero, juro. - Garanti me calando para que eles pudessem continuar.
— Nós... - Grace e Carrick se entreolharam - Acreditamos em você.
— De verdade? - Sorri.
— Sim. - Grace confirmou - Preciso ser sincera Ana, não creio que você seja a pessoa certa para meu filho. Christian é especial, não é como os outros meninos. Nosso filho precisa de mais cuidados, mais atenção, coisas que não sei se você está preparada para lhe dar.
— Eu sei disso. E o fato dele ser diferente dos outros garotos é justamente o que mais me encanta nele, senhora. - Admiti - Prometo que se me deixarem namora-lo, não irei magoa-lo. Só quero fazê-lo feliz.
— Conversamos longamente com teus pais, Ana. - Carrick tomou novamente a palavra - E estamos dispostos a aprovar esse romance, deixar vocês namorarem porque realmente estamos preocupados com o que pode vir a acontecer com nosso filho se não aprovarmos esse namoro. Inclusive já avisamos Christian sobre nossa decisão.
— Sério? Muito obrigada! - Impulsiva como sempre, fui até ambos e os abraçei com alegria - Não vou decepcionar vocês, juro pelo que quiserem. - Garanti sorrindo feito boba.
Só de saber que vou poder namorar meu Chris sem ter que esconder isso de ninguém meu coração já se enche de alegria.
— Calma mocinha. - Ray alertou - Aceitaremos sim esse namoro, desde que seja supervisionado sempre por todos nós.
Tinha que ser.
— Não tem problema, o importante é vocês terem autorizado! - Dei alguns pulinhos de alegria - Prometo que irei me comportar, podem confiar. - Pisquei para eles - Er... Será que posso ver o Christian um pouquinho?
— Ele está no quarto. Pode ir, mas deixe a porta encostada, sem trancar. - Grace mandou e assenti com a cabeça concordando.
— E se comportem. - Carla completou e animada, saí correndo da sala e fui até a casa de Christian. Entrei sem nem olhar para os lados direito, mas antes de subir ao quarto dele flagrei Katherine e Elliot no maior amasso quente no sofá da sala.
Quando os pais dela chegarem aqui ambos vão tomar a maior bronca, não quero nem ver.
Mas isso não importa agora porque o que quero mesmo é ver como está meu estranho favorito.
Bati na porta do quarto de Grey duas vezes e já entrei. O moreno estava deitado na cama, provavelmente ainda de repouso por ordens do médico, com seus óculos de leitura sob os olhos lendo algum livro interessante a julgar pelas caras e bocas que fazia durante a leitura. Ao notar minha presença, me olhou serenamente e lançou aquele sorriso torto que tanto amo.
— Bom dia, namorado! Seus pais já te falaram que temos autorização para namorarmos como manda o figurino, não? - Perguntei sem conter o sorriso feliz nos meus lábios, enquanto encostava a porta do quarto.
— Sim. Disseram antes de irem para sua casa conversar com seus pais que tecnicamente, agora são meus sogros. - Respondeu guardando o livro na gaveta do criado-mudo e sentando-se na cama - Ana... - Ele franziu a testa - Como é que funciona esse tal de namoro como manda o figurino?
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Vamos acompanhar esse namoro de pertinho nos próximos capítulos❤❤
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Estranho Amor
FanfictionAnastasia Steele é uma verdadeira garota problema que a contra-gosto é obrigada a se mudar para uma cidade pequena a fim de morar com seu pai, Raymond, o chefe de polícia de Spokane. É quando se depara com o filho de sua vizinha, um estranho garoto...
